- Edição Nº2435  -  30-7-2020

Escalada de provocações dos EUA contra a China

TENSÃO Em mais uma escalada da tensão entre Washington e Pequim, os EUA mandaram encerrar o consulado chinês em Houston e expulsaram do país em 72 horas os seus diplomatas, invocando alegada espionagem. A China respondeu de forma simétrica e mandou fechar o consulado norte-americano em Chengdu.

A China tomou posse, na segunda-feira, 27, das instalações do consulado dos Estados Unidos em Chengdu, na província de Sechuan, depois de mandar encerrar as suas actividades, em reciprocidade a uma acção similar de Washington contra o consulado chinês em Houston, no Texas.

Em Pequim, o Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou em comunicado que a representação diplomática norte-americana em Chengdu cessou as suas actividades, conforme determinado três dias antes pelas autoridades chinesas.

A China revogou a licença de funcionamento do consulado dos EUA em Chengdu depois de Washington, «de forma unilateral e de surpresa», ter obrigado o consulado chinês em Houston a fechar. A Casa Branca deu esse passo com o argumento, segundo o Departamento de Estado, de que o consulado chinês em Houston estaria alegadamente envolvido «em operações massivas de espionagem ilegal e de influência em território norte-americano, desde há anos».

Para Pequim, «as medidas adoptadas pela China são uma resposta legítima e necessária às acções sem fundamento dos EUA, estão em consonância com o direito internacional, as normas básicas do direito internacional e a prática diplomática», como salienta uma nota do governo chinês. Acrescenta que «a responsabilidade recai inteiramente na parte norte-americana», a quem pede mais uma vez para «cancelar uma decisão errada e criar as condições necessárias para normalizar as relações» bilaterais.

Provocações agressivas

O presidente Donald Trump pronunciou-se sobre o encerramento do consulado chinês em Houston e não descartou o fecho de outras representações diplomáticas chinesas nos EUA.

A China rejeitou todas as alegações de Washington e acusou os EUA, em diversas ocasiões, de repetidas violações do direito internacional, de promover o ódio contra cidadãos chineses, de estigmatizar e atacar o sistema social da China, de acossar pessoal diplomático, de intimidar e interrogar estudantes chineses e apreender-lhes equipamentos eletrónicos sem qualquer justificação.

O consulado dos EUA em Chengdu foi inaugurado em 1985, contava com 200 funcionários e, segundo o diário South China Morning Post, de Hong Kong, era de «importância estratégica», já que cobria todo o Sudoeste da China, incluindo várias províncias e a região autónoma do Tibete e Chongqing. Os EUA passam a ter quatro consulados em território continental da China – em Cantão (Guangzhou), Shangai, Shenyang e Wuhan –, além do consulado geral para Hong Kong e Macau.

Este incidente diplomático é mais um elemento que agrava as fricções entre as duas potências. O fecho do consulado de Houston e o apelo do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, que pediu aos aliados dos EUA apara usar «formas mais criativas e enérgicas» de pressionar o Partido Comunista da China, são vistos em Pequim, segundo a imprensa chinesa, como provocações mais agressivas e, por isso, passíveis de desencadear reacções mais perigosas.

Todas estas provocações norte-americanas, a somar à insistência da Administração Trump em intrometer-se em assuntos internos chineses como o Tibete, Hong Kong, Xinjiang e Taiwan, colocam as relações bilaterais entre a China e os EUA num dos seus piores momentos, o que já levou Pequim a alertar para os perigos de uma nova Guerra Fria no mundo.