É inegável a ligação dos EUA e da Colômbia à tentativa de incursão de um grupo de mercenários
Venezuela pronta para defesa da soberania e da estabilidade

MERCENÁRIOS A Venezuela está pronta a defender a sua soberania, apesar da tentativa de incursão terrorista do dia 3, por um grupo de mercenários apoiados pelos governos da Colômbia e dos EUA, em coordenação com Guaidó e sectores da extrema-direita venezuelana.

As forças de segurança da Venezuela continuavam, na terça-feira, 12, empenhadas em capturar os envolvidos na tentativa falhada de incursão marítima, de um grupo de cerca de 60 mercenários, levada a cabo, no dia 3, nas costas de La Guaira, no litoral Norte do país, próximo de Caracas.

Até esse momento tinham sido abatidos oito dos operecionais da chamada Operação Gedeón e detidas, em diferentes momentos, 37 pessoas, incluindo dois ex-militares norte-americanos. Entre os mercenários abatidos conta-se o ex-capitão Robert Colina Ibarra, aliás «Pantera», um dos chefes do bando. As capturas, com a ajuda das populações, dos mercenários terroristas tiveram lugar em zonas costeiras e de montanha, nos estados de Miranda, La Guaira e Aragua.

O Comando Estatégico Operacional da Força Armada Nacional Bolivariana (CEO-FANB) anunciou, no domingo, 10, a captura de mais oito mercenários terroristas, sete homens e uma mulher, implicados na operação. O chefe do grupo, também preso, é sobrinho do major-general reformado Clíver Alcalá Cordones, que vivia na Colômbia e é apoiante de Juan Guaidó e acusado de ligações a redes de narcotráfico. A 26 de Março, em Barranquilla, declarou a uma rádio que, com Guaidó e assessores norte-americanos, planeou a compra de armas para introduzi-las na Venezuela e realizar atentados selectivos, incluindo o do presidente Nicolás Maduro. Dias depois, foi levado para os EUA.

Entre outros mercenários presos, segundo as autoridades venezuelanas, encontram-se desertores militares de baixa patente, alguns dos quais já tinham estado envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 30 de Abril de 2019, dirigida por Guaidó.

Ligações reveladoras

Oito dos mercenários foram capturados com o auxílio de pescadores de Chuao, uma aldeia costeira no Estado de Aragua, no Norte. Um deles, o ex-capitão Antonio Sequea Torres, identificou-se num vídeo distribuído pelas redes sociais como o comandante da Operação Gedeón. Um outro, filho do ex-general Raúl Isaías Baduel, condenado por corrupção, quando foi ministro da Defesa (2006-2007) admitiu a participação nesta tentativa gorada de desembarque integrando dois norte-americanos, «intermediários do chefe da segurança do presidente dos EUA, Donald Trump».

Os dois norte-americanos, que se encontravam entre os 13 capturados logo após a fracassada incursão marítima, foram identificados como Luke Denman e Aaron Barry, ex-militares das forças especiais dos EUA e veteranos de guerra.

Ambos tinham cartões de identificação da Silvercorp USA, uma empresa de segurança privada do ex-«boina verde» (membro das forças especiais norte-americanas) Jordan Goudreau, que reconheceu ter assinado com Guaidó, com o deputado Sergio Vergara e com o assessor Juan José Rendón, um «contrato geral de serviços», por 212 milhões de dólares, para executar esta acção militar na Venezuela.

Na segunda-feira, 11 – já depois de divulgados testemunhos dos mercenários detidos, dos presidentes Trump e Iván Duque terem negado, com desfaçatez, o envolvimento dos EUA e da Colômbia na tentativa de invasão, e de Juan Guaidó, sem pudor, se ter «demarcado» do golpe falhado –, Vergara e Rendón renunciaram aos cargos que tinham no comité estratégico do presidente interino e homem de mão da Casa Branca.

O último episódio ligado à falhada tentativa de incursão marítima do bando de mercenários na Venezuela, foi terem sido encontradas em águas venezuelanas, no rio Orinoco, a sul da fronteira, três lanchas rápidas militares, com armas e munições, pertencentes à marinha de guerra da Colômbia, cujas autoridades alegaram que os barcos tinham sido arrastados pela corrente…

A propósito, o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, em entrevista à Caracol Radio, da Colômbia, afirmou que «é mais que óbvia, é notória a conivência das autoridades colombianas» na incursão falhada de 3 de Maio. Arreaza esclareceu que a devolução dos barcos dependerá dos contactos que se estabeleçam entre os governos de Bogotá e de Caracas.

Apoio do Grupo de Puebla

O Grupo de Puebla, aliança encabeçada por líderes progressistas de 14 países, repudiou na segunda-feira, 11, as acções militares clandestinas em curso para desestabilizar o governo constitucional da Venezuela liderado pelo presidente Nicolás Maduro.

Num comunicado divulgado em Buenos Aires, o Grupo de Puebla, impulsionado, entre outros, pelo presidente argentino Alberto Fernández e por vários ex-presidentes e personalidades da América Latina e Europa, condenou a tentativa de desembarque de um grupo de mercenários ocorrida no dia 3, em território venezuelano.

«Essa tentativa de invasão por um bando paramilitar, contratado, segundo versões da imprensa, por um assessor político de Juan Guaidó [como foi comprovado], tinha como objectivos declarados praticar actos terroristas no país, sequestrar o presidente Maduro, assassinar líderes do governo venezuelano, aumentar a violência e gerar caos e confusão entre a população», assinala.

Os integrantes do Grupo de Puebla – nascido na Cidade mexicana de Puebla em Julho de 2019 – indicaram que o episódio recorda, de maneira lamentável, a tentativa, também falhada, da invasão a Cuba em Playa Girón [Baía dos Porcos], em 1961, como o recordaram os próprios meios de comunicação norte-americanos.

No comunicado, os membros da aliança progressista qualificaram de inaceitável que, no século XXI, a América Latina continue a ser alvo de acções ilegais, violentas e clandestinas, destinadas a promover mudanças no regime político de um país.

«Também é inaceitável que, no meio da maior pandemia dos últimos 100 anos, que provocou uma crise sanitária e económica muito grave na América Latina e no mundo, a prioridade de certos governos e forças políticas seja promover acções violentas para desestabilizar um governo, neste caso o da Venezuela», salienta o texto.

Além disso, a aliança integrada por ex-presidentes como os brasileiros Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef, o equatoriano Rafael Correa e o bolivariano Evo Morales, considera que este não foi um acto isolado mas parte de acções e medidas que terão sido coordenadas pelo Departamento de Estado dos EUA para aumentar a pressão sobre o governo venezuelano.

«A continuação do bloqueio comercial e económico que os EUA estão a promover contra a Venezuela, por exemplo, causa um sofrimento indescritível para esse povo, ao evitar a compra de alimentos, medicamentos e equipamentos médicos essenciais para combater a pandemia», destaca o comunicado.

O Grupo de Puebla exigiu o levantamento imediato do bloqueio económico, comercial e político que os EUA estão a promover contra a Venezuela, para aliviar o sofrimento do povo e permitir combater melhor os efeitos sanitários e económicos da pandemia.



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