Apesar de ser o maior accionista, o Estado não manda nada
Controlo público da TAP reafirmado em acto de solidariedade em Lisboa

SECTOR AÉREO Assegurar os postos de trabalho e o futuro de uma empresa estratégica para a economia nacional reclama que o Estado assuma os destinos da TAP, reiterou o PCP numa iniciativa no Aeroporto Humberto Delgado (AHD).

A exigência de controlo público da companhia nacional de aviação, visando a defesa do emprego com direitos e do próprio sector da aviação civil, foi reiterada num acto público, dia 23, de solidariedade para com os trabalhadores da TAP e das empresas que operam no AHD, promovido pelas células do PCP naquela infra-estrutura.

Numa breve intervenção, o deputado e membro do Comité Central do PCP, Bruno Dias, justificou ainda aquela reivindicação com a preocupação dos trabalhadores quanto ao futuro, assente no atropelo de direitos, corte de rendimentos e despedimentos, os quais estão a ocorrer atingindo milhares de trabalhadores.

«Mais do que palavras» são, por isso, «necessárias acções», apelou Bruno Dias, que recordou, também, que «apesar de ser o maior accionista da TAP, o Estado não manda nada», deixando os privados decidir e concretizar orientações contrárias aos interesses dos trabalhadores e do País.

Igualmente numa breve alocução, Armindo Miranda, da Comissão Política do Comité Central, deixou aos presentes a viva expressão de solidariedade do Partido para com a sua luta e reivindicações. Alertando que a pretexto da pandemia o objectivo do patronato é calar os trabalhadores perante a imposição de mais e mais exploração, o dirigente comunista sublinhou além do mais a importância da luta dos trabalhadores «pelos direitos, rendimentos e emprego, mas também por uma nova política», verdadeiramente capaz de fazer o País sair desta crise e impedir que as suas consequências recaiam sobre quem trabalha.

Lay-off renovado

Posteriormente, no dia 27, a organização dos comunistas na TAP e AHD condenou, em comunicado, o prolongamento do lay-off no grupo, proposto nesse mesmo dia pela administração da transportadora aérea.

No documento, voltou «a exigir que seja travado e revertido o despedimento em curso de milhares de trabalhadores do Grupo TAP pela via da não renovação de contratos a termo, sendo as últimas vítimas os pilotos da Portugália, alguns já com data marcada para 8 de Maio».

As células do PCP reclamam, ainda, o fim do lay-off de cerca de 15 mil trabalhadores e do corte salarial de 20 por cento a outros três mil, e, nesse sentido, insiste em exortar «os trabalhadores a cerrar fileiras e a reforçar a unidade e a luta pelos salários por inteiro e por todos os postos de trabalho do sector aéreo nacional», designadamente exigindo «ao Governo um Plano de Intervenção Estatal» na TAP e e no sector da aviação civil».



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