«Nunca renunciaremos à nossa soberania»
No dia do 27.º aniversário do atentado à Embaixada de Cuba em Portugal, no qual morreram dois cidadãos cubanos, o embaixador Reinaldo Calviac lembrou que o seu país é vítima, há mais de quarenta anos, do terrorismo apoiado pelos Estados Unidos, que já ceifou mais de três mil vidas. E apelou à solidariedade.
Depois de se referir ao atentado à bomba perpetrado, no dia 22 de Abril de 1976, na Embaixada de Cuba em Lisboa, que provocou a morte de Adriana Corcho Callejas e Efrén Monteagudo Rodríguez, funcionários daquela representação diplomática, Reinaldo Calviac lembrou:
«Estamos agora a viver momentos dramáticos e de perigo extremo para a Humanidade. A guerra de conquista desencadeada contra o povo do Iraque, com absoluto desprezo pela opinião pública mundial e pela comunidade das nações, constitui a ruptura, por parte dos EUA, com as regras do convívio entre os povos, com a Carta das Nações Unidas e com os princípios, irrevogáveis, de soberania e autodeterminação, com intuitos similares aos que guiaram a Alemanha nazi quando abandonou a Liga das Nações.
«A agressão contra o Iraque – primeiro episódio da proclamada teoria fascista da guerra preventiva e da guerra-relâmpago – articula-se com o poderoso sistema à Goebbels de propaganda e desinformação.
«A Revolução Cubana, que os Estados Unidos procuram derrubar já desde há 44 anos, por meio de todo o tipo de agressões e sem lograr alcançar os seus objectivos, vive agora momentos particularmente perigosos.
«Com a subida ao poder da actual Administração norte-americana, comprometida com os grupos de extrema-direita da comunidade cubana radicada em Miami, que apoiaram a campanha de Bush e desempenharam um papel-chave na sua eleição – em virtude da qual mais de uma vintena de representantes dessas organizações terroristas ocuparam importantes lugares no governo dos EUA – tem recrudescido a hostilidade para com Cuba.
«Nesse contexto se inserem as provocatórias e desafiadoras actividades conspiratórias do Chefe e dos funcionários da Secção de Interesses dos Estados Unidos em Havana, que, em flagrante violação de todas as normas diplomáticas, com inaceitável ingerência nos assuntos internos e ao arrepio das leis do nosso país, se têm dedicado a organizar, financiar e proteger um grupo de mercenários cubanos.
«Disfarçam-se eles de dissidentes e de jornalistas independentes, para actuarem como uma quinta coluna num pressuposto cenário de derrota da Revolução, objectivo para o qual os Estados Unidos gastaram, desde 1997, mais de vinte milhões de dólares. Depois de ter actuado com tolerância durante muito tempo, perante a decisão dos Estados Unidos de converterem a sua representação em Havana em quartel-general da subversão contra o nosso país – com o que se inculcava a ideia, entre esses mercenários, de que poderiam actuar impunemente, sob a protecção de uma nação poderosa –, não restou a Cuba outra alternativa que não fosse a aplicação das suas próprias leis.
«Por outro lado, os EUA, que, como estipulam os acordos migratórios entre ambas as nações, deve outorgar um número não inferior a 20 mil vistos anuais aos cubanos que queiram emigrar para esse país ou nele visitar as suas famílias, desde Outubro do ano passado só concederam 505. É para nós evidente que se pretende provocar desespero nos que desejam emigrar, deixando-os sem mais possibilidades que os procedimentos ilegais, inclusivamente mediante o sequestro de aviões e de barcos, mandando assim às urtigas os referidos acordos migratórios.
Não dar crédito à desinformação
«Nos últimos sete meses ocorreram sete sequestros, com utilização de armas de fogo, granadas e armas brancas, pondo em risco as vidas dos passageiros. Muitos dos sequestradores são libertados quando chegam aos Estados Unidos e as naves cubanas arbitrariamente apresadas. O último acontecimento desta índole foi o sequestro do barco Baragua, que realiza trajectos na Baía de Havana. Essa embarcação foi sequestrada por um grupo de delinquentes com péssimos antecedentes penais, tendo a três deles sido aplicada a pena de morte, pelo perigo que dessa acção resultou para as vidas dos 36 passageiros, entre os que se contavam várias mães com os seus filhos, pelo tratamento brutal que deram aos sequestrados – ameaçados de morte à arma branca e de fogo – e pelos riscos para a segurança nacional.
«Como seria de esperar, os Estados Unidos – com os recursos de que dispõem e com os dos seus aliados – desencadearam uma feroz campanha de mentiras e de deturpação dos factos, pretendendo criar na opinião pública uma imagem maligna de Cuba, com a intenção de desmobilizar os movimentos de solidariedade com o nosso país e de justificar acções ainda mais agressivas. Com esse empenhamento obteve êxito, e o que mais dói é que pessoas lúcidas e ligadas à Revolução cubana durante muitos anos, tenham dado mais crédito à desinformação dos media ou à de inimigos da Revolução – por ingenuidade, receio ou incapacidade de resistir à pressão mediática e do meio social que as rodeia – do que à informação provinda de Cuba, juntando-se a essa campanha com declarações ou artigos, ou refugiando-se no silêncio, justamente quando o nosso povo necessita mais do que nunca de solidariedade combativa e pública. Não deveriam perder de vista que estamos perante outro plano diabólico de uma tirania mundial neofascista, empenhada em utilizar todos os meios contra tudo aquilo que possa escapar ao seu domínio.
«A Revolução foi obrigada à adopção de medidas duras, que não desejava, mas que eram inevitáveis dentro da estrita observância das leis. Compreendemos a honesta sensibilidade de todos os cidadãos que, na Europa, tiveram a possibilidade de eliminar a pena de morte. Mas já nos não merece igual respeito a falsa e politiqueira sensibilidade de quantos condenam Cuba e não são capazes de o fazer relativamente a George W. Bush, que durante os seis anos do seu mandato como Governador do Texas assinou a execução de 152 pessoas e que, na sua actual qualidade de Presidente dos Estados Unidos, declarou que a pena de morte é uma medida "que ajuda a salvar vidas".
«Nós não partilhamos desse critério. Esperamos um dia eliminar a pena de morte da Lei, porque se não ajusta à nossa filosofia da vida, mas, nas condições de particular assédio e de guerra não-declarada contra Cuba, vimo-nos na necessidade de a adoptar com carácter excepcional, quando os danos que provoca, ou poderia provocar, devam receber explícita e exemplar condenação.
«Estamos agora a viver momentos dramáticos e de perigo extremo para a Humanidade. A guerra de conquista desencadeada contra o povo do Iraque, com absoluto desprezo pela opinião pública mundial e pela comunidade das nações, constitui a ruptura, por parte dos EUA, com as regras do convívio entre os povos, com a Carta das Nações Unidas e com os princípios, irrevogáveis, de soberania e autodeterminação, com intuitos similares aos que guiaram a Alemanha nazi quando abandonou a Liga das Nações.
«A agressão contra o Iraque – primeiro episódio da proclamada teoria fascista da guerra preventiva e da guerra-relâmpago – articula-se com o poderoso sistema à Goebbels de propaganda e desinformação.
«A Revolução Cubana, que os Estados Unidos procuram derrubar já desde há 44 anos, por meio de todo o tipo de agressões e sem lograr alcançar os seus objectivos, vive agora momentos particularmente perigosos.
«Com a subida ao poder da actual Administração norte-americana, comprometida com os grupos de extrema-direita da comunidade cubana radicada em Miami, que apoiaram a campanha de Bush e desempenharam um papel-chave na sua eleição – em virtude da qual mais de uma vintena de representantes dessas organizações terroristas ocuparam importantes lugares no governo dos EUA – tem recrudescido a hostilidade para com Cuba.
«Nesse contexto se inserem as provocatórias e desafiadoras actividades conspiratórias do Chefe e dos funcionários da Secção de Interesses dos Estados Unidos em Havana, que, em flagrante violação de todas as normas diplomáticas, com inaceitável ingerência nos assuntos internos e ao arrepio das leis do nosso país, se têm dedicado a organizar, financiar e proteger um grupo de mercenários cubanos.
«Disfarçam-se eles de dissidentes e de jornalistas independentes, para actuarem como uma quinta coluna num pressuposto cenário de derrota da Revolução, objectivo para o qual os Estados Unidos gastaram, desde 1997, mais de vinte milhões de dólares. Depois de ter actuado com tolerância durante muito tempo, perante a decisão dos Estados Unidos de converterem a sua representação em Havana em quartel-general da subversão contra o nosso país – com o que se inculcava a ideia, entre esses mercenários, de que poderiam actuar impunemente, sob a protecção de uma nação poderosa –, não restou a Cuba outra alternativa que não fosse a aplicação das suas próprias leis.
«Por outro lado, os EUA, que, como estipulam os acordos migratórios entre ambas as nações, deve outorgar um número não inferior a 20 mil vistos anuais aos cubanos que queiram emigrar para esse país ou nele visitar as suas famílias, desde Outubro do ano passado só concederam 505. É para nós evidente que se pretende provocar desespero nos que desejam emigrar, deixando-os sem mais possibilidades que os procedimentos ilegais, inclusivamente mediante o sequestro de aviões e de barcos, mandando assim às urtigas os referidos acordos migratórios.
Não dar crédito à desinformação
«Nos últimos sete meses ocorreram sete sequestros, com utilização de armas de fogo, granadas e armas brancas, pondo em risco as vidas dos passageiros. Muitos dos sequestradores são libertados quando chegam aos Estados Unidos e as naves cubanas arbitrariamente apresadas. O último acontecimento desta índole foi o sequestro do barco Baragua, que realiza trajectos na Baía de Havana. Essa embarcação foi sequestrada por um grupo de delinquentes com péssimos antecedentes penais, tendo a três deles sido aplicada a pena de morte, pelo perigo que dessa acção resultou para as vidas dos 36 passageiros, entre os que se contavam várias mães com os seus filhos, pelo tratamento brutal que deram aos sequestrados – ameaçados de morte à arma branca e de fogo – e pelos riscos para a segurança nacional.
«Como seria de esperar, os Estados Unidos – com os recursos de que dispõem e com os dos seus aliados – desencadearam uma feroz campanha de mentiras e de deturpação dos factos, pretendendo criar na opinião pública uma imagem maligna de Cuba, com a intenção de desmobilizar os movimentos de solidariedade com o nosso país e de justificar acções ainda mais agressivas. Com esse empenhamento obteve êxito, e o que mais dói é que pessoas lúcidas e ligadas à Revolução cubana durante muitos anos, tenham dado mais crédito à desinformação dos media ou à de inimigos da Revolução – por ingenuidade, receio ou incapacidade de resistir à pressão mediática e do meio social que as rodeia – do que à informação provinda de Cuba, juntando-se a essa campanha com declarações ou artigos, ou refugiando-se no silêncio, justamente quando o nosso povo necessita mais do que nunca de solidariedade combativa e pública. Não deveriam perder de vista que estamos perante outro plano diabólico de uma tirania mundial neofascista, empenhada em utilizar todos os meios contra tudo aquilo que possa escapar ao seu domínio.
«A Revolução foi obrigada à adopção de medidas duras, que não desejava, mas que eram inevitáveis dentro da estrita observância das leis. Compreendemos a honesta sensibilidade de todos os cidadãos que, na Europa, tiveram a possibilidade de eliminar a pena de morte. Mas já nos não merece igual respeito a falsa e politiqueira sensibilidade de quantos condenam Cuba e não são capazes de o fazer relativamente a George W. Bush, que durante os seis anos do seu mandato como Governador do Texas assinou a execução de 152 pessoas e que, na sua actual qualidade de Presidente dos Estados Unidos, declarou que a pena de morte é uma medida "que ajuda a salvar vidas".
«Nós não partilhamos desse critério. Esperamos um dia eliminar a pena de morte da Lei, porque se não ajusta à nossa filosofia da vida, mas, nas condições de particular assédio e de guerra não-declarada contra Cuba, vimo-nos na necessidade de a adoptar com carácter excepcional, quando os danos que provoca, ou poderia provocar, devam receber explícita e exemplar condenação.