É necessário defender a verdade sobre a Segunda Guerra Mundial
75.º Aniversário da Vitória sobre o nazi-fascismo
75 anos depois unidade e luta por um mundo melhor

EVOCAÇÃO O programa do PCP de comemoração dos 75 anos da Vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial iniciou-se na manhã de 9 de Maio, com uma declaração do Secretário-geral, Jerónimo de Sousa, transmitida pela Internet, que transcrevemos na íntegra.

Assinala-se hoje os 75 anos da Vitória sobre o nazi-fascismo. Uma data que assume um significado tanto maior quando se torna necessário defender a verdade sobre o que foi e o que representou a Segunda Guerra Mundial, combater tentativas de falsificação da História e retirar ensinamentos para que jamais uma tal tragédia aconteça.

O dia 9 de Maio de 1945, o dia da Vitória, marca a derrota do nazi-fascismo e do seu brutal projecto de exploração, opressão e domínio mundial.

O nazi-fascismo foi responsável pelo horror dos campos de concentração, do trabalho escravo, do massacre sistemático de populações, por incontáveis e cruéis sofrimentos e privações, pela mais devastadora guerra que foi imposta aos povos.

O nazi-fascismo foi a mais violenta e criminosa forma de dominação gerada pelo capitalismo – a ditadura terrorista dos monopólios –, responsável por uma das páginas mais negras da História.

A Segunda Guerra Mundial foi inseparável da maior crise do capitalismo e do ascenso do fascismo, que Portugal também conheceu e que o povo português derrotou em Abril de 1974. Os grandes grupos económicos e financeiros viam no fascismo – com o seu anticomunismo e nacionalismo xenófobo e programa de liquidação de liberdades e direitos democráticos, de militarismo e de expansão mundial – um instrumento para a concretização da sua política de exploração e dominação.

Mas, se é preciso não deixar esquecer a origem, o carácter de classe e os hediondos crimes do nazi-fascismo, comemorar o dia da Vitória é também, e sobretudo, homenagear os que heroicamente o combateram, os milhões de homens, mulheres e jovens, que resistiram e lutaram, entregando as suas vidas se necessário, para libertar o mundo da barbárie nazi-fascista.

Acontecimento
de alcance histórico

É da mais elementar justiça sublinhar o contributo decisivo da URSS, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, do povo soviético e do seu Exército Vermelho, que – à custa de mais de 20 milhões de mortos e de enormes sacrifícios – determinou o curso da guerra e permitiu libertar a Humanidade do nazi-fascismo.

Como é indispensável sublinhar o contributo da resistência anti-fascista que lutou corajosamente contra as forças de ocupação nazis. Resistência onde os comunistas, com o movimento operário, assumiram um papel fundamental, e na qual milhares deram as suas vidas em prol da causa da liberdade.

Como importa ter presente o papel da Coligação dos Países Aliados, que veio a formar-se no decurso da guerra.

Só podem merecer o maior repúdio, as campanhas que visam diminuir, deturpar e negar o papel da União Soviética e dos comunistas na Vitória sobre o nazi-fascismo. São inaceitáveis as insultuosas campanhas que equiparam o opressor com o resistente, o carrasco com a sua vítima. Campanhas que branqueiam e reabilitam o fascismo, e que, sob o anticomunismo, escondem as concepções e os projectos mais reaccionários e antidemocráticos.

Mas, nenhuma campanha de mentiras e de falsificação histórica poderá apagar o papel decisivo da União Soviética e dos comunistas no combate contra o nazi-fascismo.

Combate em que se insere a luta do Partido Comunista Português pela liberdade e a democracia, contra a ditadura fascista em Portugal, que colaborou com o nazi-fascismo, oprimiu, torturou e assassinou, foi responsável pelo atraso, a miséria, as guerras coloniais.

A Vitória sobre o nazi-fascismo constitui um feito de uma extraordinária dimensão e alcance histórico. Após a derrota do nazi-fascismo, com o avanço das forças da paz, do progresso social e do socialismo, a luta pela emancipação dos trabalhadores e dos povos alcançou, por todo o mundo, conquistas históricas, que marcaram profundamente o século XX e que continuam a repercutir-se na actualidade.

Defender a paz

75 anos depois, numa situação internacional marcada pela crise estrutural do capitalismo, o imperialismo lança-se numa violenta ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, a soberania dos povos e a independência dos Estados, procurando fazer recuar avanços e conquistas sociais e nacionais alcançadas.

Os sectores mais reaccionários e agressivos do imperialismo promovem o fascismo e a guerra tentando levar ainda mais longe a exploração e a opressão.

Olhando para o significado da data que hoje assinalamos melhor se compreenderá a atitude de todos os que no nosso País pretendem reabilitar o regime fascista e apagar a actualidade e os valores da Revolução de Abril.

Num tempo em que os povos enfrentam sérias ameaças, o PCP apela à unidade dos democratas na luta em defesa da paz, ao mesmo tempo que reafirma que está nas mãos dos trabalhadores e dos povos a conquista de um mundo melhor, abrindo os caminhos da liberdade, da soberania, da democracia, do progresso social, da libertação de todas as formas de exploração e opressão.

Repor a verdade histórica

O vídeo transmitido ao início da tarde de sábado nos canais da Internet do Partido e o dossier disponibilizado em www.pcp.pt/vitoria-sobre-nazi-fascismo#comemoracoes constituem importantes documentos históricos sobre as origens, a natureza e os crimes do nazi-fascismo, as causas, o curso e o desfecho da Segunda Guerra Mundial, o protagonismo assumido pelos diferentes vencedores.

As fontes a que recorrem são factos e números, uma completa e reveladora cronologia e citações particularmente reveladoras de dirigentes e militares nazi-fascistas acerca dos objectivos que os moviam, de monopolistas alemães (e não só) manifestando o seu apoio à política criminosa do Terceiro Reich e ainda de vários líderes mundiais testemunhando o papel decisivo da União Soviética e dos comunistas para a Vitória.

Batalhas decisivas a Leste

Com a cronologia recordamos, por exemplo, que o Tratado de Não Agressão assinado em 1939 entre a URSS e a Alemanha foi um último recurso face à recusa das «democracias ocidentais» em chegar a acordo com os soviéticos para travar a agressão nazi-fascista e às suas múltiplas cedências aos planos agressivos de Hitler: a entrega da Espanha e da Checoslováquia aos fascistas são exemplos trágicos. Ou ainda que, como surge de modo ainda mais explícito no filme, Grã-Bretanha e Estados Unidos esperaram 1072 Dias D até abrirem finalmente a segunda frente de guerra. Durante esse longo período a União Soviética enfrentou sozinha os exércitos nazi-fascistas.

Para se ter noção do que isto significou, importa ter presente que – como escreveu o professor de História nas universidades de Cambridge e Yale, Adam Tooze – a agressão nazi-fascista contra a URSS, iniciada a 22 de Junho de 1941, foi a maior operação militar única de que há registo, com mais de 3 milhões de homens envolvidos numa imensa frente. Nem antes nem depois se viu nada semelhante.

Não será pouco relevante saber-se que o nazi-fascismo perdeu na Frente Leste 80 por cento dos seus homens e viu serem aí esmagadas, capturadas ou derrotadas607 divisões, ou seja, mais do triplo da soma das frentes do Norte de África, Itália e Europa Ocidental. Ou que, aquando do Dia D (em Junho de 1944), a URSS combatia 92% da totalidade das tropas terrestres da Alemanha nazi. Após a abertura da segunda frente, esse número desceu... para 74%.

Verdade indesmentível é que foi a URSS a pagar o mais elevado preço pela vitória: mais de 25 milhões mortos, cerca de 14 mil por dia; na Bielorrússia, um quarto da população foi dizimada. Tomando o conjunto das mortes soviéticas, britânicas e norte-americanas, os primeiros assumiram 95% do total.

Apoios e cumplicidades

Os propósitos dos nazi-fascistas e de quem os financiava e apoiava ficam também claros em algumas das citações referidas no dossier disponibilizado pelo Partido. Hitler, por exemplo, escreveu no Mein Kampf que a conquista de novos territórios para a Alemanha «apenas é possível a Leste» e, essencialmente, «à custa da Rússia». Himmler propunha-se a germanizar o Leste não «no antigo sentido da palavra, isto é, ensinar à população a língua ou o direito alemães», mas sim fazer com que fosse «apenas habitada por povos de puro sangue alemão». Em 1943, havia 12 milhões de escravos a trabalhar para os senhores alemães.

O líder da Siemens, um dos grandes financiadores do nazi-fascismo, valorizava o facto de o «governo hitleriano» ter como grande objectivo a «luta contra o socialismo, quer dizer, contra o marxismo». Também o governador do Banco de Inglaterra, Norman Montagu, considerava Hitler e o seu homólogo alemão «bastiões da civilização», pois defendiam «o nosso tipo de ordem social contra o comunismo».

A Segunda Guerra Mundial foi, assim, simultaneamente uma típica guerra inter-imperialista por mercados, colónias e esferas de influência e um combate de morte do imperialismo contra a União Soviética, primeiro Estado socialista do mundo.

Falsa neutralidade

A cumplicidade da ditadura fascista portuguesa com o nazi-fascismo não é esquecida pelo PCP, recordando que, em 1943, «dois terços das conservas portuguesas foram para a Alemanha». Cita ainda o presidente do Comité Internacional de Auxílio aos Refugiados que, em 1941, denunciou que «vários refugiados alemães antifascistas têm desaparecido de Portugal, por terem sido entregues pela PIDE à Gestapo, que os tem assassinado ou enviado para campos de concentração».

Sobre a não participação de tropas portuguesas na guerra, o chefe da Legião Portuguesa, Costa Leite, explicou-a melhor do que ninguém em Junho de 1942: «A grandeza das forças que hoje enfrentam o comunismo russo não carece de colaboração nossa na frente de batalha, mas devemos considerar-nos mobilizados e prontos a travar o combate, logo que seja necessário, neste extremo ocidental da Europa.»

Em 2015, a arte e a cultura
ao serviço da liberdade e da paz

A última peça do programa preparado pelo PCP para assinalar a Vitória foi a exibição, em vídeo, do espectáculo comemorativo dos 70 anos, realizado a 8 de Maio de 2015 no Auditório Camões, em Lisboa. Como o Avante! escreveu na ocasião, tratou-se de um «extraordinário espectáculo» que contou com «música, poesia, teatro, canto coral, acompanhados da projecção de imagens da época» e ainda com a intervenção do Secretário-geral, Jerónimo de Sousa.

Participaram na iniciativa os artistas e músicos Adriana Rocha, André Albuquerque, Catarina Moura, Fernando Jorge, Fernando Tavares Marques, Francisca Lima, Francisco Bartolomeu, Joana Manuel, João Gomes, José Wallenstein, Luísa Basto, Manuel Pires da Rocha, Maria do Céu Guerra, Rita Lello, Tiago Santos e o Coro Lopes-Graça da Academia de Amadores de Música dirigido pelo maestro José Robert.




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