Destruir o mundo para voltar a construí-lo
O primeiro contrato do pós-guerra do Iraque entregue pelo governo americano em relação com a chamada reconstrução daquele país foi para o maior gigante da construção civil, a Bechtel, de São Francisco. Este contrato, no valor de 22 000 milhões de dólares, prevê a reconstrução de aeroportos, do sistema de fornecimento de energia eléctrica, de estradas e caminhos de ferro. A Bechtel Corporation recebeu a preferência da «US Agency for International Development» numa rápida decisão que eliminou outras companhias (todas americanas). Estas, entretanto, serão compensadas com futuras adjudicações.
A Bechtel já anunciou que grande parte do trabalho no Iraque será confiado a sub-contratadores de diversas nacionalidades, principalmente companhias britânicas. Os custos iniciais e os adiantamentos que a enorme empresa não deixará de pedir ao governo americano sairão do bolso dos contribuintes, mas o principal desejo da administração Bush nunca constituiu qualquer segredo – o Iraque pagará a conta total (fora as despesas ...) com fornecimentos de petróleo. Daniel Bryan, membro da Comissão que regula e fiscaliza os gastos governamentais, disse: «Estamos perante um projecto único. Nunca, até agora, se viu uma companhia americana ser encarregada da reconstrução de todo um país». Observadores avisados garantem que os 22 mil milhões não representam mais do que uma pequena fracção de uma factura cujo fim nunca se atingirá. O Iraque, como se sabe, caiu nas mãos de «gangsters».
A economia dos Estados Unidos tem estado em recessão desde há dois anos. Mas o termo recessão parece-nos excessivamente técnico. A verdade é que existe um clima de rotura nos Estados Unidos que leva as pessoas a pressentirem uma catástrofe sem conhecerem, contudo, a sua origem, o seu grau de intensidade, o seu fim eventual. A catástrofe resulta de diversas crises estruturais que se têm afirmado e consolidado desde há tempos. Na iminência de uma situação intratável, o presidente do Federal Board, Alan Greenspan, que anda há 15 anos a procurar salvar o sistema, resolveu afastar-se indicando motivos de saúde que o presidente, George W.Bush, rejeitou. Greenspan não tem conseguido organizar apoios credíveis e sólidos para o plano do presidente de cortar os impostos dos mais ricos em mais726 mil milhões de dólares. Surpreendentemente, os próprios milionários já começam a manifestar repulsa perante um projecto de lei tão injusto como escandaloso.
Warren Buffet, o segundo homem mais rico do mundo conhecido como «O Oráculo de Omaha», disse a este respeito, há dias, ainda: «Não posso apoiar os planos do presidente. Cheira-me a uma grande injustiça. Os principais beneficiários seriam pessoas como eu». E acrescentou: «Se o plano de Bush para reduzir os impostos aos mais poderosos fosse para a frente, tanto eu como o meu sócio, Charlie Munger, passaríamos a pagar menos impostos ao Estado do que qualquer trabalhador em qualquer fábrica ou empresa que possuímos».
Só existe uma saída
- a guerra contra o mundo inteiro !
A crise económica dos Estados Unidos que a administração está a procurar resolver com medidas bélicas, caracteriza-se, principalmente, por uma jamais vista falta de confiança dos investidores a que se junta, agora, a dos consumidores. Grandes empresas nos principais sectores não conseguem encomendas que lhes garantam os necessários lucros. A própria Bechtel, cujo gigantismo obriga a um volume de negócios constante em grandes proporções, exigiu ao governo o contrato iraquiano. As companhias de aviação não têm passageiros e manobram à beira da falência. As compras de novos automóveis acham-se em perigoso declínio. As cidades de São Francisco e de Nova Iorque estão falidas. Não podem, por isso, adjudicar contratos ou encomendas. O lançamento de papel accionista na Bolsa por parte de novas empresas ou outras, está prejudicado, antecipadamente, porque ninguém subscreve. Os Bancos encontram-se sob rígida fiscalização e considerável descrédito por terem, durante anos, persuadido investidores a apoiarem com o seu capital clientes desses mesmos Bancos, mas falidos. As perdas na Bolsa em Wall Street, atingiram triliões de dólares. Grandes companhias que pareciam respeitáveis vivem num oceano de números viciados. Falsificam a escrita e declaram lucros que nunca existiram. Há «sangue» nas ruas. Inquietação nos espíritos. O desemprego não cessa de aumentar. Trinta milhões de pobres. Dezenas de milhões de cidadãos sem protecção de serviços de saúde. Pequenas e grandes fábricas em ruínas. A única esperança é a guerra. A destruição do mundo, para voltar a construí-lo. Os «gangsters» de Washington estão a empurrar o povo americano (e não só !) para um precipício.
Conheça a Bechtel
Fundada em 1898 por Warren A. Bechtel conta com um efectivo, actualmente, de 47 000 empregados que, em conjugação com clientes, associados e fornecedores, asseguram o trabalho em 900 projectos, simultaneamente, não só nos Estados Unidos como em muitos outros países. Este imenso conglomerado tem sido dirigido por quatro gerações sucessivas de membros da família Bechtel. Em 1906, construía as linhas de caminhos de ferro que alteraram a economia e a vida nos Estados que se situam na orla do Pacífico. Dedicou-se, igualmente, à construção de estradas, barragens, túneis, pontes. Em 1931, a Bechtel foi uma das seis grandes companhias envolvidas na construção da barragem Hoover. Foi Steve Bechtel, filho de Warren, quem deu à companhia uma postura internacional que não possuía. Com ele na presidência, a Bechtel construiu o sistema de oleodutos conhecido como «Trans-Arabian». O prestígio da companhia expandiu-se, mais ainda, com a construção da famosa central nuclear no Illinois.
Mega-projectos
Seria Steve Bechtel Junior, após a retirada do acima referido Steve Bechtel, o homem que lançaria, a partir de 1960, a era dos mega-projectos. A companhia, assim, começou a construir refinarias chamando a si, também, outras grandes obras nos sectores da energia e dos minérios. Mas deram-lhe mais fama, ainda, a construção da chamada Cidade Industrial, na Arábia Saudita, do sistema hidro-eléctrico de James Bay, no Quebec, do sistema de controlo de trânsito em todo o Estado da California, do Túnel sob o Canal da Mancha, do Complexo No. 3 do sistema de lançamentos espaciais, também na Califórnia, do oleoduto Baku-Tiflis-Ceyhan que liga o Mar Cáspio ao Mediterrâneo (1.765 Kms. de «pipeline»). O actual chefe da gigantesca empresa chama-se Riley P. Bechtel.
Num relatório preparado para os accionistas, os principais responsáveis da Bechtel, Riley P. Bechtel, presidente e chefe-executivo, Paul Unruh, vice-presidente, e Adrian Zaccaria, também vice-presidente, declararam que o ano de 2001 tinha sido de reorganização da companhia em unidades globais separadas. Nesse ano, o valor das novas encomendas ascendeu a 9.3 mil milhões de dólares. Mas afirmaram: «Uma nítida desaceleração verificada na economia de alguns mercados, o enfraquecimento da América Latina e da Ásia e inesperadas demoras na assinatura de certos contratos que tínhamos como certos, tudo combinado leva-nos a pensar que o nível dos novos negócios desceu, muito relativamente a anos anteriores».
Estrutura de direcção
A Bechtel é comandada por uma complexa rede de organismos de direcção.
Assim, para além do presidente e dos vice-presidentes já mencionados acima, contam-se mais cinco presidentes departamentais ou de firmas subsidiárias no sector de «Engenharia Civil, Construção e Negócios»; três presidentes à frente dos «Sistemas Bechtel de Infrastruturas»; três presidentes no departamento conhecido como «Regional»; um único presidente (Tim Statton) no departamento de «Projectos financeiros, de desenvolvimento e propriedade» que opera sob uma firma separada conhecida como «Bechtel Enterprises Holdings, Inc.». Em diversos outros departamentos ou grupos de departamentos, funcionam outros 13 altos dirigentes. O director de Finanças, chama-se Georganne Proctor. O director do Pessoal, Jim Illich. A direcção propriamente dita, ao mais alto nível, compõe-se de 17 pessoas.
Uma delas, em representação da «Hoover Institution» é o ainda não esquecido secretário de Estado do governo americano nos dias da presidência de Ronald Reagan, George Shultz. Esta importante personalidade, já fora do seu tempo, apenas desempenha funções honoríficas, como se compreende. Mas foi da Bechtel que saiu para comandar a política externa dos Estados Unidos. Naturalmente, de política externa não sabia ele coisa alguma. Havendo já nessa altura conflitos diplomáticos com o Iraque e o Irão e uma fratricida guerra entre os dois países, o secretário de Estado parecia desconhecer a existência de ambos e dizia-se, até, que não sabia identificá-los nos mapas.
Hoje, porém, todos conhecem a localização do Iraque, principalmente, porque é lá que se projecta ir buscar a riqueza que poderá, eventualmente, arrancar os principais gigantes do sistema de negócios «à americana» da perplexidade a que a estagnação os conduziu. Mas a guerra, dizem-nos, ainda não começou.
E os volumes de novos negócios que são o pão com manteiga das grandes companhias, continuam a desapontar.
A economia dos Estados Unidos tem estado em recessão desde há dois anos. Mas o termo recessão parece-nos excessivamente técnico. A verdade é que existe um clima de rotura nos Estados Unidos que leva as pessoas a pressentirem uma catástrofe sem conhecerem, contudo, a sua origem, o seu grau de intensidade, o seu fim eventual. A catástrofe resulta de diversas crises estruturais que se têm afirmado e consolidado desde há tempos. Na iminência de uma situação intratável, o presidente do Federal Board, Alan Greenspan, que anda há 15 anos a procurar salvar o sistema, resolveu afastar-se indicando motivos de saúde que o presidente, George W.Bush, rejeitou. Greenspan não tem conseguido organizar apoios credíveis e sólidos para o plano do presidente de cortar os impostos dos mais ricos em mais726 mil milhões de dólares. Surpreendentemente, os próprios milionários já começam a manifestar repulsa perante um projecto de lei tão injusto como escandaloso.
Warren Buffet, o segundo homem mais rico do mundo conhecido como «O Oráculo de Omaha», disse a este respeito, há dias, ainda: «Não posso apoiar os planos do presidente. Cheira-me a uma grande injustiça. Os principais beneficiários seriam pessoas como eu». E acrescentou: «Se o plano de Bush para reduzir os impostos aos mais poderosos fosse para a frente, tanto eu como o meu sócio, Charlie Munger, passaríamos a pagar menos impostos ao Estado do que qualquer trabalhador em qualquer fábrica ou empresa que possuímos».
Só existe uma saída
- a guerra contra o mundo inteiro !
A crise económica dos Estados Unidos que a administração está a procurar resolver com medidas bélicas, caracteriza-se, principalmente, por uma jamais vista falta de confiança dos investidores a que se junta, agora, a dos consumidores. Grandes empresas nos principais sectores não conseguem encomendas que lhes garantam os necessários lucros. A própria Bechtel, cujo gigantismo obriga a um volume de negócios constante em grandes proporções, exigiu ao governo o contrato iraquiano. As companhias de aviação não têm passageiros e manobram à beira da falência. As compras de novos automóveis acham-se em perigoso declínio. As cidades de São Francisco e de Nova Iorque estão falidas. Não podem, por isso, adjudicar contratos ou encomendas. O lançamento de papel accionista na Bolsa por parte de novas empresas ou outras, está prejudicado, antecipadamente, porque ninguém subscreve. Os Bancos encontram-se sob rígida fiscalização e considerável descrédito por terem, durante anos, persuadido investidores a apoiarem com o seu capital clientes desses mesmos Bancos, mas falidos. As perdas na Bolsa em Wall Street, atingiram triliões de dólares. Grandes companhias que pareciam respeitáveis vivem num oceano de números viciados. Falsificam a escrita e declaram lucros que nunca existiram. Há «sangue» nas ruas. Inquietação nos espíritos. O desemprego não cessa de aumentar. Trinta milhões de pobres. Dezenas de milhões de cidadãos sem protecção de serviços de saúde. Pequenas e grandes fábricas em ruínas. A única esperança é a guerra. A destruição do mundo, para voltar a construí-lo. Os «gangsters» de Washington estão a empurrar o povo americano (e não só !) para um precipício.
Conheça a Bechtel
Fundada em 1898 por Warren A. Bechtel conta com um efectivo, actualmente, de 47 000 empregados que, em conjugação com clientes, associados e fornecedores, asseguram o trabalho em 900 projectos, simultaneamente, não só nos Estados Unidos como em muitos outros países. Este imenso conglomerado tem sido dirigido por quatro gerações sucessivas de membros da família Bechtel. Em 1906, construía as linhas de caminhos de ferro que alteraram a economia e a vida nos Estados que se situam na orla do Pacífico. Dedicou-se, igualmente, à construção de estradas, barragens, túneis, pontes. Em 1931, a Bechtel foi uma das seis grandes companhias envolvidas na construção da barragem Hoover. Foi Steve Bechtel, filho de Warren, quem deu à companhia uma postura internacional que não possuía. Com ele na presidência, a Bechtel construiu o sistema de oleodutos conhecido como «Trans-Arabian». O prestígio da companhia expandiu-se, mais ainda, com a construção da famosa central nuclear no Illinois.
Mega-projectos
Seria Steve Bechtel Junior, após a retirada do acima referido Steve Bechtel, o homem que lançaria, a partir de 1960, a era dos mega-projectos. A companhia, assim, começou a construir refinarias chamando a si, também, outras grandes obras nos sectores da energia e dos minérios. Mas deram-lhe mais fama, ainda, a construção da chamada Cidade Industrial, na Arábia Saudita, do sistema hidro-eléctrico de James Bay, no Quebec, do sistema de controlo de trânsito em todo o Estado da California, do Túnel sob o Canal da Mancha, do Complexo No. 3 do sistema de lançamentos espaciais, também na Califórnia, do oleoduto Baku-Tiflis-Ceyhan que liga o Mar Cáspio ao Mediterrâneo (1.765 Kms. de «pipeline»). O actual chefe da gigantesca empresa chama-se Riley P. Bechtel.
Num relatório preparado para os accionistas, os principais responsáveis da Bechtel, Riley P. Bechtel, presidente e chefe-executivo, Paul Unruh, vice-presidente, e Adrian Zaccaria, também vice-presidente, declararam que o ano de 2001 tinha sido de reorganização da companhia em unidades globais separadas. Nesse ano, o valor das novas encomendas ascendeu a 9.3 mil milhões de dólares. Mas afirmaram: «Uma nítida desaceleração verificada na economia de alguns mercados, o enfraquecimento da América Latina e da Ásia e inesperadas demoras na assinatura de certos contratos que tínhamos como certos, tudo combinado leva-nos a pensar que o nível dos novos negócios desceu, muito relativamente a anos anteriores».
Estrutura de direcção
A Bechtel é comandada por uma complexa rede de organismos de direcção.
Assim, para além do presidente e dos vice-presidentes já mencionados acima, contam-se mais cinco presidentes departamentais ou de firmas subsidiárias no sector de «Engenharia Civil, Construção e Negócios»; três presidentes à frente dos «Sistemas Bechtel de Infrastruturas»; três presidentes no departamento conhecido como «Regional»; um único presidente (Tim Statton) no departamento de «Projectos financeiros, de desenvolvimento e propriedade» que opera sob uma firma separada conhecida como «Bechtel Enterprises Holdings, Inc.». Em diversos outros departamentos ou grupos de departamentos, funcionam outros 13 altos dirigentes. O director de Finanças, chama-se Georganne Proctor. O director do Pessoal, Jim Illich. A direcção propriamente dita, ao mais alto nível, compõe-se de 17 pessoas.
Uma delas, em representação da «Hoover Institution» é o ainda não esquecido secretário de Estado do governo americano nos dias da presidência de Ronald Reagan, George Shultz. Esta importante personalidade, já fora do seu tempo, apenas desempenha funções honoríficas, como se compreende. Mas foi da Bechtel que saiu para comandar a política externa dos Estados Unidos. Naturalmente, de política externa não sabia ele coisa alguma. Havendo já nessa altura conflitos diplomáticos com o Iraque e o Irão e uma fratricida guerra entre os dois países, o secretário de Estado parecia desconhecer a existência de ambos e dizia-se, até, que não sabia identificá-los nos mapas.
Hoje, porém, todos conhecem a localização do Iraque, principalmente, porque é lá que se projecta ir buscar a riqueza que poderá, eventualmente, arrancar os principais gigantes do sistema de negócios «à americana» da perplexidade a que a estagnação os conduziu. Mas a guerra, dizem-nos, ainda não começou.
E os volumes de novos negócios que são o pão com manteiga das grandes companhias, continuam a desapontar.