Campanha da Organização dos Jovens Trabalhadores da JCP

Informar e aumentar votação

O que faz uma enfermeira, um electricista, um engenheiro e uma optometrista à entrada de uma obra em Lisboa, às 7h de uma manhã fria? Uma distribuição da JCP no âmbito da campanha nacional de informação dos jovens trabalhadores.

A receptividade é maior onde existem colectivos da JCP ou do PCP

São sete da manhã de segunda-feira. Estão 5 graus em Lisboa. Junto ao Centro Comercial Vasco da Gama o nevoeiro passa devagar, tão espesso que não deixa ver a estação do Oriente, escassos metros à frente. Os faróis dos automóveis cortam o escuro. Rapazes de boné na cabeça e mãos nos bolsos atravessam a rua, a passo rápido. O cenário é de ficção científica. Apenas um grupo de militantes da JCP, à porta de uma obra de construção civil, mostra que se trata de uma real e dura manhã de Inverno.
Três altos guindastes indiciam uma grande obra. Vão entrando operários: jovens africanos, eslavos de meia idade, portugueses pouco sorridentes encolhidos nos seus casacos. Estendem a mão para receber os panfletos da Organização dos Jovens Trabalhadores da JCP, dirigidos para o sector, abordando algumas medidas do Código do Trabalho e problemas específicos dos operários da construção civil.
À noite, em entrevista ao Avante!, Isabel Barbosa, Andreia Pereira, Alexandre Neto e Nuno Vieira falam sobre a sua experiência na distribuição no distrito de Lisboa. «A construção civil é provavelmente a área mais marcante. Primeiro, ninguém liga a estes operários. Estarmos ali, preocupados com os problemas específicos deles, revela muito de nós e toca muito neles», afirma Isabel Barbosa. As questões frequentemente mais levantadas relacionam-se com a remuneração e o tempo de trabalho.
«Na semana passada, a fila para entrar para a obra, iam lendo o papel e comentavam entre eles e connosco. Identificavam o elemento da JCP, diziam que a vida está difícil, alguns que há que lutar. A alguma resignação com a situação actual tentamos responder que é possível alterar as coisas, melhorar a situação e que isso só é possível com a luta. Agora abordamos também a questão da votação na CDU. Com as eleições, esta campanha deixou de ser apenas uma questão de esclarecimento para passar também a levar as pessoas a votar na coligação», adianta Alexandre Neto.

Ser mais ambiciosos

Os militantes da JCP verificam que as reacções variam nos vários locais visitados. «No Centro Comercial Colombo a aceitação foi muito boa, acabamos os documentos num instantinho. No Corte Inglez, os trabalhadores não têm a mesma consciência de classe, talvez pelas próprias características do local de trabalho. Se fores a uma loja da Lacoste ou a uma dos trezentos, as pessoas que lá trabalham são diferentes. Podem ter o mesmo ordenado, mas têm outro estatuto e vêem as coisas de outra maneira», referindo Isabel.
As histórias multiplicam-se à medida que as distribuições aumentam. Na TMN havia pessoas a pedir documentos nas janelas. No Centro Vasco da Gama uma empregada da limpeza colocou uma questão sobre o horário laboral. Alguns demonstram algum receio. «Essa senhora, por exemplo, afastou-se da porta para falar connosco para o segurança não a ver», comenta Andreia Pereira.
Uma conclusão é fácil de tirar: o trabalho é mais fácil e a receptividade é maior nos locais onde existem células e colectivos da JCP ou do PCP, como é o caso da PT. «O trabalho e as propostas são reconhecidas», explica Andreia. «É mais produtivo e as pessoas vêem quem está do lado delas, fora do período de eleições. Quando estes documentos foram preparados nem sabíamos que ia haver eleições», acrescenta Isabel.
Ainda é cedo para fazer um balanço das distribuições, até porque ainda não acabaram, mas o trabalho realizado até aqui é bom. «Quando começámos não pensei que conseguíssemos distribuir os documentos tão bem e chegar a tanta gente. A aceitação foi muito positiva. E serviu para reforçar a nossa organização», diz Isabel. Nuno acrescenta: «De um diálogo simples tiramos sempre algum proveito.»
«Temos de continuar a discutir, a aprender mais sobre o Código do Trabalho por exemplo. Outra conclusão é que temos de ser mais ambiciosos. Nós conseguimos contactar as pessoas e somos bem recebidos, agora temos de fazer mais distribuições, chegar a mais pessoas, fazer recrutamentos e vender Avantes», conclui Alexandre.

O cara a cara tem melhores resultados

Quando se levantam umas horas mais cedo do normal para ir para o trabalho, pensam se vale a pena? A pergunta impõe-se. «Eu nem penso... Se fosse para outra coisa não me levantava, mas como é para isto...», conta Isabel Barbosa.
«Vale a pensa, senão não fazíamos. Não vamos para um sítio só porque está marcado na agenda. Nalguns sítios ficam contentes por nos ver: “Tiveram de se levantar cedo!” Dão valor a isso. Mesmo que não votem na CDU, as pessoas ficam mais esclarecidas sobre os seus direitos, conhecem as nossas propostas... e é pouco a pouco que lá chegamos. Se não fizermos nada, se nos limitarmos aos outdoors ou a outras formas menos directas de chegar à população, mais dificilmente as pessoas ficam conscientes», diz Andreia Pereira.
Alexandre Neto afirma que, quando acorda, sente que vai ter uma experiência enriquecedora a nível pessoal e político. «Depois das distribuições sinto-me melhor preparado para as próximas iniciativas e com mais força. Nestas alturas podemos responder que os partidos não são todos iguais, mostrar o trabalho que temos feito, dizer que estes governos e estas políticas estão gastas, que estamos dispostos a trabalhar ao lado deles. É completamente diferente estar cara a cara com as pessoas ou comunicar através da televisão ou dos outdoors», acrescenta.
Nessas conversas constata-se que, de facto, as ideias e os argumentos da JCP e do Partido fazem sentido, mesmo para aqueles que à partida as recusam. É uma questão de dialogar e apresentar raciocínios a partir da realidade.
«As pessoas apercebem-se que estamos do lado certo», refere Andreia. «Concordam com as nossas propostas, mas muitas vezes verifica-se uma certa desmotivação para a luta, pensar que não é possível... Isso mostra que temos de continuar a esclarecer, a pedir uma oportunidade ao PCP e a apelar ao voto», declara Alexandre.


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