Vendas Novas na rota do futuro

Hugo Janeiro
Entre o Litoral e o Interior, o concelho de Vendas Novas é um dos exemplos de honestidade, trabalho e competência da gestão CDU nas autarquias. O rigor e criatividade colectiva transformaram a cidade e elevaram a qualidade de vida das populações, como nos explicaram o presidente da Câmara, José Barradas, e o vice-presidente da autarquia, José Figueira, em conversa com o Avante!.

«Se o Governo quiser fazer uma gestão equilibrada tem muito a aprender com a nossa autarquia»

Numa volta pelo concelho, foi ainda possível constatar o andamento dos muitos projectos em execução e falar com alguns trabalhadores. Dos arruamentos aos jardins, da nova piscina coberta à requalificação dos equipamentos desportivos existentes, da nova estação rodoviária ao mercado e ao parque de feiras e exposições, tudo está a ser feito para colocar Vendas Novas na rota do futuro.
No terreno, operários e técnicos garantiram que é com prazer e dedicação que se trabalha. Nos estaleiros da autarquia, encontrámos uma autêntica unidade de produção e apoio aos trabalhos em curso, confirmando que, quando os comunistas lançam mãos à obra, oferecem o melhor às populações.

Avante!: Quais foram as principais prioridades da gestão da CDU nos últimos quatro anos de mandato em Vendas Novas?

José Barradas
: Uma das nossas prioridades foi a conclusão do sistema de tratamento de águas residuais, um problema que só conseguimos resolver por intermédio da construção de seis estações elevatórias. Outra foi o reforço do sistema de abastecimento de água que apresentava algumas deficiências devido aos muitos anos de desgaste. O próprio sistema de canalização era deficitário, mas o problema já se encontra resolvido. Estas eram duas das grandes obras que tínhamos pensado, apesar de não ficarem «à vista», são trabalhos que considerámos de primeira necessidade.

Houve então um grande investimento em trabalhos que, apesar da ficarem debaixo do solo e portanto não adquirem grande visibilidade, são estruturantes para o concelho e para a qualidade de vida das populações?

JB
: São as tais obras que não se vêem, mas que são importantíssimas, mas nós definimos ainda outras necessidades. A central rodoviária, cuja execução se encontra a cerca de 70 por cento; a passagem inferior ao caminho-de-ferro no Bairro Lizardo; o arranjo da Estrada Nacional 380, que a população vinha reclamando há longo tempo e que a Câmara realizou em conjunto com a Direcção de Estradas; na aldeia de Piçarras entendemos que devíamos fazer uma entrada com alguma dignidade, iluminada, com esgotos e arruamentos; o novo mercado municipal com melhores condições e a construção de raiz do espaço de feiras e exposições do concelho.
Ao nível do desporto estamos a trabalhar no Estádio Municipal com a colocação de bancadas, para já provisórias, construção de balneários, posto médico e acesso ao campo. Também a pista de atletismo em piso sintético já se encontra em andamento tendo em conta que no concelho de Vendas Novas existe tradição e afluência nesta área da prática desportiva. Será a primeira estrutura do género em todo o distrito de Évora.

É portanto um equipamento integrado para uso comum pelos diversos clubes e modalidades do concelho. Como tem sido a relação entre a autarquia e o movimento associativo?

JB
: A Câmara Municipal tem uma grande actividade a nível de desporto no concelho e junto das colectividades, porque sem elas seria impossível fazer tanto e chegar a tanta gente. Posso dizer que não há nenhum fim-de-semana em que não se realizem actividades desportivas em Vendas Novas e, mesmo durante a semana, envolvendo os miúdos das escolas.
Procuramos apoiar as colectividades, não só do ponto de vista desportivo mas também no âmbito cultural, prestando, por exemplo, apoio técnico ou disponibilizando transportes, isto para além de no início de cada ano estabelecermos protocolos para a promoção de actividades.
Temos também apostado muito na vertente do desenvolvimento das escolinhas de modalidade onde, para além da subsidiação regular, as colectividades recebem por cada escolinha uma determinada quantia para fazerem face às despesas com os monitores e os professores. Neste momento temos entre seis a oito escolinhas a funcionarem na perspectiva da formação e do estímulo às colectividades, assim elas têm possibilidade de movimentar mais crianças.

E ao nível da cultura, o que é que tem sido feito?

JB
: Não existem muitas colectividades dedicadas exclusivamente à cultura em Vendas Novas, mas tentamos promover e apoiar as existentes.
Comparticipámos na construção da sede do Rancho Folclórico da Ladeira, damos atenção ao Grupo de Danças e Cantares das Pioneiras de Vendas Novas - que é representativo do concelho e da região - e ainda ao Rancho Folclórico das Piçarras, este integrado num grupo desportivo.
Na Biblioteca e no Auditório - que estão ao serviço da população e das colectividades - tentamos realizar alguns eventos. Com o apoio da Câmara foi criado o Grupo de Teatro de Vendas Novas; promovemos as «Noites de Verão», em Junho, Julho e Agosto, um evento com uma perspectiva descentralizada no qual, todos os fins-de-semana, ora no Jardim Público, ora nas Piçarras, ora ainda no Jardim da Landeira decorrem sempre várias iniciativas gratuitas e abertas à população.
Temos actividades regulares na comemoração do 25 de Abril, nas festas da cidade, em Maio, nas festas do concelho, em Setembro, procurando agradar tanto ao público mais idoso como ao gosto dos mais jovens.
Este ano realizámos ainda a 2.ª edição da Feira Logística do Alentejo envolvendo actividades económicas e culturais, mas também o artesanato do concelho. Curioso é que descobrimos um número significativo de artesãos que nem sequer eram conhecidos, que não tinham espaço nem projecção, mas ali tiveram possibilidade de se mostrarem.

Concelho em crescimento

Esse conjunto de obras e actividades patrocinadas pela Câmara Municipal reflectem-se na fixação de população no concelho?

JB
: Nos últimos censos registamos um crescimento populacional de 11,2 por cento, mas tal não se deveu exclusivamente às condições criadas no âmbito do desporto, do bem-estar e do lazer. Deveu-se sobretudo às condições de trabalho. Lançámos, em 1992, o parque industrial, no qual, em dez anos, fixámos mais de meia centena de empresas com um total de cerca de 900 postos de trabalho. A criação de emprego e a promoção de habitação feita pela Câmara transformaram Vendas Novas num local atraente para viver, com tendência para crescer mas com qualidade de vida.
Todas as infra-estruturas foram pensadas de uma forma integrada ao nível do emprego, da habitabilidade, da cultura, do desporto e do bem-estar. Nesta medida, não enfrentámos dificuldades com o aumento do número de residentes e pensamos mesmo que é possível, nos próximos anos, chegar aos 20 mil habitantes mantendo padrões elevados de qualidade de vida.
Elaborámos o Plano Estratégico de Desenvolvimento do concelho, um projecto orientador que nos permitiu pensar o desenvolvimento de uma forma integrada, não desgarrada.

Apesar do esforço feito, em Vendas Novas ainda se sente a factura da interioridade?

JB
: As populações do interior pagam sempre uma factura maior que as que vivem nos grandes centros urbanos, nem que seja só pelo facto de terem que se deslocar frequentemente a Lisboa, Évora ou Setúbal.
A primeira entidade a quem as pessoas recorrem é sempre à Câmara Municipal. Se é da nossa responsabilidade resolvemos, mas também tratamos muitos assuntos que são da responsabilidade do Poder Central porque temos a consciência que quem paga são as populações.
Por outro lado, reivindicamos um pólo universitário para a cidade e um tribunal para o qual até já disponibilizámos um terreno.
Se fizermos a comparação do que é da responsabilidade local e do que é da responsabilidade central, da nossa parte temos cumprido.

José Figueira: Os sucessivos governos foram colocando dificuldades ao Poder Local sobretudo ao nível do cerceamento financeiro que atingiu as autarquias. Temos uma capacidade de endividamento de 79 por cento que não pudemos utilizar devido aos entraves impostos pelos governos, facto que adiou a aprovação de muitos projectos, pese embora determos uma boa saúde económica e financeira.
Uma nota ainda sobre o balanço da obra feita nas áreas do ambiente e dos resíduos sólidos urbanos para dizer que temos praticamente atingidos todos os objectivos propostos para a melhoria das condições de vida das populações nesta matéria. Encerramos a lixeira municipal no início deste mandato, adquirimos uma nova viatura de recolha de lixos, instalamos 42 ecopontos no concelho e temos em execução o projecto de obra do ecocentro, que vai ficar no parque industrial. No balanço, dizemos que a CDU prometeu e cumpriu, e só não fizemos mais porque o Governo empatou.
Se o Governo quiser fazer uma gestão equilibrada tem muito a aprender com a nossa autarquia, porque mesmo com todas as barreiras fizemos obra e temos um mandato muito positivo.

Valorizar o trabalho

Nessas contas, entra ainda o facto de em muitos concelhos as autarquias serem o maior empregador?

JF
: Sobre isso eu gostava de dizer que nos caracterizamos por realizar muitos trabalhos por adjudicação directa e recorrendo aos trabalhadores da autarquia. Não somos o principal empregador do concelho porque tivemos condições para apostar num desenvolvimento planeado, de lançar outras dinâmicas, mas temos a trabalhar no município cerca de 300 trabalhadores que efectivamente executam obra de qualidade.

Ou seja, mesmo não sendo o principal empregador, há uma valorização do trabalho e das qualificações dos trabalhadores?

JB
: Não há obra nenhuma que não consigamos executar, fizemos um esforço muito grande ao longo dos anos para crescer e qualificar os nossos recursos humanos.

Quais são as perspectivas de trabalho para o futuro?

JF
: Temos em andamento trabalhos fundamentais para o concelho. O terminal rodoviário, o mercado municipal - que pensamos ainda ser possível arrancar neste mandato - os loteamentos que vão proporcionar a habitação unifamiliar e plurifamiliar, em alguns casos com preços de terrenos correspondentes ao ano de 2001, portanto não fazendo repercutir qualquer mais-valia para a autarquia. No fundamental a obra está à vista e pensamos que honra a prática da CDU neste município.
Temos um conjunto de instrumentos de planeamento elaborados como o Plano de Urbanização da Cidade, o Plano Municipal de Ambiente e o Programa de Preservação Ecológica dos Vales da Ladeira e Marateca. Como também já foi referido, concluímos o Plano de Circulação e Transportes e o Estudo de Mobilidade que nos vão dar linhas de orientação até 2015. Por tudo isto estamos dotados de instrumentos que nos permitem reorganizar a cidade, investir na articulação dos espaços urbano rural e, no final, construirmos um concelho mais humanizado com a preocupação fundamental centrada nas pessoas, que é no fundo a marca da nossa prática.
Para além disso vamos manter a captação de empresas para o parque industrial, o qual entrou já na segunda fase de infra-estruturação; estamos a requalificar um antigo moinho para servir de sede do futuro posto de turismo; criámos instrumentos financeiros de apoio às micro, pequenas e médias empresas em colaboração com o Fundo de Investimento Regional.
Muitos dos projectos que agora iniciámos esperamos concluí-los no próximo mandato, mas uma das obras que consideramos fundamentais é a qualificação urbanística do centro tradicional de Vendas Novas.
Nesta primeira fase, é uma obra de dois milhões e novecentos mil euros que visa fazer no centro uma praça que seja o coração da cidade. Agora é preciso que o Governo resolva o problema da variante à Estrada Nacional 4, ou seja, com a passagem de 20 mil veículos por dia pelo centro - dos quais 20 por cento são pesados - é quase impossível fazer uma qualificação urbanística deste porte.
No Plano de Urbanização já traçámos a solução e chegámos a apresentá-la a vários ministros. O Governo PS/Guterres e o então ministro João Cravinho receberam as propostas para a execução da variante, mas depois meteram tudo na gaveta e mais ninguém falou no assunto.
Tivemos a preocupação de, neste mandato, apresentar os projectos planificados a médio e longo prazo, até para contarmos com os apoios do futuro quadro comunitário.

E a ligação às populações e a sua participação nas grandes decisões do concelho, são para reforçar no próximo mandato?

JF
: Tem sido prática no nosso concelho a gestão participada e tencionamos mantê-la nos próximos quatro anos.
Todos os anos, quando elaboramos o Plano de Actividades reunimos com as populações, auscultamos as pessoas para saber das suas necessidades, mas também com as instituições de Vendas Novas, estabelecendo protocolos e estimulando a responsabilização ao nível económico, cultural, social, desportivo.
O próprio Plano Estratégico foi exemplo desse trabalho. Durante dois anos ouvimos e esclarecemos, por isso não é um projecto da Câmara, é de todos os munícipes.

Que objectivos eleitorais traçou a CDU no concelho?

JF
: A nossa perspectiva é manter a maioria em Vendas Novas e reforçar o número de votos, isto porque acreditamos que a população vai reconhecer o fruto da gestão da CDU.