Apanhado na Lapa
Ferro Rodrigues anda com azar. O PS anda com azar. Assim se vai escrevendo por aí, porventura tentando generalizar, a partir de um escândalo envolvendo o nome de um ex-ministro de Guterres e do barulho de indignação que suscitou entre as hostes dirigentes socialistas. «Declarações infelizes», classificam alguns reportando-se às primeiras reacções do secretário-geral do PS. Certamente que, se tais declarações não se tivessem verificado, haveria depois alguém a acusá-lo de se esconder no silêncio.
É assim que há quem fale já em «renúncia à liderança».
No Público de sexta-feira passada, João Pedro Henriques chega mesmo a escrever: «Nunca o partido viveu, nos seus 30 anos de história, um momento tão difícil: nem no PREC, nem quando teve um "score" de 21 por cento nas legislativas de 1985, nem nas duas maiorias absolutas do PSD, nem quando Guterres se demitiu - nunca.»
Não sabemos se assim é. Mas é bom recordar que os resultados de 85, tais como os de 2000, foram consequência de uma política persistentemente levada a cabo por gerações de socialistas - a política de direita.
De facto, agitando-se como partido de esquerda quando na oposição, o PS tem desbaratado a confiança do eleitorado aprofundando os serviços ao capital cada vez que se senta no governo. E a direita substitui-o, até que novas eleições a destronem, com os eleitores, duvidosos, a apostarem uma vez mais nas promessas da «esquerda» PS.
O certo é que este «momento difícil» surge quando o partido de Ferro está na oposição, e isso quer dizer qualquer coisa. Não cremos que se deva à prisão preventiva de um deputado nem ao testemunho do dirigente. Procuremos antes na crença natural que leva o PS a prosseguir na senda da política de direita. A sua atitude titubeante quando se tratou de combater a política imperialista dos EUA; a oposição moderada ao Código de Bagão; o conluio para fazer aprovar as celeradas leis dos partidos e do financiamento partidário, sublinharam que, na oposição, o PS continua a ser de direita. E que assim não se vai lá.
Ainda na oposição, há uma semana, Ferro Rodrigues foi apanhado na Lapa. Contribuindo assim para desdourar a sua imagem. Que foi ele lá fazer? O Público esclarece: passar a manhã e a hora do almoço numa sala de hotel «a discutir com a fina-flor do empresariado». Nomes dos envolvidos: António Carrapatoso, Pedro Ferraz da Costa, Ludgero Marques, Francisco Vanzeller, Nogueira Leite.
Chega e sobra para uma condenação. Nas urnas.
É assim que há quem fale já em «renúncia à liderança».
No Público de sexta-feira passada, João Pedro Henriques chega mesmo a escrever: «Nunca o partido viveu, nos seus 30 anos de história, um momento tão difícil: nem no PREC, nem quando teve um "score" de 21 por cento nas legislativas de 1985, nem nas duas maiorias absolutas do PSD, nem quando Guterres se demitiu - nunca.»
Não sabemos se assim é. Mas é bom recordar que os resultados de 85, tais como os de 2000, foram consequência de uma política persistentemente levada a cabo por gerações de socialistas - a política de direita.
De facto, agitando-se como partido de esquerda quando na oposição, o PS tem desbaratado a confiança do eleitorado aprofundando os serviços ao capital cada vez que se senta no governo. E a direita substitui-o, até que novas eleições a destronem, com os eleitores, duvidosos, a apostarem uma vez mais nas promessas da «esquerda» PS.
O certo é que este «momento difícil» surge quando o partido de Ferro está na oposição, e isso quer dizer qualquer coisa. Não cremos que se deva à prisão preventiva de um deputado nem ao testemunho do dirigente. Procuremos antes na crença natural que leva o PS a prosseguir na senda da política de direita. A sua atitude titubeante quando se tratou de combater a política imperialista dos EUA; a oposição moderada ao Código de Bagão; o conluio para fazer aprovar as celeradas leis dos partidos e do financiamento partidário, sublinharam que, na oposição, o PS continua a ser de direita. E que assim não se vai lá.
Ainda na oposição, há uma semana, Ferro Rodrigues foi apanhado na Lapa. Contribuindo assim para desdourar a sua imagem. Que foi ele lá fazer? O Público esclarece: passar a manhã e a hora do almoço numa sala de hotel «a discutir com a fina-flor do empresariado». Nomes dos envolvidos: António Carrapatoso, Pedro Ferraz da Costa, Ludgero Marques, Francisco Vanzeller, Nogueira Leite.
Chega e sobra para uma condenação. Nas urnas.