- Nº 1617 (2004/11/25)
Cimeira da APEC

Três dias de protestos

Internacional

Paralelamente ao Fórum da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que decorreu no passado fim-de-semana na capital do Chile, Santiago, milhares de pessoas saíram às ruas em protesto contra o modelo neoliberal capitalista, a guerra no Iraque e a presença de George W. Bush no país.
As manifestações começaram antes da chegada do presidente norte-americano e do início dos trabalhos da APEC, fruto da mobilização em torno do Fórum Social Chileno (FSC) que decorreu concomitantemente à cimeira dos 21 chefes de Estado.
Na quarta-feira da semana passada, nas cidades de Santiago e de Valparaíso, as marchas de estudantes do ensino universitário e secundário foram brutalmente reprimidas pelas forças policiais.
As autoridades usaram canhões de água e granadas de gás lacrimogéneo, transformando as ruas no palco de uma batalha campal que durou várias horas e resultou na detenção de cerca de 120 pessoas.
No dia seguinte, sucederam-se as concentrações e as iniciativas promovidas por dezenas de organizações sem que se tenham registado incidentes.

Sexta-feira negra

O dia de arranque do FSC coincidiu com a chegada de Bush, acompanhado de dezenas de seguranças pessoais munidos de um arsenal bélico que chegou a levantar dúvidas à própria polícia chilena.
Ainda assim, as autoridades daquele país latino-americano resolveram carregar uma outra vez sobre os manifestantes. Centenas de pessoas foram detidas «preventivamente» e, nas esquadras, os abusos sucederam-se.
A campanha de intimidação começou logo pela manhã quando um protesto encabeçado pelo PC do Chile foi proibido.
O mesmo não aconteceu com a manifestação de abertura do FSC, na qual participaram mais de 50 mil pessoas. No encerramento desta marcha, uma sessão cultural num parque da cidade foi «brindada» com nova onda repressiva que se saldou em mais 180 detidos e dezena e meia de feridos.
A organização está já a preparar um acervo de relatos dos abusos policiais para entregar à justiça. No balanço das jornadas de luta, cerca de 700 pessoas foram presas.