Uma viagem à Lisboa improdutiva
Ao longo dos anos, desapareceram da cidade de Lisboa importantes unidades industriais, que garantiam milhares de postos de trabalho e criavam parte importante da riqueza nacional. Hoje, habitação, alguma de luxo, e grandes superfícies comerciais instalam-se nos locais antes ocupados pelas fábricas. As razões de tal «substituição» não residem na tão falada falta de competitividade da indústria portuguesa mas em negócios milionários, que apenas servem interesses privados. Foi isto que o PCP pretendeu denunciar na segunda «Rota do Desemprego», que percorreu a «corda ribeirinha» de Lisboa, de Belém a Marvila.
Com as «Rotas do Desemprego», a Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP pretende alertar para a destruição da indústria nacional, procurando impedir o desmantelamento de mais unidades industriais. Esta foi a segunda «rota» percorrida pelos comunistas, após terem cursado, em Novembro, o eixo entre Sacavém e Vila Franca de Xira. Num e noutro curso, algumas das grandes e simbólicas indústrias foram destruídas, não restando, em alguns casos, quaisquer vestígios da sua existência. No seu lugar, surgem, arrogantes, altos prédios de habitação, alguns mesmo de luxo.
Noutros casos, as marcas do passado industrial estão lá, sob a forma de ruínas, que esperam a sua vez de serem convertidas em luxuosas habitações ou em movimentados supermercados. Outras empresas ainda funcionam, mas as evoluções recentes não auguram futuros radiosos. Até porque, em algumas destas situações, as intenções do Governo e do capital são sobejamente conhecidas.
Vamos a contas, que os números tornam mais clara a dimensão do problema: Nos últimos anos, entre Belém e Marvila, nos dois extremos da cidade, desapareceram dezenas de empresas e mais de trinta mil postos de trabalho foram destruídos. A produção industrial portuguesa decaiu e muito do que se produzia no País tem de ser hoje comprado ao estrangeiro. Resumindo, o desemprego aumentou e Portugal ficou mais pobre, afirma o PCP.
A visita começou em Belém, entre os imponentes Centro Cultural de Belém e Mosteiro dos Jerónimos. Embora pareça difícil de acreditar para quem não tenha mais do que memória recente daquele local, a indústria já teve ali uma destacada presença. Hoje, está praticamente confinada às Oficinas Gerais de Material do Exército (OGME), mesmo em frente ao CCB.
Por trás do alto muro, ainda trabalham 120 trabalhadores, longe já dos antigos 330 de antigamente. As oficinas do Exército, bem como os restantes estabelecimentos fabris das forças armadas, estão sob um forte ataque do Governo, que tem vindo a reduzir drasticamente o número de trabalhadores civis, nomeadamente operários. O material utilizado pelas Forças Armadas portuguesas chega, cada vez mais, de fábricas estrangeiras. A juntar a isto, as instalações dos estabelecimentos fabris militares localizam-se normalmente em locais privilegiados e apetecíveis para a especulação, que não rejeitaria qualquer hipótese de as adquirir e com elas lucrar.
Ao lado, na Cordoaria Nacional (centenária fábrica de corda para a Marinha) funciona hoje um museu. Juntamente com a actual sede da Orquestra Metropolitana de Lisboa – antiga fábrica de material eléctrico – é dos poucos exemplos em que as instalações fabris inutilizadas escaparam à especulação imobiliária. Mas centenas de postos de trabalho desapareceram, sem se terem criado quaisquer alternativas. Atrás do Centro Cultural de Belém funcionava ainda a Gelmar, que tinha 300 trabalhadores.
Coração parado
Outrora verdadeiro coração da Lisboa operária, por lá se concentrarem frequentemente milhares de trabalhadores das fábricas das imediações, em gigantescos plenários, o Largo do Calvário de hoje é diferente. As concentrações que restam acontecem nas paragens de autocarro ou eléctrico. Pouca gente trabalha ainda na zona, pois as fábricas fecharam ou despediram trabalhadores.
No Largo do Calvário, no abrigo de uma paragem de autocarro, concentravam-se antigos operários de várias empresas da zona ocidental de Lisboa, que esperavam a delegação do PCP e os jornalistas. Filipe Rua trabalhou no estaleiro da Lisnave na Rocha do Conde de Óbidos, até ao seu fecho. Durante anos, participou na vida operária da zona ocidental da capital e conhece os processos de encerramento de muitas das empresas que ali se situavam. Em muitas delas, os trabalhadores foram compulsivamente despedidos ou reformados, com pouco mais de 40 anos. Para estes últimos, os salários baixos que ganhavam transformaram-se em precárias reformas. O ex-operário dos estaleiros navais conta que muitos destes trabalhadores sofreram de graves problemas de saúde, psicológicos e físicos. «Muitas fábricas empregavam famílias inteiras», recorda Filipe Rua.
«Produção», só de serviços
Na zona oriental, o cenário é o mesmo. Onde antes se situavam fábricas, encontram-se hoje prédios de habitação e escritórios. Da antiga Automática Portuguesa não resta já nada. No seu lugar, está um luxuoso empreendimento de habitação, escritórios e lojas. Nem o facto de esta ser uma empresa de renome mundial, empregando cerca de 3 mil trabalhadores, demoveu o último administrador, Rocha de Matos, de a encerrar. Olinda Nunes trabalhou vários anos na Automática Portuguesa e conta que poucos terão conseguido algum emprego estável após saírem da empresa, em meados dos anos 90, quando a Automática encerrou definitivamente, no culminar de um processo de destruição lento, mas metódico e eficaz. Também a Dialap e a UTIC (de lapidação de diamantes e de construção de autocarros) desapareceram.
À espera da especulação
Da antiga Sociedade Nacional de Sabões restam apenas os muros. Atrás das paredes, nem um edifício se mantém de pé e apenas o movimento das escavadoras e tractores, que preparam caminho para a construção de outro empreendimento imobiliário, quebram o sepulcral silêncio. E dos 1200 trabalhadores que a empresa tinha quando fechou, em meados da década de 90, nem um resta. E muitos esperam ainda o pagamento de salários em atraso.
Nesta fábrica, produziram-se, em tempos, conhecidos produtos como os óleos Fula, VêGê e Girassol, margarinas e detergentes. Praticamente todas as marcas sobrevivem no mercado, mas são produzidas fora do País.
Ao lado, na Manutenção Militar, ainda se trabalha. Mas os objectivos para o sector fabril das Forças Armadas é conhecido. Pela luta dos trabalhadores, encontra-se suspenso o despacho do ministro da Defesa do PS que previa a destruição da Manutenção Militar e das Oficinas Gerais de Material do Exército. Mas pode voltar.
Das grandes empresas de Marvila, apenas a Nacional se deverá manter. Mas não como fábrica. A ideia, acusa o PCP, é manter o edifício, que ficará como uma espécie de ícone da indústria no local. A produção, essa, é para acabar. Que o digam os quase cem trabalhadores que saíram da empresa no ano passado.
Uma cidade a saque
O PDM de Lisboa está a ser ilegalmente alterado para permitir a construção de habitação, acusa o PCP. Para Carlos Chaparro, do Comité Central e responsável pela organização comunista na cidade de Lisboa, a actual maioria está a permitir a construção de empreendimentos imobiliários em zonas contempladas ao uso industrial. E ao fazê-lo está, juntamente com o Governo, a «contribuir para o desaparecimento das zonas industriais da cidade».
Para o dirigente comunista, os terrenos são adquiridos a baixo preço, como sendo para uso industrial, e depois a autarquia altera esse estatuto, o que torna a especulação bastante apetecível. «A aprovação da revisão simplificada do Plano Director Municipal permitiu a mudança dos terrenos de uso industrial para outros fins», como a construção de habitação, sem que sejam realizados planos de pormenor nem exista qualquer discussão pública, acusa Carlos Chaparro. As alterações ao PDM foram feitas à medida da especulação, prossegue o membro do Comité Central.
Nesta situação estão as instalações da Sidul, em Alcântara. Os edifícios da fábrica estão já a ser derrubados, apesar de na área não ser permitido construir nada mais do que indústria. Mas o derrube prossegue e a autarquia defende para o local as célebres torres de Alcântara. Também as obras que estão a ser feitas nas instalações da antiga fábrica de chocolates Aliança, na Junqueira, são ilegais pela mesma razão, denuncia o PCP.
Perto do Parque das Nações – que serviu, também ele, de pretexto para a destruição de muitas empresas, por ocasião da Expo’98 – os terrenos do antigo Indep são também alvo de uma flagrante especulação. Para o local onde se situava a fábrica de munições do exército português está previsto um luxuoso empreendimento, a urbanização Braço de Prata. Segundo denuncia o eleito comunista na Assembleia Municipal de Lisboa, Martinho Baptista, os favores do executivo municipal vão ainda mais longe neste caso. O eleito do PCP relata que está previsto o prolongamento deste empreendimento até ao rio, o que significaria o desvio do trânsito na movimentada avenida que termina no Parque das Nações.
Este favorecimento às empresas de especulação imobiliária não é novo. A Obriverca, que adquiriu o Indep, comprou também os terrenos da Sociedade Nacional de Sabões e, em Alverca, da Mague. E já construiu sobre o que antes fora a Fábrica de Loiça de Sacavém.
Um País mais pobre
Muito do que se deixou de produzir nas fábricas lisboetas continua a ser comercializado no nosso país. Mas vem agora do estrangeiro ou de outros pontos do País. Entre as mais de 23 empresas da zona ocidental referidas pelo PCP – cujo encerramento ou «reestruturações» custaram o emprego a mais de 20 mil trabalhadores – contam-se a fábrica de açúcar Sidul, os chocolates Regina e Aliança, as lâmpadas Osram e várias oficinas de metalurgia ligeira. Todos estes produtos, e marcas, circulam habitualmente em Portugal. As empresas ligadas à pesca e à construção e reparação naval não puderam deixar de ser afectadas pela política dos sucessivos governos e da União Europeia para as pescas nacionais, cada vez mais desmanteladas.
Na zona oriental, o panorama é semelhante. 12 mil postos de trabalho destruídos, muitos milhares de euros por ano em produção desbaratados. Entre as empresas encerradas nesta zona, encontram-se a General Motors e a Baptista Russo. Particularmente chocante é a Sociedade Nacional de Sabões, de onde saíam produtos de uso frequente em Portugal, líderes de mercado nos seus sectores. Feitos noutro lado qualquer.
Noutros casos, as marcas do passado industrial estão lá, sob a forma de ruínas, que esperam a sua vez de serem convertidas em luxuosas habitações ou em movimentados supermercados. Outras empresas ainda funcionam, mas as evoluções recentes não auguram futuros radiosos. Até porque, em algumas destas situações, as intenções do Governo e do capital são sobejamente conhecidas.
Vamos a contas, que os números tornam mais clara a dimensão do problema: Nos últimos anos, entre Belém e Marvila, nos dois extremos da cidade, desapareceram dezenas de empresas e mais de trinta mil postos de trabalho foram destruídos. A produção industrial portuguesa decaiu e muito do que se produzia no País tem de ser hoje comprado ao estrangeiro. Resumindo, o desemprego aumentou e Portugal ficou mais pobre, afirma o PCP.
A visita começou em Belém, entre os imponentes Centro Cultural de Belém e Mosteiro dos Jerónimos. Embora pareça difícil de acreditar para quem não tenha mais do que memória recente daquele local, a indústria já teve ali uma destacada presença. Hoje, está praticamente confinada às Oficinas Gerais de Material do Exército (OGME), mesmo em frente ao CCB.
Por trás do alto muro, ainda trabalham 120 trabalhadores, longe já dos antigos 330 de antigamente. As oficinas do Exército, bem como os restantes estabelecimentos fabris das forças armadas, estão sob um forte ataque do Governo, que tem vindo a reduzir drasticamente o número de trabalhadores civis, nomeadamente operários. O material utilizado pelas Forças Armadas portuguesas chega, cada vez mais, de fábricas estrangeiras. A juntar a isto, as instalações dos estabelecimentos fabris militares localizam-se normalmente em locais privilegiados e apetecíveis para a especulação, que não rejeitaria qualquer hipótese de as adquirir e com elas lucrar.
Ao lado, na Cordoaria Nacional (centenária fábrica de corda para a Marinha) funciona hoje um museu. Juntamente com a actual sede da Orquestra Metropolitana de Lisboa – antiga fábrica de material eléctrico – é dos poucos exemplos em que as instalações fabris inutilizadas escaparam à especulação imobiliária. Mas centenas de postos de trabalho desapareceram, sem se terem criado quaisquer alternativas. Atrás do Centro Cultural de Belém funcionava ainda a Gelmar, que tinha 300 trabalhadores.
Coração parado
Outrora verdadeiro coração da Lisboa operária, por lá se concentrarem frequentemente milhares de trabalhadores das fábricas das imediações, em gigantescos plenários, o Largo do Calvário de hoje é diferente. As concentrações que restam acontecem nas paragens de autocarro ou eléctrico. Pouca gente trabalha ainda na zona, pois as fábricas fecharam ou despediram trabalhadores.
No Largo do Calvário, no abrigo de uma paragem de autocarro, concentravam-se antigos operários de várias empresas da zona ocidental de Lisboa, que esperavam a delegação do PCP e os jornalistas. Filipe Rua trabalhou no estaleiro da Lisnave na Rocha do Conde de Óbidos, até ao seu fecho. Durante anos, participou na vida operária da zona ocidental da capital e conhece os processos de encerramento de muitas das empresas que ali se situavam. Em muitas delas, os trabalhadores foram compulsivamente despedidos ou reformados, com pouco mais de 40 anos. Para estes últimos, os salários baixos que ganhavam transformaram-se em precárias reformas. O ex-operário dos estaleiros navais conta que muitos destes trabalhadores sofreram de graves problemas de saúde, psicológicos e físicos. «Muitas fábricas empregavam famílias inteiras», recorda Filipe Rua.
«Produção», só de serviços
Na zona oriental, o cenário é o mesmo. Onde antes se situavam fábricas, encontram-se hoje prédios de habitação e escritórios. Da antiga Automática Portuguesa não resta já nada. No seu lugar, está um luxuoso empreendimento de habitação, escritórios e lojas. Nem o facto de esta ser uma empresa de renome mundial, empregando cerca de 3 mil trabalhadores, demoveu o último administrador, Rocha de Matos, de a encerrar. Olinda Nunes trabalhou vários anos na Automática Portuguesa e conta que poucos terão conseguido algum emprego estável após saírem da empresa, em meados dos anos 90, quando a Automática encerrou definitivamente, no culminar de um processo de destruição lento, mas metódico e eficaz. Também a Dialap e a UTIC (de lapidação de diamantes e de construção de autocarros) desapareceram.
À espera da especulação
Da antiga Sociedade Nacional de Sabões restam apenas os muros. Atrás das paredes, nem um edifício se mantém de pé e apenas o movimento das escavadoras e tractores, que preparam caminho para a construção de outro empreendimento imobiliário, quebram o sepulcral silêncio. E dos 1200 trabalhadores que a empresa tinha quando fechou, em meados da década de 90, nem um resta. E muitos esperam ainda o pagamento de salários em atraso.
Nesta fábrica, produziram-se, em tempos, conhecidos produtos como os óleos Fula, VêGê e Girassol, margarinas e detergentes. Praticamente todas as marcas sobrevivem no mercado, mas são produzidas fora do País.
Ao lado, na Manutenção Militar, ainda se trabalha. Mas os objectivos para o sector fabril das Forças Armadas é conhecido. Pela luta dos trabalhadores, encontra-se suspenso o despacho do ministro da Defesa do PS que previa a destruição da Manutenção Militar e das Oficinas Gerais de Material do Exército. Mas pode voltar.
Das grandes empresas de Marvila, apenas a Nacional se deverá manter. Mas não como fábrica. A ideia, acusa o PCP, é manter o edifício, que ficará como uma espécie de ícone da indústria no local. A produção, essa, é para acabar. Que o digam os quase cem trabalhadores que saíram da empresa no ano passado.
Uma cidade a saque
O PDM de Lisboa está a ser ilegalmente alterado para permitir a construção de habitação, acusa o PCP. Para Carlos Chaparro, do Comité Central e responsável pela organização comunista na cidade de Lisboa, a actual maioria está a permitir a construção de empreendimentos imobiliários em zonas contempladas ao uso industrial. E ao fazê-lo está, juntamente com o Governo, a «contribuir para o desaparecimento das zonas industriais da cidade».
Para o dirigente comunista, os terrenos são adquiridos a baixo preço, como sendo para uso industrial, e depois a autarquia altera esse estatuto, o que torna a especulação bastante apetecível. «A aprovação da revisão simplificada do Plano Director Municipal permitiu a mudança dos terrenos de uso industrial para outros fins», como a construção de habitação, sem que sejam realizados planos de pormenor nem exista qualquer discussão pública, acusa Carlos Chaparro. As alterações ao PDM foram feitas à medida da especulação, prossegue o membro do Comité Central.
Nesta situação estão as instalações da Sidul, em Alcântara. Os edifícios da fábrica estão já a ser derrubados, apesar de na área não ser permitido construir nada mais do que indústria. Mas o derrube prossegue e a autarquia defende para o local as célebres torres de Alcântara. Também as obras que estão a ser feitas nas instalações da antiga fábrica de chocolates Aliança, na Junqueira, são ilegais pela mesma razão, denuncia o PCP.
Perto do Parque das Nações – que serviu, também ele, de pretexto para a destruição de muitas empresas, por ocasião da Expo’98 – os terrenos do antigo Indep são também alvo de uma flagrante especulação. Para o local onde se situava a fábrica de munições do exército português está previsto um luxuoso empreendimento, a urbanização Braço de Prata. Segundo denuncia o eleito comunista na Assembleia Municipal de Lisboa, Martinho Baptista, os favores do executivo municipal vão ainda mais longe neste caso. O eleito do PCP relata que está previsto o prolongamento deste empreendimento até ao rio, o que significaria o desvio do trânsito na movimentada avenida que termina no Parque das Nações.
Este favorecimento às empresas de especulação imobiliária não é novo. A Obriverca, que adquiriu o Indep, comprou também os terrenos da Sociedade Nacional de Sabões e, em Alverca, da Mague. E já construiu sobre o que antes fora a Fábrica de Loiça de Sacavém.
Um País mais pobre
Muito do que se deixou de produzir nas fábricas lisboetas continua a ser comercializado no nosso país. Mas vem agora do estrangeiro ou de outros pontos do País. Entre as mais de 23 empresas da zona ocidental referidas pelo PCP – cujo encerramento ou «reestruturações» custaram o emprego a mais de 20 mil trabalhadores – contam-se a fábrica de açúcar Sidul, os chocolates Regina e Aliança, as lâmpadas Osram e várias oficinas de metalurgia ligeira. Todos estes produtos, e marcas, circulam habitualmente em Portugal. As empresas ligadas à pesca e à construção e reparação naval não puderam deixar de ser afectadas pela política dos sucessivos governos e da União Europeia para as pescas nacionais, cada vez mais desmanteladas.
Na zona oriental, o panorama é semelhante. 12 mil postos de trabalho destruídos, muitos milhares de euros por ano em produção desbaratados. Entre as empresas encerradas nesta zona, encontram-se a General Motors e a Baptista Russo. Particularmente chocante é a Sociedade Nacional de Sabões, de onde saíam produtos de uso frequente em Portugal, líderes de mercado nos seus sectores. Feitos noutro lado qualquer.