É preciso contactar toda a gente!
A acção de contacto com todos os membros do Partido, decidida na Conferência Nacional do PCP, de Junho de 2002, prossegue em todo o Partido. O Avante! fez o ponto da situação com Alexandre Araújo, Manuela Pinto Ângelo e Martinho Baptista.
Esclarecer a situação dos membros do Partido, com vista à integração dos que querem continuar ou restabelecer a ligação com o Partido, e aproximar os efectivos contabilizados da realidade partidária, actualizando simultaneamente os dados de cada militante, é o objectivo principal desta acção, que abrange toda a organização do Partido e no essencial deverá estar concluída no final do ano. Uma acção que, de acordo com os três dirigentes ouvidos pelo Avante!, impõe a tomada de medidas específicas: orgânicas, de responsabilização, de constituição de equipas, entre outras.
Para começar, estes camaradas chamam a atenção para a necessidade de não desperdiçar assembleias, plenários e reuniões para actualização de fichas, uma vez que abrangem milhares de camaradas. É certo, dizem, que nestas iniciativas se encontram os que normalmente participam, não se resolvendo por isso o grosso das situações, mas é mais uma forma de tornar a tarefa quase permanente nos meses que faltam para concretizar a campanha.
De facto, no caso destes militantes, «não está tanto em causa a elevação da participação na vida do Partido - ainda que muito provavelmente seja possível a todos melhorar essa participação - mas sim actualizar as fichas de inscrição, algumas com mais de 20 anos e, portanto, profundamente desactualizadas», diz Alexandre Araújo, membro da Comissão junto do Comité Central para a acção de contactos. Outro aspecto é o da obtenção de dados que durante muitos anos não eram pedidos, até porque não existiam, como o número de telemóvel ou o endereço electrónico, meios novos e extremamente úteis de contacto. Porém, alerta, os camaradas não devem ficar à espera de ser contactados mas eles próprios tomarem a iniciativa de actualizar a sua ficha.
Combater o facilitismo
Entretanto, lembra também, é preciso não esquecer que «a campanha assenta fundamentalmente no contacto individual, que permite a discussão sobre a participação de cada um, o pagamento das quotizações ou a questão da imprensa do Partido». Aliás, o objectivo desta campanha «não é resolver situações pendentes ou preencher apenas uma ficha, ainda que seja também isso.
Mas a generalidade dos casos, afirma, exige um tratamento especial, a tomada de medidas orgânicas, a criação de comissões viradas especificamente para o contacto com os militantes.
Apesar de ser do conhecimento dos camaradas que o objectivo da campanha não é proceder a uma limpeza administrativa dos ficheiros, acontece muitas vezes que há a tendência para cair no facilitismo e, se por qualquer razão não se consegue contactar um camarada, considerar que ele já não é membro do Partido. Ora a ideia é continuar a procurar o camarada em causa, utilizando, inclusive, meios como, por exemplo, as listas telefónicas ou os cadernos de recenseamento.
Perda de contacto não pressupõe, de facto, abatimento no ficheiro, conclui Alexandre Araújo para quem, depois deste primeiro arranque, em que se tomaram medidas e se responsabilizaram camaradas, é preciso avançar mais nos contactos propriamente ditos, para que a campanha possa estar concluída, no fundamental, até ao final do ano, tendo em conta que o período de Verão em que vamos entrar é um período de férias e que a «metade» do ano que falta «é mais pequena que a primeira».
É preciso enquadrar as vontades expressas
Manuela Pinto Ângelo, do Comité Central e membro da Direcção da Organização Regional de Setúbal, considera, por sua vez, que esta campanha abriu a possibilidade até de quebrar rotinas que estavam instaladas. Na ORS, por exemplo, havia no ficheiro 200 e tal casos pendentes por perda de contacto e o trabalho já realizado a nível regional permitiu que se encontrasse o rasto a cerca de 80% daqueles casos. Coloca, porém, a tónica numa outra vertente desta campanha. É que, «para além da reorganização do ficheiro, da questão do contacto individual com os camaradas com os quais não há ligação há muito tempo e do esclarecimento que ela permite sobre a sua situação, é necessário acompanhar depois os resultados destes contactos, nomeadamente no plano da estruturação».
E explica: «por exemplo, no conjunto dos camaradas contactados na ORS que estavam desligados, cerca de 10% disponibilizaram-se para ter tarefas, regulares ou não. Portanto, nós temos de encontrar formas de acompanhar e de enquadrar esses membros do Partido para não chegarmos ao final da campanha e, depois de se terem manifestado um conjunto de vontades, nós não termos tido a capacidade de enquadrar esses camaradas imediatamente».
Esse desaproveitamento pode suscitar sentimentos negativos nesses camaradas de que «afinal a sua participação não faz falta», ou seja, a frustração de a sua participação não ser considerada útil, quando, de facto, isso não é verdade. O que pode acontecer é uma falta de capacidade da organização, até do ponto de vista da estrutura, para corresponder a essa situação».
Mais, em Setúbal, 6% dos contactados manifestaram o desejo de passarem a adquirir a imprensa do Partido. É sabido, porém, que muitas vezes as pessoas não tomam só por si a iniciativa de ir ao Centro de Trabalho ou de fazer assinaturas, portanto, também aqui são necessárias medidas do ponto de vista da organização. Mas é a situação relativa às quotas que Manuela Pinto Ângelo considera o indicador mais importante: «além das situações de camaradas a regularizarem as quotas em atraso, do conjunto dos contactados, 27% aumentaram a quota». Quer isto dizer que, também do ponto de vista dos recursos financeiros, esta campanha se revela importante para o Partido.
Mais, na opinião de Manuela Pinto Ângelo, esta campanha deve ainda ser relacionada com os objectivos - que são afinal indissociáveis - de outras acções de reforço do Partido, como seja a do recrutamento ou do aumento das vendas do Avante! e, principalmente, a de reforço do Partido nas empresas e locais de trabalho. Por essa via, diz, «é possível também encontrar pontas e ligações e ganhar camaradas para intervirem directamente nos locais de trabalho».
«Esta campanha de contactos é, pois, um grande desafio», na medida em «pode contribuir para que os resultados a todos estes níveis sejam muitíssimo melhores».
Campanha não é para limpar ficheiros
Martinho Baptista, membro do Comité Central e da Direcção da Organização Regional de Lisboa, considera, como Manuela Pinto Ângelo, que é no trabalho junto das empresas e locais de trabalho que o Partido deve fazer incidir os seus esforços. «No fim desta campanha, a partir dos dados que tiver, será possível ao Partido potencializar a militância, tornar a sua organização mais eficiente e dar resposta às questões que se coloquem».
Não é, contudo, uma campanha fácil, particularmente numa organização como a da Organização Regional de Lisboa, com mais de 30 mil militantes, ou mesmo a da cidade de Lisboa, com 7 mil militantes, diz. «A sua sistematização está, entretanto, concluída sob o ponto de vista orgânico, há trabalho realizado, ainda que insuficiente, e é possível a partir de agora avançar com mais rapidez». «Rapidez, não facilitismo», adverte Martinho Baptista, insistindo na ideia de que o objectivo desta acção não é proceder «a uma limpeza de ficheiros» mas sim ao apuramento de casos relativos, por exemplo, a camaradas entretanto falecidos e de que não havia conhecimento, a transferências de residência ou de local de trabalho que não foram comunicadas, e, naturalmente, ao contacto com os membros do Partido afastados ou desligados da actividade». Por outro lado, há casos de fichas preenchidas de forma mais ou menos administrativa, num contacto semi pessoal ou de telefone, insuficiente, que acaba por não aprofundar as disponibilidades para o trabalho do Partido.
Em Lisboa, o perigo do tal «facilitismo» tem sido combatido com a criação de um grupo de trabalho a quem cabe também apreciar os resultados dos contactos feitos. Conta o caso de perda de contacto com um camarada que tinha entrado num lar que «não se conseguia localizar». Não se desistiu, contactou-se a vizinhança e acabou-se por saber qual era o Lar, sendo que esse camarada pretendia continuar membro do Partido, a ter contacto com a organização, a pagar quotas e, até, a receber o Avante.
Mas há outros exemplos. É o caso do concelho do Cadaval, concelho de carácter rural, onde a organização promoveu numa tarde uma jornada para esse efeito, contactando dezenas de camaradas e resolvendo a situação de outras dezenas de membros do Partido, que não eram contactados há anos.
Também em resultado dos contactos iniciados, uma série de camaradas disponibilizaram-se para a execução de tarefas e alguns têm mesmo já responsabilidades de direcção nas respectivas organizações, caso de dois jovens do Sector Intelectual de Lisboa.
Por fim, Martinho Baptista reitera a ideia de que a concretização destes objectivos da campanha é «fundamental para o futuro do Partido». E acrescenta «aquilo que nós conseguirmos com todo este trabalho, vai permitir que o Partido se reforce a todos os níveis, que mais camaradas participem, que as organizações se possam revitalizar, que se rejuvenesçam organismos, que se criem novas células».
Para começar, estes camaradas chamam a atenção para a necessidade de não desperdiçar assembleias, plenários e reuniões para actualização de fichas, uma vez que abrangem milhares de camaradas. É certo, dizem, que nestas iniciativas se encontram os que normalmente participam, não se resolvendo por isso o grosso das situações, mas é mais uma forma de tornar a tarefa quase permanente nos meses que faltam para concretizar a campanha.
De facto, no caso destes militantes, «não está tanto em causa a elevação da participação na vida do Partido - ainda que muito provavelmente seja possível a todos melhorar essa participação - mas sim actualizar as fichas de inscrição, algumas com mais de 20 anos e, portanto, profundamente desactualizadas», diz Alexandre Araújo, membro da Comissão junto do Comité Central para a acção de contactos. Outro aspecto é o da obtenção de dados que durante muitos anos não eram pedidos, até porque não existiam, como o número de telemóvel ou o endereço electrónico, meios novos e extremamente úteis de contacto. Porém, alerta, os camaradas não devem ficar à espera de ser contactados mas eles próprios tomarem a iniciativa de actualizar a sua ficha.
Combater o facilitismo
Entretanto, lembra também, é preciso não esquecer que «a campanha assenta fundamentalmente no contacto individual, que permite a discussão sobre a participação de cada um, o pagamento das quotizações ou a questão da imprensa do Partido». Aliás, o objectivo desta campanha «não é resolver situações pendentes ou preencher apenas uma ficha, ainda que seja também isso.
Mas a generalidade dos casos, afirma, exige um tratamento especial, a tomada de medidas orgânicas, a criação de comissões viradas especificamente para o contacto com os militantes.
Apesar de ser do conhecimento dos camaradas que o objectivo da campanha não é proceder a uma limpeza administrativa dos ficheiros, acontece muitas vezes que há a tendência para cair no facilitismo e, se por qualquer razão não se consegue contactar um camarada, considerar que ele já não é membro do Partido. Ora a ideia é continuar a procurar o camarada em causa, utilizando, inclusive, meios como, por exemplo, as listas telefónicas ou os cadernos de recenseamento.
Perda de contacto não pressupõe, de facto, abatimento no ficheiro, conclui Alexandre Araújo para quem, depois deste primeiro arranque, em que se tomaram medidas e se responsabilizaram camaradas, é preciso avançar mais nos contactos propriamente ditos, para que a campanha possa estar concluída, no fundamental, até ao final do ano, tendo em conta que o período de Verão em que vamos entrar é um período de férias e que a «metade» do ano que falta «é mais pequena que a primeira».
É preciso enquadrar as vontades expressas
Manuela Pinto Ângelo, do Comité Central e membro da Direcção da Organização Regional de Setúbal, considera, por sua vez, que esta campanha abriu a possibilidade até de quebrar rotinas que estavam instaladas. Na ORS, por exemplo, havia no ficheiro 200 e tal casos pendentes por perda de contacto e o trabalho já realizado a nível regional permitiu que se encontrasse o rasto a cerca de 80% daqueles casos. Coloca, porém, a tónica numa outra vertente desta campanha. É que, «para além da reorganização do ficheiro, da questão do contacto individual com os camaradas com os quais não há ligação há muito tempo e do esclarecimento que ela permite sobre a sua situação, é necessário acompanhar depois os resultados destes contactos, nomeadamente no plano da estruturação».
E explica: «por exemplo, no conjunto dos camaradas contactados na ORS que estavam desligados, cerca de 10% disponibilizaram-se para ter tarefas, regulares ou não. Portanto, nós temos de encontrar formas de acompanhar e de enquadrar esses membros do Partido para não chegarmos ao final da campanha e, depois de se terem manifestado um conjunto de vontades, nós não termos tido a capacidade de enquadrar esses camaradas imediatamente».
Esse desaproveitamento pode suscitar sentimentos negativos nesses camaradas de que «afinal a sua participação não faz falta», ou seja, a frustração de a sua participação não ser considerada útil, quando, de facto, isso não é verdade. O que pode acontecer é uma falta de capacidade da organização, até do ponto de vista da estrutura, para corresponder a essa situação».
Mais, em Setúbal, 6% dos contactados manifestaram o desejo de passarem a adquirir a imprensa do Partido. É sabido, porém, que muitas vezes as pessoas não tomam só por si a iniciativa de ir ao Centro de Trabalho ou de fazer assinaturas, portanto, também aqui são necessárias medidas do ponto de vista da organização. Mas é a situação relativa às quotas que Manuela Pinto Ângelo considera o indicador mais importante: «além das situações de camaradas a regularizarem as quotas em atraso, do conjunto dos contactados, 27% aumentaram a quota». Quer isto dizer que, também do ponto de vista dos recursos financeiros, esta campanha se revela importante para o Partido.
Mais, na opinião de Manuela Pinto Ângelo, esta campanha deve ainda ser relacionada com os objectivos - que são afinal indissociáveis - de outras acções de reforço do Partido, como seja a do recrutamento ou do aumento das vendas do Avante! e, principalmente, a de reforço do Partido nas empresas e locais de trabalho. Por essa via, diz, «é possível também encontrar pontas e ligações e ganhar camaradas para intervirem directamente nos locais de trabalho».
«Esta campanha de contactos é, pois, um grande desafio», na medida em «pode contribuir para que os resultados a todos estes níveis sejam muitíssimo melhores».
Campanha não é para limpar ficheiros
Martinho Baptista, membro do Comité Central e da Direcção da Organização Regional de Lisboa, considera, como Manuela Pinto Ângelo, que é no trabalho junto das empresas e locais de trabalho que o Partido deve fazer incidir os seus esforços. «No fim desta campanha, a partir dos dados que tiver, será possível ao Partido potencializar a militância, tornar a sua organização mais eficiente e dar resposta às questões que se coloquem».
Não é, contudo, uma campanha fácil, particularmente numa organização como a da Organização Regional de Lisboa, com mais de 30 mil militantes, ou mesmo a da cidade de Lisboa, com 7 mil militantes, diz. «A sua sistematização está, entretanto, concluída sob o ponto de vista orgânico, há trabalho realizado, ainda que insuficiente, e é possível a partir de agora avançar com mais rapidez». «Rapidez, não facilitismo», adverte Martinho Baptista, insistindo na ideia de que o objectivo desta acção não é proceder «a uma limpeza de ficheiros» mas sim ao apuramento de casos relativos, por exemplo, a camaradas entretanto falecidos e de que não havia conhecimento, a transferências de residência ou de local de trabalho que não foram comunicadas, e, naturalmente, ao contacto com os membros do Partido afastados ou desligados da actividade». Por outro lado, há casos de fichas preenchidas de forma mais ou menos administrativa, num contacto semi pessoal ou de telefone, insuficiente, que acaba por não aprofundar as disponibilidades para o trabalho do Partido.
Em Lisboa, o perigo do tal «facilitismo» tem sido combatido com a criação de um grupo de trabalho a quem cabe também apreciar os resultados dos contactos feitos. Conta o caso de perda de contacto com um camarada que tinha entrado num lar que «não se conseguia localizar». Não se desistiu, contactou-se a vizinhança e acabou-se por saber qual era o Lar, sendo que esse camarada pretendia continuar membro do Partido, a ter contacto com a organização, a pagar quotas e, até, a receber o Avante.
Mas há outros exemplos. É o caso do concelho do Cadaval, concelho de carácter rural, onde a organização promoveu numa tarde uma jornada para esse efeito, contactando dezenas de camaradas e resolvendo a situação de outras dezenas de membros do Partido, que não eram contactados há anos.
Também em resultado dos contactos iniciados, uma série de camaradas disponibilizaram-se para a execução de tarefas e alguns têm mesmo já responsabilidades de direcção nas respectivas organizações, caso de dois jovens do Sector Intelectual de Lisboa.
Por fim, Martinho Baptista reitera a ideia de que a concretização destes objectivos da campanha é «fundamental para o futuro do Partido». E acrescenta «aquilo que nós conseguirmos com todo este trabalho, vai permitir que o Partido se reforce a todos os níveis, que mais camaradas participem, que as organizações se possam revitalizar, que se rejuvenesçam organismos, que se criem novas células».