A luta não pára

Pedro Campos
Um mês depois da esmagadora derrota sofrida a 15 de Agosto – a oitava em série – a Coordenadora da oposição venezuelana (CD) ainda não admitiu a derrota. Grita fraude, mas é incapaz de apresentar uma só prova minimamente credível, ainda que o prometesse para 24 horas após o referendo. A CD sabe que mente – não tem feito outra coisa desde o começo – e é incapaz de admitir o que já admitiu o mundo inteiro, incluindo a Organização dos Estados Americanos e o Centro Carter, os únicos árbitros que afirmou reconhecer… antes de conhecidos os resultados. Neste momento, já são vários os políticos oposicionistas que reconhecem a vitória bolivariana. A que foi a mais importante associação patronal – Fedecamaras – começa a estalar porque muitos empresários se demarcam dos sectores mais agressivos. O presidente de Gente do Petróleo, responsável pela paralisação e sabotagem da indústria, renuncia num dia e no outro diz que não, que só pôs o lugar à disposição! A CD afoga-se na sua estupidez…
A vitória popular sobre a oposição golpista foi anunciada por várias sondagens, algumas delas de empresas ligadas à oposição. Para explicar essas projecções, a CD disse que havia um «voto oculto», e que «muita gente» tinha medo de dizer que votaria contra Chávez. O tal «voto oculto» não apareceu em lado nenhum e a fraude também não. Depois de dizer que a fraude seria facilmente detectada, que um satélite russo tinha alterado os resultados, que as computadoras estavam programadas para transformar o «sim» em «não» (mesmo que os talões individuais mostrassem correctamente a escolha do votante), que as máquinas tinham sido manipuladas para, a partir de certo momento, transformarem o «sim» em «não», agora, depois de vários especialistas nacionais e estrangeiros confirmarem que não houve fraude, chegam à «brilhante» conclusão de que os bolivarianos – essa corja pé descalça, feia, suja, desdentada, negra e ignorante – fez uma fraude electrónica indetectável! Do «voto oculto» passaram à «fraude oculta»…

Novas eleições à portas

O mandato das autoridades regionais – 23 governadores, 337 alcaides e 250 deputados –venceu há vários meses e dentro de poucas semanas haverá eleições para as renovar. A data marcada pelas autoridades é 31 de Outubro. A oposição acha que a data «é um sinal positivo», mas os bolivarianos objectam-na. Porquê? Estas eleições estavam originalmente fixadas para 1 de Agosto, depois saltaram para 19, logo para 26 de
Setembro e agora foram atiradas para 31 de Outubro – alegadamente por razões técnicas –numa série de mudanças que só favorece as forças da oposição, que, aturdidas pela derrota de 15 de Agosto, ainda estão a discutir se irão ou não às eleições. Como é óbvio, espera-se que participem os que têm alguma hipótese de sucesso; os que não a têm vão provavelmente refugiar-se na desculpa da «fraude» para evitar outra derrota.
Entretanto, os responsáveis pelas eleições pensam aumentar sensivelmente o número de mesas de votação, nomeadamente nas áreas populares, onde muitos milhares de pessoas ficaram sem votar no dia 15 de Agosto, mesmo depois de várias horas de fila. As forças bolivarianas já manifestaram ao poder eleitoral que a postergação das eleições não deve ir além do 15 de Outubro, e sublinharam também que os revogatórios dos deputados da oposição deviam ter sido antes do presidencial e ainda não têm data marcada.
Estas eleições serão a nona prova eleitoral para as forças que apoiam o presidente Hugo Chávez e tudo parece indicar que as mesmas sairão fortalecidas com a conquista de alguns estados – muito importantes – que estão nas mãos da oposição, e são usados como trampolim para as acções desestabilizadoras, quando não golpistas, dos sectores mais extremistas da reacção.
Uma nova vitória será isso: uma nova vitória, mas não a vitória final. Tal como afirmou Carter no dia 16 de Agosto, há certos quadrantes da oposição que só aceitam um resultado: a derrota de Chávez. Essa oposição não desiste da saída de Chávez, mesmo que seja pela forma mais violenta, incluindo uma invasão dos Estados Unidos. Este processo de inclusão das grandes maiorias tradicionalmente esquecidas contém elementos de luta de classe e como tal é alvo de uma luta encarniçada por parte da alta burguesia e de certos segmentos das classes médias envenenadas pelos meios de comunicação e facilmente permeáveis aos cantos da sereia fascista.


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