Segurança e defesa

A Europa das armas

Num momento em que as imagens da guerra horrorizam o mundo, o Parlamento Europeu aprovou, dia 10, uma resolução em que defende o reforço das capacidade militares da União Europeia e a criação de uma política externa de segurança e de defesa comum dotada de todos os meios.
O documento, rejeitado pelos deputados do PCP, propõe, «em resposta à Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos – a criação de uma Estratégia de Segurança da União Europeia que defina os valores e interesses da União no domínio da promoção da estabilidade à escala mundial, da prevenção de conflitos e da gestão de crises». Esta estratégia, afirma-se, «poderá contribuir para melhorar as relações de cooperação baseadas em interesses comuns entre a União Europeia e os EUA para reduzir as actuais divergências».
Significativo é ainda o facto de considerar que «a luta contra o terrorismo não só tornou obsoleta a noção de limites geográficos para os compromissos militares, mas desfez também a distinção tradicional entre política de segurança externa e nacional».
A resolução considera ainda que as missões Petersberg (intervenções com fins exclusivamente humanitários) «deveriam ser revistas e alargadas a outras missões que incluam o recurso a meios militares, como a prevenção de conflitos, as operações conjuntas de desarmamento, o aconselhamento e a assistência no domínio militar, a estabilização após conflitos e o combate ao terrorismo; tal implica que a União Europeia deve prever diferentes tipos de intervenção de intensidade variável».
O financiamento das operações militares passaria a ser suportado, segundo a proposta, pelo orçamento comunitário, o que implica a alteração das disposição do Tratado da União Europeia. O Parlamento Europeu avança ainda com a ideia de criação de uma polícia e de um corpo de guarda costeira comuns.
Para a deputada Ilda Figueiredo esta resolução representa «uma atentado claro à soberania de cada país» e aponta para a «criação de uma Europa baseada na força das armas». Os deputados do PCP votaram contra porque «defendemos a paz e a cooperação, não a guerra. Os conflitos devem ser resolvidos pela via diplomática, não pela força das armas. A corrida aos armamentos não só implica um desvio para esta área de meios essenciais ao desenvolvimento e ao combate à pobreza e exclusão social, como pode conduzir a novas guerras e à destruição da humanidade».
Entretanto, a Bélgica, França, Alemanha e Luxemburgo decidiram promover um debate, no próximo dia 29, na capital belga, sobre propostas concretas em matéria de defesa, que passam designadamente pela criação de uma agência europeia de armamento ou por cooperações reforçadas em missões militares.


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