• João Frazão

315 mil

O Público titula hoje, 31 de Março, a sua primeira página com a afirmação de que «há 315 mil recibos verdes em risco de ficar sem apoio em Abril».

O Público, referindo-se, e bem, a uma parte da precariedade em Portugal, mostra a habilidadezinha do Governo, de disponibilizar os formulários para as candidaturas a apoios por suspensão da actividade apenas no dia 1 de Abril, o que levará a que os beneficiários apenas recebam a primeira ajuda em Maio, pois de acordo com a regra definida pelo mesmo Governo, esta só será paga no mês seguinte à submissão do pedido.

Uma habilidade de um Governo que continua a colocar acima dos prementes problemas do País, a contabilidade pública e a obsessão das contas certas.

Admitindo que a pressão pública e que a luta que os trabalhadores venham a realizar possa derrotar essa intenção do Governo, a notícia do Público tem o condão de reconhecer os níveis assustadores de precariedade laboral existentes no nosso País.

Quantas vezes denunciou o PCP e as organizações representativas dos trabalhadores esta realidade?

Se não houvesse o surto epidémico e se a Manifestação Nacional da Juventude Trabalhadora se tivesse realizado, trazendo às ruas de Lisboa milhares de jovens em luta pela estabilidade no emprego, que atenção lhes daria o Público?

O tempo que estamos a viver deixa a descoberto uma situação que é, a todos os títulos, inaceitável. Recibos verdes, contratos a prazo, empresas de trabalho temporário, estágios profissionais, toda uma panóplia de situações de trabalhadores que ocupam postos de trabalho permanentes mas que as empresas mantém em situação de descartar na primeira oportunidade.

Também por isso, este tempo é, a todos os títulos, um libelo acusatório do capitalismo e das suas regras de funcionamento injustas, desumanas, mesmo violentas.

Aos trabalhadores e ao povo resta manter-se unido e lutar. Com a luta, e só com a luta, melhores dias virão.




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