Sampaio promulga internato médico

A nova lei de internato médico que motivou a greve de dois dias convocada pela Federação Nacional dos Médicos, foi promulgada na passada quinta-feira pelo Presidente da República, Jorge Sampaio.
Em declarações à Lusa, o vice-presidente da federação, João Rodrigues, lamentou a decisão e considerou que «o PR prestou um mau trabalho ao País, após o Provedor de Justiça ter alertado publicamente para a inconstitucionalidade da nova legislação».
A Fename espera agora que o Tribunal Constitucional impeça a entrada em vigor do diploma.
O diploma prevê o alargamento dos horários semanais dos médicos em período de especialização para 42 horas semanais, mantendo o salário que corresponde a 35.
No mês passado, a federação tinha acusado a nova legislação de precarizar o trabalho médico e convocou a greve de dois dias, a 28 e 29 de Julho. A Fename criticou ainda a junção do internato geral com o complementar, reduzindo anos de formação.
Como o Avante! noticiou na semana passada, os médicos concentraram-se frente ao Ministério da tutela no dia 28, e desenvolveram várias acções para sensibilizar a população.

Grande adesão

Nos hospitais dos Capuchos, São José e Desterro, em Lisboa, os médicos cumpriram cinco dias de greve para exigir o pagamento igual de horas extras realizadas em urgência. De acordo com o Sindicato dos Médicos da Zona Sul afecto à Fename, a greve registou uma grande adesão, principalmente da parte dos médicos em regime de 35 horas semanais de trabalho.
Foi a terceira greve pelo mesmo motivo, no Centro Hospitalar de Lisboa, desde Junho.
O sindicato já anunciou ir endurecer as formas de luta em Outubro, recusando fazer mais de 12 horas semanais de urgência.

Bactéria mata três

No Hospital de Santo Tirso, o Sindicato da Função Pública do Norte revelou não existir uma comissão de higiene, saúde e segurança composta por representantes dos trabalhadores para prevenir surtos, «como o que matou três doentes» na semana passada.
A dirigente sindical, Helena Pardo, afirmou à Lusa que a comissão de prevenção de infecções existente é apenas composta por elementos nomeados pela administração, e criticou «a política de secretismo» administrativa, desde o aparecimento do surto que já infectou sete trabalhadores.
Denunciou ainda os problemas sanitários naquela unidade: desde que avariou a máquina de lavar louça, esta passou a ser lavada à mão, ficando por esterilizar.
Embora não considere haver qualquer relação causa-efeito entre esta falha e as mortes ocorridas, Helena Pardo disse que a situação demonstram o grau de empenho do hospital em prevenir estas situações.
Cinco idosos estão também infectados com patologias classificadas de «muito graves».


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