Os trabalhadores querem ser ouvidos
«Está na hora de o Governo se ir embora» e «A luta continua, Governo para a rua» foram as exigências ouvidas nas concentrações de anteontem promovidas pela CGTP-IN nas principais capitais de distrito.
«Por uma nova política e um novo Governo»
Em menos de uma semana, desde o plenário nacional da CGTP de 30 de Junho que decidiu marcar concentrações para exigir eleições antecipadas, os 450 dirigentes e delegados sindicais não perderam tempo para apelar à participação dos trabalhadores que consideram – como referiam vários cartazes empunhados na concentração de Lisboa – que o País precisa de uma «Nova política e um novo Governo».
As iniciativas contaram com a participação do PCP que marcou forte presença particularmente em Lisboa, através do Secretário-Geral, Carlos Carvalhas e de muitos membros da direcção do Partido. Além do PCP, também «Os Verdes» e outras organizações sociais e políticas aderiram às concentrações.
A JCP não faltou à chamada, escolhendo como palavra de ordem a elucidativa frase, «Rua com eles!».
No Porto, centenas de manifestantes concentraram-se na Praça da Liberdade, onde o dirigente da União dos Sindicatos do distrito, João Torres, salientou a responsabilidade de Durão Barroso pela actual crise política, motivo pelo qual considerou que a única solução a tomar por Jorge Sampaio é deixar o povo decidir.
Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Viana do Castelo, Viseu e nos Açores – neste caso através da distribuição de documentos – foram também palco de concentrações de trabalhadores a exigirem ser ouvidos de forma a poder participar da decisão sobre o futuro de Portugal, após a mal disfarçada fuga de Durão Barroso para a Comissão Europeia.
Milhares no Rossio
Mais de dois mil manifestantes convocados pelas Uniões dos Sindicatos de Lisboa, Setúbal, Algarve, Évora, Beja, Portalegre e Santarém convergiram para a Praça do Rossio, empunhando dezenas de cartazes onde se exigia eleições antecipadas que «os trabalhadores merecem e o País precisa», por «uma nova política e um novo Governo».
Antes da intervenção do secretário-geral da central, Manuel Carvalho da Silva, os manifestantes gritaram em uníssono que «as eleições em Portugal são um imperativo nacional».
O dirigente da CGTP considerou que esta concentração foi de máxima importância «para dar a conhecer ao País o que pensa uma parte significativa da sociedade que são os trabalhadores portugueses, provenientes de ramos que vão desde o trabalho qualificado ao trabalho intelectual».
Além de considerar que as eleições antecipadas são um imperativo nacional, Carvalho da Silva fez notar a importância da necessidade de se criar um quadro político que propicie o desenvolvimento, a justiça social e a solidariedade.
Que estabilidade?
«Os objectivos de estabilidade não são possíveis de alcançar com um Governo que provém de uma coligação derrotada que pretende continuar a mesma política com mais ou menos populismo», afirmou Carvalho da Silva.
A Central considera que «a estabilidade reclamada por grandes capitalistas e por alguns senhores instalados no poder a gerir sacos azuis nada tem a ver com a verdadeira estabilidade que os portugueses precisam. Para esses senhores, estabilidade significa manutenção do poder e a continuação e o aprofundamento das políticas seguidas como instrumentos para o seu imediato enriquecimento», acrescentou.
Para a Inter, a estabilidade pretendida é outra: «é a que pode propiciar às portuguesas e portugueses viver com mais alegria e capacidade para criarem um País novo», salientou.
Fugir ao desastre económico
A exigência expressa terça-feira passada nas ruas deve-se também à «política económica desastrosa que tem imposto sacrifícios aos trabalhadores, sem qualquer reflexo positivo em termos de desenvolvimento», justificou o mesmo dirigente.
Por outro lado, a CGTP reclama eleições antecipadas «porque o abandono de Durão Barroso da chefia do Governo é indissociável da derrota política sofrida no dia 13 de Junho, num claro e inequívoco sinal de rejeição da actual coligação e das políticas desastrosas que têm sido seguidas».
Após ter deixado o País numa situação «dificílima», «Durão Barroso aproveita esta oportunidade de ir para a Comissão Europeia para fugir às suas responsabilidades», disse Carvalho da Silva
lembrando ainda que a crise política gerada pelo Governo «não é uma abstracção, um golpe de Estado, nem uma manobra da oposição, mas é um facto da exclusiva responsabilidade de Durão Barroso e do PSD».
Durão e as miragens
Foi ainda recordado que, em campanha eleitoral, Durão Barroso assumiu o compromisso dos portugueses para uma legislatura em nome do seu partido e de si próprio: «ainda recentemente reafirmava que o horizonte da sua governação era o ano 2010», denunciou Carvalho da Silva, fazendo notar a incongruência, comparando com o que profere hoje o ex-primeiro-ministro.
Foram também recordados os valores e as promessas assumidas «e que foram progressivamente subvertidas». Foi assim ao juntar-se ao PP, «quando antes tinha afirmado que não o faria».
O mesmo primeiro-ministro também afirmou que «com ele, Portugal seria, em cinco anos, um dos dez melhores países da União Europeia e um dos dez mais atractivos para o capital estrangeiro», acusou o dirigente da Inter ao fazer notar que «hoje, tudo isto é uma absoluta miragem».
Jogos palacianos
A concentração serviu ainda para lembrar o comportamento de Durão, aquando da demissão de António Guterres por este ter abandonado o Governo. «Agora, Durão que agravou os problemas, em vez de entregar o veredicto ao povo, prefere antes, através de jogos palacianos, instalar os seus amigos no poder», acusou Carvalho da Silva.
Assim, «é por razões de ética, moral e justiça que a CGTP reclama por eleições antecipadas», até porque, para a central, as funestas consequências de dois anos de governação com políticas de direita tem contribuído para a forte redução da base social de apoio dos partidos da coligação do Governo.
Certo para quem trabalha é que a luta vai continuar até que a restante maioria governamental siga o exemplo de Durão ou a isso seja forçada.
A palavra ao povo
A realização das concentrações foi decidida e aprovada unanimemente por mais de 450 dirigentes sindicais de todo o País, no plenário nacional de sindicatos da CGTP-IN de 30 de Junho, no Hotel Altis, em Lisboa.
Numa das três resoluções aprovadas – e enviada aos órgãos de soberania - intitulada, «Eleições antecipadas são imperativo nacional», a Central apelou ao povo português, «no sentido de manifestar a sua total discordância relativamente à manutenção da coligação governamental PSD/PP, qualquer que seja o seu líder e afirmar a exigência de realização de eleições antecipadas».
Também a resolução político-sindical estava subordinada ao abandono do Primeiro Ministro, fortemente responsabilizado pela crise política que provocou.
No fim do plenário, o secretário-geral, Manuel Carvalho da Silva, salientou o balanço feito sobre a contratação colectiva (ver página seguinte). Ao recordar que o Código do Trabalho trouxe agravadas dificuldades ao desenvolvimento das negociações colectivas, salientou que o comportamento do patronato não se tem pautado da mesma forma nos vários sectores, destacando-se a direcção da CIP como a «parte patronal que mais procura destruir esta contratação».
Para a central, a nomeação de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia «não significa que vá defender os interesses dos portugueses, até porque o poder dos poderosos não pode ser posto em causa, nem as suas políticas neoliberais», salientou.
As iniciativas contaram com a participação do PCP que marcou forte presença particularmente em Lisboa, através do Secretário-Geral, Carlos Carvalhas e de muitos membros da direcção do Partido. Além do PCP, também «Os Verdes» e outras organizações sociais e políticas aderiram às concentrações.
A JCP não faltou à chamada, escolhendo como palavra de ordem a elucidativa frase, «Rua com eles!».
No Porto, centenas de manifestantes concentraram-se na Praça da Liberdade, onde o dirigente da União dos Sindicatos do distrito, João Torres, salientou a responsabilidade de Durão Barroso pela actual crise política, motivo pelo qual considerou que a única solução a tomar por Jorge Sampaio é deixar o povo decidir.
Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Viana do Castelo, Viseu e nos Açores – neste caso através da distribuição de documentos – foram também palco de concentrações de trabalhadores a exigirem ser ouvidos de forma a poder participar da decisão sobre o futuro de Portugal, após a mal disfarçada fuga de Durão Barroso para a Comissão Europeia.
Milhares no Rossio
Mais de dois mil manifestantes convocados pelas Uniões dos Sindicatos de Lisboa, Setúbal, Algarve, Évora, Beja, Portalegre e Santarém convergiram para a Praça do Rossio, empunhando dezenas de cartazes onde se exigia eleições antecipadas que «os trabalhadores merecem e o País precisa», por «uma nova política e um novo Governo».
Antes da intervenção do secretário-geral da central, Manuel Carvalho da Silva, os manifestantes gritaram em uníssono que «as eleições em Portugal são um imperativo nacional».
O dirigente da CGTP considerou que esta concentração foi de máxima importância «para dar a conhecer ao País o que pensa uma parte significativa da sociedade que são os trabalhadores portugueses, provenientes de ramos que vão desde o trabalho qualificado ao trabalho intelectual».
Além de considerar que as eleições antecipadas são um imperativo nacional, Carvalho da Silva fez notar a importância da necessidade de se criar um quadro político que propicie o desenvolvimento, a justiça social e a solidariedade.
Que estabilidade?
«Os objectivos de estabilidade não são possíveis de alcançar com um Governo que provém de uma coligação derrotada que pretende continuar a mesma política com mais ou menos populismo», afirmou Carvalho da Silva.
A Central considera que «a estabilidade reclamada por grandes capitalistas e por alguns senhores instalados no poder a gerir sacos azuis nada tem a ver com a verdadeira estabilidade que os portugueses precisam. Para esses senhores, estabilidade significa manutenção do poder e a continuação e o aprofundamento das políticas seguidas como instrumentos para o seu imediato enriquecimento», acrescentou.
Para a Inter, a estabilidade pretendida é outra: «é a que pode propiciar às portuguesas e portugueses viver com mais alegria e capacidade para criarem um País novo», salientou.
Fugir ao desastre económico
A exigência expressa terça-feira passada nas ruas deve-se também à «política económica desastrosa que tem imposto sacrifícios aos trabalhadores, sem qualquer reflexo positivo em termos de desenvolvimento», justificou o mesmo dirigente.
Por outro lado, a CGTP reclama eleições antecipadas «porque o abandono de Durão Barroso da chefia do Governo é indissociável da derrota política sofrida no dia 13 de Junho, num claro e inequívoco sinal de rejeição da actual coligação e das políticas desastrosas que têm sido seguidas».
Após ter deixado o País numa situação «dificílima», «Durão Barroso aproveita esta oportunidade de ir para a Comissão Europeia para fugir às suas responsabilidades», disse Carvalho da Silva
lembrando ainda que a crise política gerada pelo Governo «não é uma abstracção, um golpe de Estado, nem uma manobra da oposição, mas é um facto da exclusiva responsabilidade de Durão Barroso e do PSD».
Durão e as miragens
Foi ainda recordado que, em campanha eleitoral, Durão Barroso assumiu o compromisso dos portugueses para uma legislatura em nome do seu partido e de si próprio: «ainda recentemente reafirmava que o horizonte da sua governação era o ano 2010», denunciou Carvalho da Silva, fazendo notar a incongruência, comparando com o que profere hoje o ex-primeiro-ministro.
Foram também recordados os valores e as promessas assumidas «e que foram progressivamente subvertidas». Foi assim ao juntar-se ao PP, «quando antes tinha afirmado que não o faria».
O mesmo primeiro-ministro também afirmou que «com ele, Portugal seria, em cinco anos, um dos dez melhores países da União Europeia e um dos dez mais atractivos para o capital estrangeiro», acusou o dirigente da Inter ao fazer notar que «hoje, tudo isto é uma absoluta miragem».
Jogos palacianos
A concentração serviu ainda para lembrar o comportamento de Durão, aquando da demissão de António Guterres por este ter abandonado o Governo. «Agora, Durão que agravou os problemas, em vez de entregar o veredicto ao povo, prefere antes, através de jogos palacianos, instalar os seus amigos no poder», acusou Carvalho da Silva.
Assim, «é por razões de ética, moral e justiça que a CGTP reclama por eleições antecipadas», até porque, para a central, as funestas consequências de dois anos de governação com políticas de direita tem contribuído para a forte redução da base social de apoio dos partidos da coligação do Governo.
Certo para quem trabalha é que a luta vai continuar até que a restante maioria governamental siga o exemplo de Durão ou a isso seja forçada.
A palavra ao povo
A realização das concentrações foi decidida e aprovada unanimemente por mais de 450 dirigentes sindicais de todo o País, no plenário nacional de sindicatos da CGTP-IN de 30 de Junho, no Hotel Altis, em Lisboa.
Numa das três resoluções aprovadas – e enviada aos órgãos de soberania - intitulada, «Eleições antecipadas são imperativo nacional», a Central apelou ao povo português, «no sentido de manifestar a sua total discordância relativamente à manutenção da coligação governamental PSD/PP, qualquer que seja o seu líder e afirmar a exigência de realização de eleições antecipadas».
Também a resolução político-sindical estava subordinada ao abandono do Primeiro Ministro, fortemente responsabilizado pela crise política que provocou.
No fim do plenário, o secretário-geral, Manuel Carvalho da Silva, salientou o balanço feito sobre a contratação colectiva (ver página seguinte). Ao recordar que o Código do Trabalho trouxe agravadas dificuldades ao desenvolvimento das negociações colectivas, salientou que o comportamento do patronato não se tem pautado da mesma forma nos vários sectores, destacando-se a direcção da CIP como a «parte patronal que mais procura destruir esta contratação».
Para a central, a nomeação de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia «não significa que vá defender os interesses dos portugueses, até porque o poder dos poderosos não pode ser posto em causa, nem as suas políticas neoliberais», salientou.