
- Nº 1618 (2004/12/2)
XVII Congresso do PCP
Afirmação comunista
PCP
Realizado em Almada, o XVII Congresso do PCP constituiu um importante momento de afirmação do PCP, das suas propostas, análises e projecto. 1300 delegados e milhares de convidados participaram activamente nos trabalhos, mostrando uma vez mais que o PCP é e continuará a ser, por vontade dos seus militantes, o que sempre foi: Um grande partido comunista.
«Camaradas, há muita gente lá fora. Vamos abrir as portas dos delegados para que os convidados que não conseguiram entrar o possam fazer», anunciou Paulo Raimundo, da Comissão Política, que dirigia os trabalhos da última sessão do Congresso. E foram muitos os que entraram para assistir, entusiasticamente, à apresentação do novo Comité Central, eleito na véspera, e à intervenção de encerramento do novo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Muitos que se juntaram aos outros muitos que já enchiam – e encheram durante os três dias – por completo as bancadas do pavilhão de Almada.
E todos, delegados e convidados, puderam presenciar também um dos mais emocionantes momentos do Congresso: O abraço entre o novo secretário-geral, Jerónimo de Sousa, e o seu antecessor, Carlos Carvalhas, que prometeu que o Partido pode continuar a contar com o seu «empenho e militância».
Ligado à vida e à luta
Tal como a sua fase preparatória, o Congresso do PCP decorreu ligado à vida e à luta dos trabalhadores e do povo. Pela tribuna passaram diversas intervenções de delegados que falaram dos mais variados temas da actualidade internacional, nacional e partidária. Intervenções todas elas escutadas atentamente pelos delegados e convidados. Como afirmou Jerónimo de Sousa na intervenção de encerramento, «por aqui não passou aquele penoso ambiente de oradores a falar para umas dezenas de delegados devido à ausência dos chefes, dos candidatos a chefes ou dos zangados com os chefes».
Os jovens estiveram em destaque. Pela sua participação activa nos trabalhos do Congresso (vários militantes da JCP falaram sobre os problemas que afectam a juventude e muitos jovens intervieram em nome de organizações partidárias) e pela energia e vitalidade com que se entregaram a este importante momento da vida do Partido. Jovens intimamente ligados ao movimento juvenil e às suas lutas e aspirações e que são, como alguém disse a partir da tribuna, não só o futuro mas também o presente do PCP. E o Congresso provou-o. Tal como o provou também a significativa renovação e rejuvenescimento nos organismos dirigentes do Partido: para o Comité Central (eleito por 95 por centos dos delegados) entraram 27 membros com menos de 30 anos.
De braço do ar e punho cerrado
Poucos minutos antecediam as onze horas da manhã de sexta-feira e já o pavilhão dos Desportos de Almada se enchia de delegados e convidados ao XVII Congresso do PCP. O rebuliço da entrada e da escolha dos lugares deu lugar à calma atenta do início dos trabalhos. Após A Internacional, cantada a plenos pulmões por milhares de pessoas, começou o Congresso.
Na primeira sessão, dirigida por Rosa Rabiais, da Comissão Política, foram postas à votação diversas matérias: O regulamento, a mesa da presidência, a ordem de trabalhos, o horário e os órgãos do Congresso. Todas estas votações conduziram à aprovação, pela esmagadora maioria dos 1300 delegados, das propostas apresentadas pela mesa: O regulamento com 2 votos contra e nove abstenções; a mesa por unanimidade, a ordem de trabalhos com dois votos contra e o horário também por unanimidade. Quanto aos órgãos do Congresso (ver texto na página seguinte), o secretariado, a Comissão de Redacção da Resolução Política e a Comissão de Verificação de Mandatos foram aprovados por unanimidade. A Comissão Eleitoral teve um voto contra e a Comissão de Redacção das Propostas de Alteração aos Estatutos teve a oposição de dois delegados.
Sabendo que iriam eleger, no dia seguinte, por voto secreto, o Comité Central – por imposição da antidemocrática lei dos partidos –, os delegados fizeram das restantes votações, todas efectuadas de braço no ar, actos de luta e autonomia partidária. Nas bancadas, os convidados cerravam os punhos, manifestando a sua concordância com a decisão dos delegados, que contribuíram para eleger.
A segunda sessão, na tarde de sexta-feira, foi dirigida por António Abreu. No sábado, a sessão da manhã foi dirigida por José Soeiro, enquanto a direcção da sessão da tarde, a quarta, esteve a cargo de Conceição Morais. No domingo, coube a Paulo Raimundo dirigir os trabalhos.
Mensagem de Álvaro Cunhal
Ausente do Congresso, Álvaro Cunhal não deixou de transmitir uma mensagem aos delegados e convidados. Lida na sexta-feira, a mensagem do antigo secretário-geral comunista foi recebida entusiasticamente pelos presentes, que aplaudiram de pé durante largos minutos. Eis, na íntegra, a mensagem:
«Queridos camaradas delegados e convidados ao XVII Congresso do PCP:
«Por razões de idade e saúde não me é possível participar nos trabalhos do Congresso. Permitam-me que vos saúde e expresse a minha confiança em que as decisões do Congresso, em todos seus aspectos, constituirão uma importante vitória e um grande incentivo à continuação da luta do Partido e do povo português.
«Vitória do Partido que é por si mesma uma vitória da classe operária, das massas trabalhadoras, dos intelectuais, da juventude (em particular da JCP), das mulheres e de todas as outras forças progressistas.
«É pois com sã alegria comunista e redobrada confiança no futuro do Partido, que transmito ao Congresso, um vibrante: Viva o marxismo-leninismo!»