MAIO, MADURO MAIO

«Transformar em votos, em Junho, a disponibilidade de luta de Maio»

Por todo o País, Maio veio para a rua. Em mais de seis dezenas de localidades – com particular destaque em Lisboa e no Porto – multidões compostas por milhares, por muitos milhares, de trabalhadores, conferiram às comemorações do Dia do Trabalhador promovidas pela CGTP-IN uma dimensão assinalável. Tratou-se de mais uma grande jornada de luta, de mais um dia maior da acção organizada dos trabalhadores, não só dando continuidade às lutas que, nos últimos tempos, em praticamente todos os sectores de actividade, têm vindo a ser desenvolvidas, mas também anunciando claramente o prosseguimento dessas lutas e a sua intensificação no futuro imediato. Tratou-se, igualmente, da afirmação inequívoca de que as lutas em curso, tendo como objectivo primeiro a defesa dos interesses e dos direitos dos trabalhadores são, por isso mesmo, contra a política de direita e por uma política de esquerda – contra a política de direita, responsável por todos os grandes e graves problemas que afectam a imensa maioria dos portugueses; por uma política de esquerda, que inicie a resolução dos problemas dos trabalhadores, do povo e do País. Daí a insistência com que os manifestantes gritaram palavras de ordem como «a luta continua, governo para a rua» e «está na hora de o governo se ir embora». De facto, das comemorações deste trigésimo aniversário do Primeiro 1º de Maio, emerge, para além de uma clara determinação e disponibilidade para a luta por parte da grande massa de trabalhadores, uma igualmente clara vontade de, face à constatação de que «este governo é um desastre e um perigo» exigir e conquistar «um novo governo e uma nova política».

«Pelo pão, pelo trabalho, pela paz»: foi outro dos lemas deste 1º de Maio. Lema oportuno e incisivo: com efeito, pão, trabalho e paz constituem, hoje, preocupações e objectivos de luta da imensa maioria dos portugueses e portuguesas.
Num país onde mais de dois milhões de pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza, metade das quais passando fome ou sofrendo de carências alimentares graves – quando se fala na luta pelo pão não se está a recorrer a uma metáfora, antes se fala da luta concreta contra a fome que atinge centenas de milhares de pessoas. Num país onde o custo de vida é dos mais elevados da Europa (e onde os bens essenciais não param de aumentar) e os salários dos trabalhadores são os mais baixos – a luta pelo pão diz respeito a um número muito elevado de pessoas e assume uma actualidade e uma urgência relevantes. E é indispensável ter presente que em Portugal, neste ano de 2004, trinta anos passados sobre a Revolução de Abril e ao fim de vinte e oito anos de política de direita, a luta pelo pão – contra a fome sofrida por centenas de milhares de portugueses e contra as carências alimentares de muitas outras centenas de milhares – constitui uma concreta realidade.
Da mesma forma, num país com cerca de 500 mil desempregados; com cerca de 1 milhão de trabalhadores com vínculos precários; com uma multidão de jovens à espera de um primeiro emprego que sabe-se lá quando virá; com uma legislação laboral crescentemente penalizadora de quem trabalha e vive do seu trabalho e cada vez mais favorável aos interesses do grande patronato; com condições de trabalho e salariais cada vez mais gravosas – a luta pelo direito ao trabalho e ao trabalho com direitos assume uma importância primordial.

São óbvias, igualmente, a actualidade e a pertinência da luta pela paz e contra a guerra, aliás devidamente sublinhadas pelos participantes nas comemorações deste 1º de Maio. E, também neste caso, era a política de direita que estava em causa – uma política que, conduzida pelo Governo Barroso/Portas, envolveu o País numa guerra criminosa, responsável pela morte de milhares de pessoas inocentes.
Com efeito, apoiando e integrando as forças de ocupação do Iraque, o Governo PSD/CDS-PP torna-se cúmplice, co-responsável, pela destruição, pelo horror, pela tortura, pela barbárie a que o terrorismo imperialista submete o Iraque.
Das grandiosas manifestações do 1º de Maio emerge, ainda, como dado fundamental, a necessidade imperiosa de dar continuidade eleitoral a esta impressionante jornada de luta, de transformar em votos, no dia 13 de Junho, a disponibilidade de luta evidenciada no dia 1º de Maio, votando e votando bem: reforçando a expressão eleitoral da CDU, coligação que integra as forças políticas – nomeadamente o PCP – que, em todos os momentos e em todas as situações não hesitam em ocupar o lugar que lhes compete na luta pela defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores, dos jovens, das mulheres, dos reformados e pensionistas, dos micro, pequenos e médios empresários, na luta contra a política de direita e por uma política de esquerda.
É fácil demonstrar a supremacia – em quantidade e em qualidade de trabalho produzido – dos deputados comunistas em relação a quaisquer outros deputados de quaisquer outros partidos nacionais. Mais difícil é ultrapassar o silenciamento dessa realidade – o que coloca aos activistas da CDU (militantes do PCP e do PEV e activistas da ID e de outras áreas de independentes) a exigência de um esforço acrescido de intervenção eleitoral, procurando levar o mais longe possível a demonstração não apenas dessa realidade mas igualmente de que o reforço eleitoral da CDU é condição maior para o êxito das lutas de todos os dias pelo pão, pelo trabalho, pela paz.