- Edição Nº2411  -  13-2-2020

Utentes do Litoral Alentejano alertam para graves problemas

A Coordenadora das Comissões de Utentes do Litoral Alentejano, no âmbito da denúncia das irregularidades dos cuidados de saúde na região, iniciou uma campanha de recolha de assinaturas para um abaixo-assinado, que, depois de reunir o mínimo legal de subscrições, se irá transformar em petição à Assembleia da República.

Intitulado «Mais profissionais. Melhores cuidados de saúde para o Litoral Alentejano», no documento recorda-se que o Serviço Nacional de Saúde (SNS), criado há mais de 40 anos, teve uma importância decisiva para a melhoria dos indicadores de saúde».

Também no Litoral Alentejano, «a população está confrontada com graves dificuldades de acesso aos cuidados de saúde», nomeadamente nos cuidados primários. «A população confronta-se com falta de médicos de família» (cerca de 11 mil utentes não têm médico), informam os utentes, acrescentando: «É inadmissível que em algumas localidades a população só tenha cuidados médicos de 15 em 15 dias» e «há diversas extensões de saúde que se encontram degradadas, e com promessas de há vários para a reparação e/ou construção de novos edifícios».

Relativamente ao Hospital do Litoral Alentejano (HLA), «os tempos máximos de resposta garantidos, nas consultas e nas cirurgias, são ultrapassados». «O Serviço de Urgência Pediátrica funciona sem médicos especialistas em Pediatria. A nova Urgência está há mais de um ano concluída e não abre por falta de profissionais suficientes (estão em falta 15 enfermeiros). Em algumas especialidades só há um médico para os cerca de cem mil utentes», criticam as comissões.

Propostas necessárias
Face à actual situação, os utentes exigem do Governo a contratação de médicos, enfermeiros, assistentes operacionais, assistentes técnicos, técnicos de diagnóstico e terapêutica, entre outros; atribuição de médico de família (com a especialidade de medicina geral e familiar) a todos os utentes; construção e/ou reparação de centros e extensões de saúde; reabertura da Urgência do Centro de Saúde de Grândola 24 horas por dia; colocação de uma Ambulância Suporte Imediato de Vida no Serviço de Urgência Básica do Centro de Saúde de Alcácer do Sal; abertura do novo Serviço de Urgência do HLA, com todos os profissionais necessários.

As reivindicações – por um SNS, universal, geral e gratuito – passam ainda por garantir médico pediatra, 24 horas por dia, na respectiva Urgência do HLA; reabertura de todas as camas dos Serviços de Internamento e da Unidade de Convalescença do HLA; redução dos tempos de espera para consultas, cirurgias, tratamentos e exames de diagnóstico e terapêutica no HLA; valorizar e alargar valências no HLA; repor a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano no Sector Público Administrativo; revogar as taxas moderadoras.

Protesto em Lisboa
Para o dia 28 de Fevereiro, às 10h30, está marcada uma concentração frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, para exigir a resolução dos graves problemas na área da saúde que afectam a população do Litoral Alentejano. O protesto conta com o apoio com as autarquias do Litoral Alentejano e movimento sindical unitário.