
- Nº 1550 (2003/08/14)
Agosto de luta no sector ferroviário
Trabalhadores
«Em todas as empresas do sector, com maior ou menor intensidade, existem conflitos por resolver, alguns dos quais vão originado formas de luta», afirma o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário.
Num comunicado em distribuição desde quinta-feira passada, o SNTSF/CGTP chama a atenção para três situações que ocorrem «neste mês de Agosto, numa demonstração de que a luta não vai de férias»: as greves em Coimbra e na Soflusa, anteontem, e no Metro de Mirandela, sábado e domingo.
Na Soflusa a greve, que impediu a circulação de barcos durante a tarde, deveu-se ao facto de a administração «manter uma postura arrogante na mesa de negociação, tendo dado por encerradas as negociações sem acordo, e continuar sem dar respostas concretas quanto à garantia dos postos de trabalho». Durante a paralisação, realizou-se um plenário no Barreiro, onde os trabalhadores decidiram cumprir uma greve de duas horas por turno, entre 29 de Setembro e 3 de Outubro.
Na estação de Coimbra, os operadores de manobra estiveram em greve durante todo o dia, com uma adesão de cem por cento, protestando «contra a falta de respostas da Refer, que visem a melhoria das condições de trabalho, em particular, a salvaguarda da sua integridade física, ameaçada por marginais, perante a total passividade dos responsáveis». O sindicato sublinhou o êxito da greve com o facto de a Refer ter recorrido a pessoal de chefia para substituir os funcionários em luta. Também em violação da lei, responsáveis da empresa impediram a presença do piquete de greve, «provocando situações de conflito, das quais resultou uma agressão a um dirigente» do SNTSF.
No Metro de Mirandela os trabalhadores vão paralisar «pela exigência da negociação colectiva e pelo prosseguimento das negociações quanto ao pagamento das dívidas e aumento dos salários, para o qual já havia um pré-acordo negado, posteriormente, pela administração», refere-se no comunicado.
Crise e prémios
No mesmo documento, o sindicato protesta por, «num ano em que, a pretexto da crise, estão a ser negados aumentos dignos dos salários, a todos os trabalhadores, ninguém pode deixar de se sentir revoltado ao tomar conhecimento da distribuição de relógios e/ou cheques a algumas chefias intermédias da CP».
Para o SNTSF, «esta medida não resolveu nenhum problema de fundo e só demonstra que a empresa não tem uma política de pessoal em que todos se sintam incentivados», representando mesmo «uma tentativa de comprar trabalhadores, dividindo-os».
«Não podemos aceitar dois pesos e duas medidas na resolução de um problemas que abrange quase duas centenas de trabalhadores», protesta o sindicato, ao abordar a situação que se vive no Metro do Porto. Aqui, os trabalhadores continuam a lutar para que seja posto termo à redução dos salários, e para que sejam pagas as verbas descontadas devido à imposição da transferência da CP para a nova empresa.