
- Nº 1607 (2004/09/16)
Braga
PCP contra privatização da Algere
PCP
O PCP foi o único partido que votou na Câmara Municipal de Braga contra a privatização de 49 por cento do capital da empresa municipal de água Agere, alegando o prejuízo daí resultante para munícipes e funcionários.
O vereador comunista Jorge Matos invocou para o seu voto os princípios do PCP, partido que está contra a privatização de serviços públicos, os quais, em sua opinião, encarecem e pioram com os privados.
«A lógica do sector privado é a do lucro e não se coaduna com a gestão do fornecimento de água e do saneamento aos cidadãos», disse, à Agência Lusa o vereador do PCP, tese subscrita também pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local.
A proposta, que pode conduzir a uma receita superior a 30 milhões de euros para o município, foi aprovada com os votos da maioria PS e da coligação PSD/CDS-PP.
Mesquita Machado, que no final da reunião do Executivo se escusou a adiantar qual o valor real da empresa de água e saneamento Agere - desde logo, «muito superior» aos 40 milhões do seu capital social -, tem vindo a negar que a privatização da Agere, a maior e a mais bem cotada das empresas municipais bracarenses, se prenda com dificuldades financeiras do Município, resultantes da construção do novo estádio municipal para o Euro/2004. Contudo, é esse precisamente o argumento usado pelo líder do PSD local para defender a privatização da empresa municipal: o de que a Câmara tem 100 milhões de euros de dívidas à banca, resultantes da obra do estádio, o que vai por em causa a realização de investimentos municipais nos próximos anos.