Governo lança armadilha aos estudantes
O Governo anunciou uma reforma para o ensino superior, incluindo o aumento das propinas para um máximo de 770 euros anuais. Estudantes e reitores contestam.
As novas medidas prejudicam em especial os trabalhadores-estudantes
Hoje realiza-se um Encontro Nacional das Dirigentes Associativos (ENDA), em Évora. Um dos temas centrais será o anunciado aumento das propinas, mas a questão está já em debate em diversas associações académicas. E muitas já se manifestaram contra.
A Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) foi uma delas, tendo inclusivamente anunciado que irá mobilizar os estudantes e os encarregados de educação do ensino secundário para a contestação ao pacote legislativo do Governo.
«O facto da propina só entrar em vigor para os novos alunos do superior é uma cartada muito bem lançada pela tutela. No entanto, esquecem-se que os estudantes do ensino superior sempre lutaram por causas justas e não é por não serem atingidos desde já que não se manifestarão contra», afirmou José Ricardo, da direcção da AAUAv, à agência Lusa. O Ministério da Ciência e do Ensino Superior pretende introduzir a nova propina de forma progressiva, afectando inicialmente os actuais alunos do 12.º ano.
«Independentemente das medidas no plural e no colectivo que certamente serão tomadas dia 30, no Encontro Nacional das Dirigentes Associativos, reafirmamos desde já a nossa oposição às medidas anunciadas pelo ministro Pedro Lynce», adiantou o dirigente associativo.
A Associação Académica de Aveiro contesta a perda de influência dos alunos nos órgãos de gestão das instituições, considerando-a «mais uma forma de descredibilização dos estudantes e de a tutela ceder a lobbies, passando todo o poder para os professores doutorados».
Por outro lado, os estudantes criticam a fixação de um prazo para que os universitários concluam os seus cursos e a introdução de uma taxa para alunos que reprovem a metade das cadeiras em que se inscreveram. Nas palavras de José Ricardo, essas medidas «prejudicam sobretudo os estudantes-trabalhadores, que vão fazendo os seus cursos aos poucos».
Sub-financiamento do superior
Também a Associação Académica da Universidade do Algarve (AAUALG) critica as propostas apresentadas por Pedro Lynce. André Dias, presidente da academia, considera que o eventual aumento das propinas até aos 770 euros «transformará as universidades públicas em universidades semi-privadas».
Em conferência de imprensa, André Dias criticou o sub-financiamento do ensino superior, referindo que o aumento das propinas «é injusto, sobretudo para os estudantes mais desfavorecidos».
«As compensações para esses estudantes são manifestamente insuficientes e, se a reforma for para a frente, a pessoa deslocada vai pensar duas vezes antes de fazer a sua inscrição na universidade», afirmou o dirigente associativo, contestando igualmente a «perde de poder» dos estudantes nos órgãos de gestão das escolas.
A Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) foi uma delas, tendo inclusivamente anunciado que irá mobilizar os estudantes e os encarregados de educação do ensino secundário para a contestação ao pacote legislativo do Governo.
«O facto da propina só entrar em vigor para os novos alunos do superior é uma cartada muito bem lançada pela tutela. No entanto, esquecem-se que os estudantes do ensino superior sempre lutaram por causas justas e não é por não serem atingidos desde já que não se manifestarão contra», afirmou José Ricardo, da direcção da AAUAv, à agência Lusa. O Ministério da Ciência e do Ensino Superior pretende introduzir a nova propina de forma progressiva, afectando inicialmente os actuais alunos do 12.º ano.
«Independentemente das medidas no plural e no colectivo que certamente serão tomadas dia 30, no Encontro Nacional das Dirigentes Associativos, reafirmamos desde já a nossa oposição às medidas anunciadas pelo ministro Pedro Lynce», adiantou o dirigente associativo.
A Associação Académica de Aveiro contesta a perda de influência dos alunos nos órgãos de gestão das instituições, considerando-a «mais uma forma de descredibilização dos estudantes e de a tutela ceder a lobbies, passando todo o poder para os professores doutorados».
Por outro lado, os estudantes criticam a fixação de um prazo para que os universitários concluam os seus cursos e a introdução de uma taxa para alunos que reprovem a metade das cadeiras em que se inscreveram. Nas palavras de José Ricardo, essas medidas «prejudicam sobretudo os estudantes-trabalhadores, que vão fazendo os seus cursos aos poucos».
Sub-financiamento do superior
Também a Associação Académica da Universidade do Algarve (AAUALG) critica as propostas apresentadas por Pedro Lynce. André Dias, presidente da academia, considera que o eventual aumento das propinas até aos 770 euros «transformará as universidades públicas em universidades semi-privadas».
Em conferência de imprensa, André Dias criticou o sub-financiamento do ensino superior, referindo que o aumento das propinas «é injusto, sobretudo para os estudantes mais desfavorecidos».
«As compensações para esses estudantes são manifestamente insuficientes e, se a reforma for para a frente, a pessoa deslocada vai pensar duas vezes antes de fazer a sua inscrição na universidade», afirmou o dirigente associativo, contestando igualmente a «perde de poder» dos estudantes nos órgãos de gestão das escolas.