Não se trata
de esperar
pela vontade
dos banqueiros
O País deve recuperar o controlo público da banca

ECONOMIA A situação do País exige que a banca assuma o seu papel no desenvolvimento da actividade económica, sendo para tal necessário que o País recupere o controlo público sobre este sector.

O PCP não acompanha a avaliação que o Presidente da República transmitiu ao País no seguimento do encontro mantido com os banqueiros da passada segunda-feira, 6. Numa declaração proferida nesse mesmo dia, Vasco Cardoso, da Comissão Política, reafirmou a necessidade de interromper a «política de favorecimento deste sector monopolista e colocar a banca verdadeiramente ao serviço do País, em vez de ficar à espera e dependente da vontade dos banqueiros».

Recordando aspectos gerais dessa «política de favorecimento», o dirigente comunista lembrou os 20 mil milhões de euros de recursos públicos mobilizados para «tapar os buracos provocados pela especulação, pela gestão danosa e fraudulenta na banca», que o povo português pagou e continua a pagar.

Para Vasco Cardoso, é a realidade «que está no terreno, seja junto das famílias, seja junto de milhares de micro, pequenas e médias empresas», a desmentir a opinião transmitida pelo Presidente da República: «não é com spreads e taxas de juro de 3% e 4%, como as que estão a ser propostas, não é com comissões bancárias que continuam a multiplicar-se e a reinventar-se, não é com os limites e processos burocráticos na concessão de crédito que excluem milhares de MPME, que se apoia e ajuda a economia.» O Partido considera, pois, «inaceitável que se procure, em nome da ajuda à economia nacional, uma nova forma de branqueamento e de financiamento de lucros presentes e futuros para este sector».

Ir mais longe

O PCP é, também a este respeito, peremptório: «não basta impedir que sejam distribuídos dividendos à banca ou aos grupos económicos. As necessidades do povo e do País vão muito além disso.» Assim, destacou Vasco Cardoso, o País precisa «que a banca cumpra o seu papel no desenvolvimento da actividade económica», sem «ganhos por via da intermediação dos apoios públicos, com rapidez e prontidão, priorizando as micro, pequenas e médias empresas e não os grupos económicos». É isso que o PCP defende, acrescentou.

O dirigente comunista concluiu que esta situação coloca «ainda mais em evidência a necessidade de o País recuperar o controlo público sobre este sector estratégico da economia nacional», colocando-o ao serviço do seu desenvolvimento, afirmando-se como factor de promoção do progresso e da soberania nacional.

 



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