• João Frazão

De esquerda…

«O PCP quis que ficasse tudo como está. E como está é uma factura de 90€ na electricidade». A frase, escrita numa publicação nas redes sociais por Catarina Martins, que corresponde à linha de intervenção do BE, que levou Francisco Louçã a escrever no Expresso que o voto do PCP no IVA da electricidade foi uma «amabilidade», feita ao PS ou ao PSD, vá-se lá saber!, e Pedro Filipe Soares a socorrer-se de São José Almeida para confirmar a sua tese, no Público, é só uma mentira de perna curta.

Mentira porque o BE sabe que o PCP apresentou, e votou, uma proposta, aliás a primeira que deu entrada na AR, que era a única que garantia a redução do IVA da electricidade para 6%, sem ses, nem mas, sem adiamentos ou subterfúgios. E sabe, ainda que falsamente insinue o contrário, que o PCP votou favoravelmente a proposta do próprio BE, que apenas baixava a taxa de IVA para 13%. E sabe ainda que o PCP votaria também a favor da proposta do PSD, mesmo adiando esta medida para Outubro, se o PSD não a tivesse retirado.

Os termos com que CM, PFS e também FL se referem à atitude coerente do PCP - para esconder o facto do BE, prestando-se a votar favoravelmente cortes em despesas sociais que antes tinha dito que não apoiaria, ter cedido à estratégia do PSD, que nunca quis a redução do IVA, como ficou evidente desde a primeira votação - são da família de outros ataques que conhecemos bem.

O ataque gratuito a uma posição que é inatacável, a ofensa sem nome a um Partido que sabem não fazer fretes a ninguém, a tentativa de se apropriarem de propostas que temos há anos, como aconteceu com o Laboratório Nacional do Medicamento, a intenção de enlamear aqueles cujo único e inquebrantável compromisso é com os trabalhadores e com o povo, só se entendem se se quiser alimentar os anti-comunismos mais primários que por estas alturas se levantam.

Tudo malta de esquerda… Claro!




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