Sindicatos continuam luta contra alteração do sistema de reformas
Mais uma greve geral convocada em França

PENSÕES A plataforma Intersindical de França, que agrupa cinco das principais organizações de trabalhadores, convocou nova greve geral, a 20 de Fevereiro, contra a alteração do sistema de pensões de reforma.

LUSA


Os sindicatos franceses convocaram uma nova greve geral, para a próxima quinta-feira, 20, contra as alterações do sistema de reformas que o governo quer impor, apesar do amplo movimento popular que se opõe à iniciativa.

Depois da jornada do dia 6, de paralisações e manifestações nas principais cidades francesas, a Intersindical, pela décima vez desde que começaram os protestos contra a alteração do sistema de reformas, convocou «todos os jovens, os trabalhadores, os que procuram emprego e os reformados» a participar num dia de convergência de greves e manifestações.

A Intersindical francesa, em comunicado, também propôs a organização de uma «contra-conferência» – alternativa à conferência anunciada pelo governo – «para discutir ampla e publicamente as possíveis soluções e propostas [de financiamento] para um plano sério que melhore o sistema de pensões de reforma».

Pela sua parte, os deputados da oposição na Assembleia Nacional começaram a preparar as suas propostas para tentar evitar ou atrasar a aprovação do polémico projecto de lei. Entre outras medidas, já apresentaram cerca de 20 mil emendas ao texto que o governo do primeiro-ministro Édouard Philippe prevê apresentar na câmara de deputados no próximo dia 17.

A próxima greve geral terá lugar três dias depois do início do debate no parlamento e os representantes sindicais asseguram que a sua determinação de lutar nas ruas continuará até se conseguir a retirada da projectada mudança do sistema de cálculo das pensões de reforma.

Prossegue, pois, a mobilização dos trabalhadores, iniciada a 5 de Dezembro do ano passado e dinamizada por organizações sindicais, movimentos sociais e partidos políticos. Mobilização que conta com o apoio maioritário dos franceses, como salienta a Confederação Geral do Trabalho (CGT), e que já levou milhões de cidadãos em todo o país a sair às ruas para dizer não a esta reforma das pensões que o governo impõe aos trabalhadores «à revelia de qualquer forma de democracia».

Personalidades
pedem referendo

Uma plataforma integrada por mais de 140 líderes sociais, políticos e intelectuais escreveu ao presidente francês pedindo a celebração de um referendo sobre a controversa alteração do sistema público de pensões. O texto da carta dirigida a Emmanuel Macron foi publicado na segunda-feira, 10, na primeira página do diário L’Humanité, assinado por destacados dirigentes de esquerda, sociólogos, sindicalistas, advogados, actores e realizadores, que manifestam a sua «desconfiança» em relação a uma reforma que enfrenta «mais de dois meses de mobilização popular» e cuja retirada é exigida pela «maioria dos franceses».

Assinam a carta, juntamente com os dirigentes dos partidos Comunista, Socialista, Ecologista Os Verdes e França Insubmissa, personalidades como o realizador Bertrand Tavernier, as actrizes Jeanne Balibar e Corinne Masiero, o historiador Emmanul Todd e os sociólogos Michel Pincon e Monique Pincon-Charlot, entre outras.




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