Combater a regressão social
A quinzena de luta da CGTP, iniciada no Dia Internacional da Mulher, culmina no dia 21 de Março com paralisações, concentrações e manifestações por todo o País.
Iniciada no passado sábado, com uma tribuna pública sobre os direitos da mulher trabalhadora, a quinzena de luta da CGTP tem o seu final, e apogeu, no próximo dia 21, na «jornada de acção nacional e europeia contra a regressão social e pelos direitos dos trabalhadores». Em diversas empresas e sectores, por todo o País, ocorrerão paralisações do trabalho, plenários e concentrações. As grandes acções também marcarão este dia de luta, em Lisboa, no Porto e em Setúbal. A Praça do Município, em Lisboa, será o ponto de encontro para a manifestação, que se inicia às 15 horas. Meia hora antes tem início na Praça da Batalha, no Porto, uma concentração. Em Setúbal, os trabalhadores concentram-se às 10 da manhã no Jardim do Quebedo. Com estas acções, a CGTP pretende continuar a sua luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores, em defesa dos contratos colectivos e pelo aumento real dos salários. Os trabalhadores irão também protestar contra o aumento dos preços de bens e serviços essenciais e contra as políticas sociais do Governo, nomeadamente o ataque aos serviços públicos da saúde e do ensino. A defesa da segurança social e a adopção de políticas promotoras do desenvolvimento são outras das reivindicações.
Contra os despedimentos
Entre o passado dia 8 e o dia 21, a CGTP promove por todo o País um conjunto de iniciativas sobre diversos assuntos relacionados com a situação dos trabalhadores portugueses e a ofensiva do patronato e do Governo. Hoje, às 15 horas, no Tribunal de Vila Franca de Xira, realiza-se uma concentração de trabalhadores que perderam os seus empregos em virtude do encerramento das empresa e que são, actualmente, credores do patronato. Com esta concentração, os trabalhadores exigem maior celeridade de funcionamento dos tribunais e o pagamento dos salários em atraso e as indemnizações. Muitos destes trabalhadores esperam pelas indemnizações há mais de dez anos.
Amanhã, dia 14, realiza-se no Largo de Camões, em Lisboa, uma tribuna pública com trabalhadores que perderam ou estão em risco de perder os seus empregos em virtude dos encerramentos das suas empresas.
Dar a volta ao pacote
A luta contra o pacote laboral não foi esquecida desta quinzena de luta. Na passada segunda-feira, dia 10, a União de Sindicatos de Lisboa realizou uma acção, com o lema «dar a volta ao pacote». Durante um dia inteiro, várias dezenas de dirigentes e activistas sindicais percorreram o perímetro da Assembleia da República com o objectivo de mostrar aos deputados que é necessário mudar o código de trabalho, que está a ser debatido na especialidade. Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da
CGTP, juntou-se ao protesto e denunciou a forma como o debate está a decorrer. Segundo o dirigente sindical, os partidos do Governo «não aceitam qualquer alteração proposta pelos restantes partidos», o que revela uma «visão corporativa do funcionamento da AR».
Da parte da manhã, os sindicalistas afixaram cartazes em todos os postes existentes em redor do parlamento, tendo a primeira volta ao edifício sido realizada às 17 horas do dia 10, com a participação de membros da comissão executiva da CGTP, e a última terminado à mesma hora do dia seguinte. Durante a noite, os trabalhadores a marcharam empunhando archotes.