A FESTA E A LUTA
«A Festa é fonte de força do Partido e caminho certo para o prosseguimento da luta»
Prosseguem as rentrées. Ao PS, com Ferro Rodrigues, no Sul, sucedeu o PSD, com Durão Barroso, no Norte. Foi em Caminha, no sábado passado e, tal como acontecera em Portimão, tudo decorreu sem surpresas. Tudo: os conteúdos dos discursos e os comentários dos comentadores habituais que, no papel de jornalistas independentes, imparciais e isentos, foram às têvês dizer o que, quem os convidou, esperava que dissessem: numa sadia exibição de pluralismo, uns torceram por Ferro Rodrigues, outros torceram por Durão Barroso; numa igualmente sadia manifestação de boas maneiras, todos se confirmaram apoiantes incondicionais da política de direita.
A intervenção de Durão Barroso em Caminha, para além do surreal exercício de autismo, veio ainda confirmar que os primeiros ministros portugueses dos últimos vinte e sete anos se dividem em dois grupos distintos: os que garantem que, graças a eles, «Portugal é, hoje, um país moderno» e os que prometem fazer de Portugal, a curto prazo,um país moderno. Todos concordam, no entanto, que cada um deles é absolutamente melhor do que cada um dos outros e já fez ou promete fazer milagres de prodigalidade e bem-aventurança jamais conseguidos.
Ao afirmar que «A nossa primeira tarefa é modernizar Portugal», Durão Barroso posiciona-se no segundo daqueles grupos. Ou seja, ele diz-nos que vai modernizar o que não é moderno, isto é, Portugal – e, em tom dramático, declama que «não podemos falhar». Traça, no entanto, um panorama tão optimista da realidade nacional que somos levados a perguntar que mais é que é preciso modernizar para vivermos num paraíso. Por outro lado, anunciando a modernização de Portugal como a grande tarefa nacional, Durão Barroso está a chamar mentirosos a todos os seus antecessores – colegas de partido e comparsas de política governamental – que juraram, nalguns casos com atestado autenticado nos grandes salões da Europa, a modernidade de Portugal.
Com trinados de voz e fantasias de estilo, Durão Barroso desenhou um retrato de Portugal só existente na sua mente. Ouvindo-o, dir-se-ia que não há recessão económica; que não existem quinhentos mil desempregados; que as condições de vida da população não estão num processo de degradação; que não há uma ofensiva – a mais forte de sempre após o 25 de Abril - contra direitos fundamentais dos trabalhadores; que não estão em curso sinistras contra-reformas nas áreas da Saúde, do Ensino e da Segurança Social; que, a pretexto de uma chamada «reforma do sistema político», não estamos perante o mais violento e perigoso ataque ao conteúdo democrático do regime nascido da revolução de Abril. Mais do que isso: ouvindo Durão Barroso e suas promessas, dir-se-ia que o partido de que ele é chefe, os governos em que esse partido participou e a política levada a cabo por esses governos, não têm nada a ver com os múltiplos e graves problemas que hoje se colocam aos trabalhadores, ao povo e ao País.
A dado momento, o Primeiro Ministro afirmou categórico: «Não aceito que Portugal continue na última posição da Europa» - afirmação que tem que se lhe diga, não tanto pela determinação anunciada (que podia ter sido produzida por qualquer dos anteriores primeiros ministros) mas essencialmente porque, mais uma vez, Durão Barroso põe em causa antecessores seus, alguns deles de peso. Afinal, esclarece-nos Barroso dez anos depois, Cavaco Silva mentiu aos portugueses quando lhes afiançou que Portugal integrava «o pelotão da frente» da União Europeia. Não é que o esclarecimento constitua novidade mas lá que merece registo, merece.
Seja como for, «ganhar a modernização do País no espaço de duas legislaturas» é o objectivo maior do actual Primeiro Ministro. Para isso, diz ele, são necessários os habituais «sacrifícios», os quais recairão, democraticamente, sobre a maioria dos portugueses que é quem trabalha e vive do seu trabalho. Para começar, Durão Barroso anunciou a decisão de baixar de 30 para 25% o IRC – isto é, o imposto das empresas, aquele imposto a cujo pagamento fogem 57% das ditas empresas... Quanto aos impostos respeitantes aos trabalhadores por conta de outrem – os tais que não fogem ao pagamento dos impostos – esses, para já, continuam como estão e depois se verá. Valha-nos, entretanto, o pungente lamento do Primeiro Ministro: «Não podemos dar tudo quanto queríamos aos portugueses»...
De tudo isto ressalta clara a conclusão de que o caminho fundamental para dar resposta à política de direita e às suas consequências continua a situar-se na luta de massas. Luta que depara com grandes dificuldades, que é obstaculizada por efeito de práticas antidemocráticas e anticonstitucionais, mas que, graças à forte determinação e capacidade resistente dos trabalhadores, não dará tréguas à política de classe do governo do grande capital, não desistirá do objectivo de derrotar a política de direita e de a substituir por uma política de esquerda capaz de iniciar a resolução dos problemas da imensa maioria dos portugueses e portuguesas. Nessa luta, cabe aos comunistas e ao seu Partido, um papel determinante e que será tanto melhor e mais eficazmente desempenhado quanto mais forte e influente for o Partido. É nessa perspectiva, também, que deveremos olhar para a Festa do Avante! – exemplo concreto da importância decisiva da militância colectiva assumida e da onda de fraternidade, de solidariedade e de camaradagem por ela gerada e, por isso, fonte de força e de influência do Partido e caminho certo para o prosseguimento da luta.
A intervenção de Durão Barroso em Caminha, para além do surreal exercício de autismo, veio ainda confirmar que os primeiros ministros portugueses dos últimos vinte e sete anos se dividem em dois grupos distintos: os que garantem que, graças a eles, «Portugal é, hoje, um país moderno» e os que prometem fazer de Portugal, a curto prazo,um país moderno. Todos concordam, no entanto, que cada um deles é absolutamente melhor do que cada um dos outros e já fez ou promete fazer milagres de prodigalidade e bem-aventurança jamais conseguidos.
Ao afirmar que «A nossa primeira tarefa é modernizar Portugal», Durão Barroso posiciona-se no segundo daqueles grupos. Ou seja, ele diz-nos que vai modernizar o que não é moderno, isto é, Portugal – e, em tom dramático, declama que «não podemos falhar». Traça, no entanto, um panorama tão optimista da realidade nacional que somos levados a perguntar que mais é que é preciso modernizar para vivermos num paraíso. Por outro lado, anunciando a modernização de Portugal como a grande tarefa nacional, Durão Barroso está a chamar mentirosos a todos os seus antecessores – colegas de partido e comparsas de política governamental – que juraram, nalguns casos com atestado autenticado nos grandes salões da Europa, a modernidade de Portugal.
Com trinados de voz e fantasias de estilo, Durão Barroso desenhou um retrato de Portugal só existente na sua mente. Ouvindo-o, dir-se-ia que não há recessão económica; que não existem quinhentos mil desempregados; que as condições de vida da população não estão num processo de degradação; que não há uma ofensiva – a mais forte de sempre após o 25 de Abril - contra direitos fundamentais dos trabalhadores; que não estão em curso sinistras contra-reformas nas áreas da Saúde, do Ensino e da Segurança Social; que, a pretexto de uma chamada «reforma do sistema político», não estamos perante o mais violento e perigoso ataque ao conteúdo democrático do regime nascido da revolução de Abril. Mais do que isso: ouvindo Durão Barroso e suas promessas, dir-se-ia que o partido de que ele é chefe, os governos em que esse partido participou e a política levada a cabo por esses governos, não têm nada a ver com os múltiplos e graves problemas que hoje se colocam aos trabalhadores, ao povo e ao País.
A dado momento, o Primeiro Ministro afirmou categórico: «Não aceito que Portugal continue na última posição da Europa» - afirmação que tem que se lhe diga, não tanto pela determinação anunciada (que podia ter sido produzida por qualquer dos anteriores primeiros ministros) mas essencialmente porque, mais uma vez, Durão Barroso põe em causa antecessores seus, alguns deles de peso. Afinal, esclarece-nos Barroso dez anos depois, Cavaco Silva mentiu aos portugueses quando lhes afiançou que Portugal integrava «o pelotão da frente» da União Europeia. Não é que o esclarecimento constitua novidade mas lá que merece registo, merece.
Seja como for, «ganhar a modernização do País no espaço de duas legislaturas» é o objectivo maior do actual Primeiro Ministro. Para isso, diz ele, são necessários os habituais «sacrifícios», os quais recairão, democraticamente, sobre a maioria dos portugueses que é quem trabalha e vive do seu trabalho. Para começar, Durão Barroso anunciou a decisão de baixar de 30 para 25% o IRC – isto é, o imposto das empresas, aquele imposto a cujo pagamento fogem 57% das ditas empresas... Quanto aos impostos respeitantes aos trabalhadores por conta de outrem – os tais que não fogem ao pagamento dos impostos – esses, para já, continuam como estão e depois se verá. Valha-nos, entretanto, o pungente lamento do Primeiro Ministro: «Não podemos dar tudo quanto queríamos aos portugueses»...
De tudo isto ressalta clara a conclusão de que o caminho fundamental para dar resposta à política de direita e às suas consequências continua a situar-se na luta de massas. Luta que depara com grandes dificuldades, que é obstaculizada por efeito de práticas antidemocráticas e anticonstitucionais, mas que, graças à forte determinação e capacidade resistente dos trabalhadores, não dará tréguas à política de classe do governo do grande capital, não desistirá do objectivo de derrotar a política de direita e de a substituir por uma política de esquerda capaz de iniciar a resolução dos problemas da imensa maioria dos portugueses e portuguesas. Nessa luta, cabe aos comunistas e ao seu Partido, um papel determinante e que será tanto melhor e mais eficazmente desempenhado quanto mais forte e influente for o Partido. É nessa perspectiva, também, que deveremos olhar para a Festa do Avante! – exemplo concreto da importância decisiva da militância colectiva assumida e da onda de fraternidade, de solidariedade e de camaradagem por ela gerada e, por isso, fonte de força e de influência do Partido e caminho certo para o prosseguimento da luta.