A actual crise revelou uma sociedade profundamente injusta e desigual
Apoio e estímulo a quem luta no coração do imperialismo

IGUALDADE O CPPC realizou no dia 9, em Lisboa e no Porto, duas acções de solidariedade com o povo dos EUA, que enfrenta o racismo, as desigualdades, a injustiça, a repressão, a doença e a ameaça do fascismo.

«Pela justiça e a igualdade social!» foi o lema que presidiu às acções promovidas pelo CPPC, a que se associaram muitas outras organizações. Na base das convocatórias esteve a solidariedade com o povo dos EUA, que protesta há várias semanas em todo o país, na sequência do assassinato do cidadão negro George Floyd às mãos da polícia de Minneapolis. O repúdio por mais este crime de motivação racista constituiu o rastilho para uma contestação mais vasta, visando os próprios alicerces de uma sociedade profundamente injusta, desigual, violenta e crescentemente antidemocrática.

Com a pandemia, tudo se agravou. Os EUA são, hoje, o país com maior número de mortos por COVID-19, mais de um quarto do total mundial. Para lá da gravidade da doença, a demora da administração Trump em tomar (fracas) medidas de saúde pública e a existência de um sistema de saúde assente em seguros privados, dos quais 30 milhões se encontram excluídos, são factores explicativos para a elevada mortalidade, que afecta desproporcionalmente os mais pobres e os negros, que constituem parte significativa daqueles.

À grave situação sanitária somou-se a agudização da crise económica e social, a mais profunda das últimas décadas. Como lembrou na acção de Lisboa André Levy (biólogo e durante anos residente nos EUA), a «taxa efectiva de desemprego deverá estar próxima dos 25%». Se, em 2019, um terço da população (100 milhões de pessoas) encontrava-se em situação de pobreza, a maioria das quais negros e latinos, os três norte-americanos mais ricos detinham uma fortuna superior à da metade mais pobre do país. Os apoios aprovados pelo Congresso para fazer face à crise beneficiaram sobretudo as maiores empresas. Enquanto isso, o orçamento militar atinge em 2020 o máximo histórico.

Racismo, militarismo, fascismo
Neste país, que se autoproclama a «terra da liberdade», há 2,3 milhões de presos (um quinto da população prisional do planeta), a que se somam mais 4,5 milhões em liberdade condicional. Mais uma vez, as minorias étnicas – e em especial os negros – são particularmente afectados.

Também ali, como as manifestações das últimas semanas evidenciaram, as forças policiais encontram-se altamente militarizadas, tanto ao nível do equipamento como do treino e da própria mentalidade. Só os mais distraídos estranharão que os protestos estejam a ser tratados, em diversas cidades, como actos de insurreição: granadas de atordoamento, balas de borracha e gás pimenta são alguns dos recursos utilizados contra manifestantes, para além, é claro, das «tradicionais» bastonadas. O recurso à Guarda Nacional e a ameaça de intervenção do Exército revelam também a preocupante tendência para a fascização da sociedade norte-americana, que não sendo de hoje está a ser agudizada pela actual administração.

Esta militarização das forças policiais, iniciada em 1997 sob a presidência de Bill Clinton, juntou-se ao racismo já profundamente enraizado em grande parte dos departamentos, e muito para lá deles. O assassinato de George Floyd foi «apenas» mais um de uma longa lista de cidadãos negros mortos pela polícia. A explosão social que provocou traz em si a contestação a todas estas injustiças, a todos estes crimes, e a profunda (e cada vez mais massificada) aspiração a democracia, igualdade e justiça social.

Alerta, denúncia e solidariedade

As acções de dia 9, realizadas em escrupuloso cumprimento das normas de segurança sanitária, constituíram simultaneamente momentos de alerta, denúncia e solidariedade. O apoio à luta do povo norte-americano pela justiça e igualdade social implica a denúncia do sistema que produz e reproduz semelhantes crimes e desigualdades, não só contra o seu próprio povo, mas contra os povos do mundo, a paz e a segurança internacionais.

Em Lisboa, Filipe Ferreira, do CPPC, realçou que ao mesmo tempo que a pandemia ceifava mais de 100 mil vidas norte-americanas e a crise económica provocava milhões de novos desempregados e pobres, a administração Trump continua a «agredir outros povos do mundo»: os exercícios militares em curso no Norte da Europa são disto exemplo.

Paulo Renato, sindicalista de origem cabo-verdianana, denunciou as dramáticas condições laborais de muitos imigrantes no nosso país, que os tornam nas principais vítimas da precariedade e acidentes de trabalho. A integração económica, social e cultural dos imigrantes é, desde sempre, uma causa do movimento sindical unitário, garantiu. João Barreiros, dirigente da CGTP-IN, sublinhou a importância de, lá como cá, lutar pelos direitos e os serviços públicos. Francisco Canelas, da URAP, denunciou particularmente a tentativa da administração Trump de criminalizar quem resiste ao imperialismo e ao fascismo.

A acção no Porto, realizada junto à Casa da Música, foi dirigida por João Rouxinol, do CPPC. Intervieram o jovem Afonso Beirão, o professor e sindicalista Henrique Borges e Ilda Figueiredo, presidente da direção do CPPC. Todos afirmaram a solidariedade ao povo dos EUA, bem como a todos os povos que também são vítimas das ingerências, chantagens, bloqueios económicos e ameaças de agressão, como sucede desde logo na América Latina e no Médio Oriente. Na Palestina, lembraram, o actual governo de Israel pretende agravar a ocupação a partir do próximo dia 1 de Julho, com total apoio da administração norte-americana.

Quanto ao alerta, deixou-o Filipe Ferreira em Lisboa, quando rejeitou as tentativas de divisão dos que se opõem ao imperialismo, à guerra e ao fascismo, concluindo que a unidade é a maior força dos explorados e dos que sofrem com as injustiças.

 



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