Aproveitar para desenvolver
A península de Setúbal tem óptimas condições de infra-estruturas e acessibilidades, que deveriam e poderiam ser aproveitadas para o desenvolvimento económico.
Ao nível das infra-estruturas e das acessibilidades, a península de Setúbal é uma região privilegiada no contexto nacional. Quem o diz é José Caetano, membro da Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP e do Comité Central, lembrando que a região tem ligação às principais redes de transporte rodoviário, ferroviário, marítimo e fluvial. Esta localização, aliada aos recursos naturais existentes e à qualificação profissional dos seus trabalhadores – «muito acima da média nacional», assegura José Caetano –, faz da Península de Setúbal uma região a ter em conta quando se pensa em desenvolvimento do País.
Considerando que a região tem excelentes condições para a instalação de indústrias, o dirigente comunista lamenta que os sucessivos governos do País tenham optado por desferir ferozes ataques ao aparelho produtivo nacional e desaproveitar todas estas vantagens. «Tem sido uma política ao serviço dos grandes grupos económicos e de submissão à União Europeia», afirma.
Recordando que na Península de Setúbal o PCP é força dirigente na maioria dos concelhos – já o foi em todos –, José Caetano destaca o papel das autarquias na procura de soluções que contrariem o rumo das políticas seguidas a nível central. Para lá da solidariedade e apoio à luta dos trabalhadores em defesa dos postos de trabalho, sobretudo nas grandes empresas nacionais, entretanto privatizadas e destruídas, as autarquias de maioria comunista tentam encontrar soluções que atraiam o investimento. E avança com alguns exemplos: os parques industriais do Seixal, Palmela ou Barreiro (construído durante os mandatos da CDU), equipados com redes de esgotos, água e energia, permitiram a instalação em condições privilegiadas de múltiplas empresas e reúnem hoje vários milhares de trabalhadores. Mas a margem da manobra das autarquias é limitada e é ao Governo que cabe alterar o rumo da política económica.
Cabendo a parte de leão da responsabilidade por políticas de desenvolvimento económico sustentado e atracção de investimento ao poder central, as autarquias jogam também o seu papel, ainda que limitado. José Caetano lembra que, ao contrário do que era prática normal com a CDU, a actual maioria do PS que dirige a Câmara Municipal do Barreiro se prepara para facilitar a transformação de parte do actual Quimiparque – que já foi um dos maiores parques industriais da Península Ibérica, com porto marítimo, linhas ferroviárias e ligação à rede de auto-estradas – em «terrenos de especulação imobiliária para habitação e recreio, abandonando as potencialidades económicas existentes».
Show-off ministerial
O aumento recente do já de si elevado desemprego verificado na região não deixou ninguém indiferente, nem sequer o próprio Governo. Rui Paixão, coordenador da União dos Sindicatos de Setúbal, recorda que o executivo, temendo certamente o crescendo da luta, «resolveu mostrar trabalho e encenou o lançamento do Plano de Intervenção para a Península de Setúbal», para o qual o ministro do Trabalho, Bagão Félix, assegura que irão ser gastos vários milhões de euros nos próximos cinco anos.
O problema, considera Rui Paixão, é que «se escalpelizarmos o documento, percebemos que não passa de um conjunto de medidas dispersas, mas que já estavam em prática», nomeadamente no plano nacional de emprego. Ou seja, prossegue, «o Governo juntou estas medidas, reforçou algumas verbas e chama a isto um plano».
Para além de não convencer os sindicatos, este plano não responde a um conjunto de questões. Rui Paixão questiona: «qual a eficácia deste plano no combate ao desemprego se com estas medidas já em prática aquele aumenta a um ritmo médio de 23 novos desempregados por dia?» E não se fica a saber também quais as metas assumidas pelo Governo, assegura. «Não basta dizer que vão passar por ano 16 500 trabalhadores por cursos de formação», avança Rui Paixão. «Até podem passar esses todos, mas o que interessa saber é quantos deixarão de ser desempregados uma vez concluídos esses cursos», sublinha.
Considerando que a região tem excelentes condições para a instalação de indústrias, o dirigente comunista lamenta que os sucessivos governos do País tenham optado por desferir ferozes ataques ao aparelho produtivo nacional e desaproveitar todas estas vantagens. «Tem sido uma política ao serviço dos grandes grupos económicos e de submissão à União Europeia», afirma.
Recordando que na Península de Setúbal o PCP é força dirigente na maioria dos concelhos – já o foi em todos –, José Caetano destaca o papel das autarquias na procura de soluções que contrariem o rumo das políticas seguidas a nível central. Para lá da solidariedade e apoio à luta dos trabalhadores em defesa dos postos de trabalho, sobretudo nas grandes empresas nacionais, entretanto privatizadas e destruídas, as autarquias de maioria comunista tentam encontrar soluções que atraiam o investimento. E avança com alguns exemplos: os parques industriais do Seixal, Palmela ou Barreiro (construído durante os mandatos da CDU), equipados com redes de esgotos, água e energia, permitiram a instalação em condições privilegiadas de múltiplas empresas e reúnem hoje vários milhares de trabalhadores. Mas a margem da manobra das autarquias é limitada e é ao Governo que cabe alterar o rumo da política económica.
Cabendo a parte de leão da responsabilidade por políticas de desenvolvimento económico sustentado e atracção de investimento ao poder central, as autarquias jogam também o seu papel, ainda que limitado. José Caetano lembra que, ao contrário do que era prática normal com a CDU, a actual maioria do PS que dirige a Câmara Municipal do Barreiro se prepara para facilitar a transformação de parte do actual Quimiparque – que já foi um dos maiores parques industriais da Península Ibérica, com porto marítimo, linhas ferroviárias e ligação à rede de auto-estradas – em «terrenos de especulação imobiliária para habitação e recreio, abandonando as potencialidades económicas existentes».
Show-off ministerial
O aumento recente do já de si elevado desemprego verificado na região não deixou ninguém indiferente, nem sequer o próprio Governo. Rui Paixão, coordenador da União dos Sindicatos de Setúbal, recorda que o executivo, temendo certamente o crescendo da luta, «resolveu mostrar trabalho e encenou o lançamento do Plano de Intervenção para a Península de Setúbal», para o qual o ministro do Trabalho, Bagão Félix, assegura que irão ser gastos vários milhões de euros nos próximos cinco anos.
O problema, considera Rui Paixão, é que «se escalpelizarmos o documento, percebemos que não passa de um conjunto de medidas dispersas, mas que já estavam em prática», nomeadamente no plano nacional de emprego. Ou seja, prossegue, «o Governo juntou estas medidas, reforçou algumas verbas e chama a isto um plano».
Para além de não convencer os sindicatos, este plano não responde a um conjunto de questões. Rui Paixão questiona: «qual a eficácia deste plano no combate ao desemprego se com estas medidas já em prática aquele aumenta a um ritmo médio de 23 novos desempregados por dia?» E não se fica a saber também quais as metas assumidas pelo Governo, assegura. «Não basta dizer que vão passar por ano 16 500 trabalhadores por cursos de formação», avança Rui Paixão. «Até podem passar esses todos, mas o que interessa saber é quantos deixarão de ser desempregados uma vez concluídos esses cursos», sublinha.