A riqueza dos multimilionários norte-americanos não pára de aumentar
EUA mais desiguais em tempo de pandemia

CAPITALISMO Em plena crise sanitária, que afecta com particular violência os EUA, agravam-se as desigualdades no país: o desemprego atinge os mais altos valores em anos enquanto os mais ricos aumentam as suas fortunas.

Os EUA são o país mais afectado pela pandemia de COVID-19. Segundo dados de anteontem, 12, divulgados pela Organização Mundial de Saúde, estavam registados no país quase 1 milhão e 300 mil casos de infecção e mais de 78 mil mortes.

Mas o surto epidémico está longe de ser o único problema a afectar a principal potência capitalista do planeta: em Abril, a taxa de desemprego atingiu 14,7%, a mais alta desde o último pico de crise, em 2008; só no mês passado foram extintos mais de 20 milhões de postos de trabalho. Também a taxa de subemprego (que contabiliza desempregados e trabalhadores a tempo parcial) terá atingido em Abril os 22,8%, calcula a estação NBC, estimando que 5,1 milhões de pessoas reduziram as horas de trabalho e, por consequência, a sua remuneração.

Entretanto, o norte-americano Instituto de Estudos Políticos (IPS, na sigla inglesa) divulgou o estudo Billionaire Bonanza 2020, que revela o outro lado da moeda: num quadro em que o PIB do país deverá recuar 4,8% e em que são já milhões os norte-americanos que necessitam de apoio alimentar, a riqueza de 34 multimilionários cresceu 9,5%, ou seja, mais 261 milhares de milhões de euros do que já antes detinham. Este valor supera o do PIB de Portugal.

À cabeça da lista do IPS surgem os donos da Amazon e da Tesla, Jeff Bezos e Elon Musk, cujas fortunas cresceram, neste período, respectivamente 22 mil milhões e dois mil milhões de euros. A ex-mulher de Jeff Bezos, MacKenzien Bezos ganhou perto de 7,7 mil milhões, e o fundador e líder da aplicação Zoom (de vídeochamadas), Eric Yuan, amealhou mais 2,4 mil milhões.

O Billionaire Bonanza 2020 realça, porém, que esta tendência não é de agora. O número de multimilionários aumenta, assim como as suas fortunas, desde há vários anos, enquanto a maioria da população se afunda no desemprego e no endividamento.




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