Várias povoações ficaram totalmente privadas
de transporte público
Barraqueiro não pode deixar Alentejo ainda mais isolado

AUTOCARROS Contra a intenção da Rodoviária do Alentejo (Grupo Barraqueiro) de prolongar o lay-off até Agosto do próximo ano, a CGTP-IN realizou no dia 24 uma acção de protesto em Portalegre.

Junto às instalações da transportadora reuniram-se algumas dezenas de pessoas, na tarde da passada sexta-feira, respondendo ao apelo da União dos Sindicatos do Norte Alentejano e do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal.
Esta acção, em que intervieram Isabel Camarinha, Secretária-geral da CGTP-IN, e Anabela Carvalheira, dirigente da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), seguiu-se à informação de que a Rodoviária do Alentejo, depois de sucessivos prolongamentos mensais do «lay-off simplificado» (com apoios públicos), pretende iniciar no dia 1 de Agosto um período de 12 meses de redução dos períodos normais de trabalho ou suspensão da prestação de trabalho (lay-off nos termos do Código do Trabalho).
As estruturas da CGTP-IN consideram inaceitável que tal decisão possa ser concretizada, recordando que foram suprimidas ligações e também a Rede Expressos, em lay-off, reduziu de 10 para duas as carreiras diárias do distrito de Portalegre, cuja população fica cada vez mais isolada.

A par da diminuição da já reduzida oferta de transporte público rodoviário, o lay-off representa uma redução dos salários dos trabalhadores, que têm estado a receber apenas dois terços da remuneração-base, ficando sem os valores mensais referentes a rubricas como o «agente único», as diuturnidades ou o trabalho suplementar.
Defendendo que o Governo não pode ser um mero espectador, perante a não reposição do serviço por parte de empresas privadas que recebem apoios do Estado, a CGTP-IN insiste na necessidade de uma empresa pública de transporte rodoviário de passageiros.
Como o Governo remete a responsabilidade para os municípios, como autoridades de transporte, uma delegação sindical reuniu-se com um representante da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), mas «nada de útil resultou», adiantou o sindicato.
Nessa sexta-feira à noite, em Mafra, reuniram-se em plenário os trabalhadores da Mafrense (também do Grupo Barraqueiro), para discutir respostas ao anúncio de mais nove meses de lay-off.

PCP questionou

Também no dia 24, o grupo parlamentar do PCP questionou o Governo acerca das medidas que pretende adoptar face à decisão da Rodoviária do Alentejo, seja para garantir os direitos dos trabalhadores, nomeadamente manter integrais os seus salários, seja para assegurar que é retomada a actividade da transportadora.
A Direcção da Organização Regional de Évora, que divulgou a iniciativa das deputadas Diana Ferreira e Vera Prata, recordou que o PCP propôs na Assembleia da República acabar com o lay-off nos transportes, mas a medida foi rejeitada, no dia 23, com abstenções do PSD, CH, IL e votos contra de PS e CDS.

 

Alerta sobre gestão da água

A empresa que dez municípios do distrito de Portalegre estão a criar, através da CIMAA, para a gestão da água (distribuição em baixa) pode levar à degradação das relações laborais e do serviço prestado e ao aumento dos preços aos consumidores, como sucedeu noutros sistemas semelhantes.
O aviso foi deixado na sexta-feira, dia 24, numa «tribuna pública» que o STAL/CGTP-IN realizou junto à Câmara Municipal de Ponte de Sor. Este município lidera o processo e o presidente da CM é também presidente da Comunidade Intermunicipal.
A população e os trabalhadores têm de resistir, apelou Jorge Fael, que interveio em nome da Associação Água Pública.

 



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