A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO

«Acontecimento gerador de todos os grandes avanços civilizacionais ocorridos no Século XX»

Num tempo em que a ideologia dominante propaga aos quatro ventos que o comunismo morreu, que o capitalismo - ordem natural das coisas - é o fim da história, enfim, num tempo em que estas e muitas outras patranhas da mesma família visam, à força de tantas vezes repetidas, transformar-se em verdades absolutas, nós, comunistas, assinalamos mais um aniversário da Revolução de Outubro. Fazemo-lo numa total identificação com os objectivos e os ideais da Revolução e com a consciência clara de que estamos a comemorar um acontecimento maior da História Universal, o acontecimento gerador de todos os grandes avanços civilizacionais ocorridos no Século XX. E fazemo-lo, também, reafirmando a nossa determinação de prosseguir a luta pelos objectivos da Revolução: a luta pela construção de um mundo novo assente nos ideais comunistas, um mundo justo, pacífico, fraterno, solidário, liberto de todas as formas de opressão e de exploração.
Naturalmente, os reflexos e as repercussões da Revolução de Outubro assumiram uma importância e uma dimensão singulares à escala planetária. As conquistas e os avanços económicos, políticos, sociais, culturais alcançados na URSS – e, sublinhe-se, pela primeira vez alcançados na História da Humanidade! - mostraram aos povos do Mundo que as desigualdades e injustiças sociais não eram uma fatalidade a que estava condenada a maioria dos seres humanos; mostraram a viabilidade da construção de uma sociedade justa, fraterna, livre, assente no respeito pelos direitos a que cada ser humano, pelo simples facto de existir, tem direito; mostraram, em suma, que o impossível era possível – e mostraram, ainda, o carácter decisivo e imprescindível, para a concretização desse projecto, da existência de um partido revolucionário como o era o partido de Lenine.
Daí a intensificação e o reforço das lutas da classe operária em todo o Mundo e os resultados positivos que, desde logo, começaram a ser obtidos; daí a criação, em dezenas de países, de partidos comunistas.

Daí, também e como não podia deixar de ser, a forte ofensiva contra-revolucionária desencadeada pelo capitalismo internacional, para o qual, o que estava a acontecer na União Soviética era um exemplo perigoso, que importava silenciar, denegrir, esmagar. E não olharam a meios nem a métodos: a essência desumana e criminosa do sistema capitalista, o vale-tudo como critério único a justificar a sua intervenção, assumiram, então, expressões de inaudita barbaridade. (Hoje, em que, de súbito, nasceram e começaram a procriar em diversos órgãos de comunicação social, uma série de panegiristas de Winston Churchill apresentando-o como o modelo perfeito de democrata do século passado, vale a pena recordar um texto no qual «o carrasco de Dresde» teoriza sobre «a legitimidade» e a «necessidade» da utilização de armas químicas contra «certas pessoas», ou seja, explica, contra «os bolcheviques e os árabes» - isto na sequência da abundante utilização dessas armas quer no Afeganistão quer contra a Revolução de Outubro).
No entanto, a Revolução, apoiada pelos trabalhadores e pelo povo, seus artífices principais, resistiu a essa ofensiva, da mesma forma que resistiria, posteriormente, à invasão nazi. E o povo soviético e o seu Exército Vermelho viriam a desempenhar um papel decisivo, determinante na derrota do objectivo hitleriano de domínio do Mundo – sacrificando mais de vinte milhões de vidas na defesa da democracia, da liberdade, dos direitos humanos. É ainda por efeito do exemplo da Revolução de Outubro e dos apoios concretos da União Soviética a todos os povos em luta, nomeadamente aos movimentos de libertação nacional, que os trabalhadores de todo o Mundo obtêm históricas conquistas sociais e políticas e que o processo de descolonização avança impetuoso e triunfante.

Durou cerca de setenta anos esta primeira grande tentativa de criação de uma sociedade nova, sem exploradores nem explorados. Sobre o fracasso desta experiência muito tem sido dito e escrito e, certamente, muito falta dizer e escrever. Os XIII (Extraordinário) e XIV Congressos, apontaram um conjunto vasto e complexo de factores donde emergem, por um lado, a violenta e persistente ofensiva de que a Revolução foi alvo, desde o seu início, por parte do capitalismo internacional; por outro lado, as práticas de perversão da democracia, de afastamentos e afrontamentos do ideal comunista praticados pelos partidos comunistas no Poder (quer na URSS quer nos restantes países socialistas); por outro lado, ainda, as práticas de dirigentes que traíram a confiança neles depositada pelos respectivos partidos.
O fim da União Soviética e da comunidade socialista do Leste da Europa constituiu uma tragédia civilizacional cujas graves consequências já visíveis permitem pressentir a gravidade das que se avizinham. A situação que se vive hoje no Mundo – em todo o Mundo: nos ex-países socialistas e nos restantes países – mostra que o desaparecimento do socialismo como sistema mundial não tornou o Mundo melhor, nem mais democrático, nem mais justo, nem mais pacífico, nem mais humano, nem mais fraterno. Bem pelo contrário, como a realidade nos mostra todos os dias.
É assim que, em novas condições e com novas exigências, milhões de homens, mulheres e jovens dão continuidade à luta travada por gerações sucessivas de comunistas, luta marcada por dedicações e vidas que são orgulho da condição humana – luta pela conquista do sonho da sociedade nova de que a Revolução de Outubro foi portadora.