«com os trabalhadores e o povo, pelo desenvolvimento soberano do País»
INTERVENÇÃO INIGUALÁVEL

Vários acontecimentos marcam a actual situação política e social nacional, nomeadamente as conclusões da reunião do Conselho Europeu. O PCP reafirma que não se deixa deslumbrar pelos números dos montantesa que Portugal vai ter acesso, que não compensam os prejuízos pelo Mercado Único e a Moeda Única einsiste que o que se exige é que eles sejam utilizados ao serviço de uma estratégia de desenvolvimento soberano, rejeitando imposições e condicionalismos externos.

No mesmo sentido foi a intervenção de Jerónimo de Sousa nodebate sobre o estado da Nação, na passada sexta-feira na Assembleia da República, chamando a atenção para as fragilidades estruturais do País que décadas de política de direita contrária aos interesses nacionais, sistematicamente agravaram. «O que precisamos de debater – sublinhou – é por isso o estado de um País que mantém os seus crónicos défices estruturais – à cabeça dos quais está um grave défice produtivo que um contínuo processo de desindustrialização e de abandono de outras actividades produtivas foi agravando. (…) Um País que se tornou crescentemente dependente (…), que continua a apresentar cavadas desigualdades sociais e regionais e graves problemas sociais, onde pesa a precariedade no trabalho, o desemprego e uma persistente e injusta distribuição da riqueza.

Toda uma realidade que fragilizou e debilitou Portugal e que agora o surto epidémico expôs em toda a sua crueza». E insistiu que faltam medidas e opções, de curto e de longo alcance, que não estejam condicionadas pelos interesses dos grupos económicos e financeiros e pelas imposições da União Europeia. Portugal precisa de assegurar a sua soberania monetária e orçamental e assegurar o seu desenvolvimento soberano.

É também este o sentido da apreciação que o PCP faz ao Programa de Recuperação Económica e Social (PRES) que o Governo apresentoue que mantém no essencial pressupostos e opções que têm condicionado e impedido o desenvolvimento nacional e estão na base das desigualdades e injustiças que marcam a sociedade e o território.

Como o PCP sublinha, a forma e o percurso assumidos por este programa, com o Governo a recorrer a uma personalidade exterior, dizem muito do carácter episódico e casuístico para onde foi atirada ao longo dos anos a capacidade de planeamento estratégico do Estado português. Para o PCP a questão decisiva está em saber como e ao serviço de quem esses objectivos se devem concretizar. Se ao necessário aumento da riqueza produzida está também associada a sua justa distribuição ou se pelo contrário ela concorrerá para uma ainda maior desigualdade na repartição entre capital e trabalho; se a industrialização e a modernização do tecido produtivo enunciados tem como pressuposto o controlo nacional e a substituição de importações ou apenas o desenvolvimento de novos segmentos produtivos integrados na subordinação vigente no País ao capital estrangeiro; se a exploração dos recursos nacionais tem como objectivo a sua integração numa estratégia soberana ou se se destinará a abrir um novo campo de domínio monopolista e predador dos recursos nacionais.

Na verdade, para lá dos enunciados e propostas gerais, o PRES assume em toda a sua extensão opções e critérios que têm determinado os eixos da política de direita que ao longo de décadas marcaram, com os resultados negativos conhecidos, o País e as suas condições de desenvolvimento, ou seja a subordinação aos interesses do grande capital e de submissão ao euro e às imposições da União Europeia.

Ora, o que Portugal precisa é da política patriótica e de esquerda que o PCP defende e propõe ao povo português.

Entretanto desenvolve-se a luta dos trabalhadores em torno da acção reivindicativa e das populações por melhores condições de vida.

Por sua vez, o PCP dinamiza a sua acção; assume o seu funcionamento; desempenha o seu papel em defesa dos trabalhadores e do povo; intervém tendo em vista assegurar o seu reforço; prepara o XXI Congresso e a 44.ª edição da Festa do Avante!.

Trata-se de uma Festa que realizando-se num momento de acrescida preocupação em relação ao presente e ao futuro da nossa vida colectiva, implica também acrescidas exigências no integral cumprimento das medidas de protecção sanitária necessárias, para que possa ser vivida no clima de fraternidade, alegria, tranquilidade e confiança que a caracteriza como iniciativa político-cultural inigualável. Mas impõe igualmente uma acção determinada por parte das organizações e militantes do PCP e da JCP e amigos do PCP e da Festa para a sua dinamização, assegurando o seu êxito. Neste quadro, a preparação desta edição da Festa, requer particular atenção a todas as medidas necessárias tendo em vista a sua ampla divulgação, venda da EP e ainda mais cuidadosa construção.

É este Partido que, por piores que fossem as circunstâncias, nunca virou a cara à sua luta quase centenária ao serviço do povo e da pátria, que continuará a intervir no presente pela concretização do seu projecto com profundas razões de confiança no futuro.




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