Aconteu
Um legado da medicina e de luta

O médico e antifascista Manuel Sá Marques, homem de grande prestígio na sociedade portuguesa, como médico exemplar e cidadão solidário, faleceu na semana passada aos 97 anos.
Destacado diabetologista e uma das mais importantes figuras da medicina da segunda metade do século XX, com uma longa carreira de várias décadas nos hospitais civis de Lisboa, e, principalmente, na Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, Manuel Sá Marques viveu uma vida repleta de actividade cívica e intervenção política, mantendo sempre um inquebrável compromisso com a sua integralidade humanista.
Teve um papel determinante no movimento associativo médico, iniciado no seio da Ordem dos Médicos, em 1958, e foi um participante activo no sindicalismo médico, tendo contribuído para a constituição legal do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (1979), de que foi o primeiro presidente.
Integrou o Movimento de Unidade Antifascista, o Movimento de Unidade Democrática e ainda a Comissão Nacional de Socorro aos Pre-
sos Políticos. Trabalhou ainda nas campanhas presidenciais de Norton de Matos, Ruy Luís Gomes e de Humberto Delgado.
Foi um dedicado activista da CDU, participando nas suas iniciativas e batalhas eleitorais, assim como da CGTP-IN.


Memória de Ary dos Santos perdura

A TAP Air Portugal baptizou um dos seus novos aviões, o A320Neo, com o nome do poeta, declamador e militante comunista Ary dos Santos, que morreu em 1984.

A escolha do nome para a nova aeronave da TAP segue a linha dos baptismos anteriores de homenagear portugueses relevantes na história nacional.

Autor de mais de 600 canções e muitos outros poemas, Ary dos Santos juntou-se ao Partido Comunista Português em 1969.


Cinemateca homenageia Manuel Jorge Veloso

A Cinemateca Portuguesa promoveu na semana passada um pequeno ciclo «In Memoriam» de Manuel Jorge Veloso, com a passagem de filmes cuja banda sonora têm a assinatura do músico e compositor. Nas palavras que João Pedro Bénard da Costa proferiu no início da primeira das duas sessões, dedicadas ao militante do PCP, pioneiro do jazz em Portugal e que fez parte da redacção do Avante!, as obras escolhidas reportam-se a «uma altura difícil para fazer filmes em Portugal», no final da década de 60 do século passado, fase final do fascismo, mas onde o músico teve oportunidade para mostrar «um talento subaproveitado» como compositor.
Uma curta-metragem intitulada «As Palavras e os Fios» sobre a fábrica de cabos Cel Cat abriu, quarta-feira, a primeira das sessões, onde é particularmente exuberante a exploração musical que Manuel Jorge Veloso faz das imagens. Seguiu-se uma outra realização de Fernando Lopes, «Belarmino», um dos filmes mais importantes do chamado Cinema Novo. Em ambas as fitas a formação original da banda do Hot Club de Portugal (que Manuel Jorge Veloso integrou) toca parte das músicas dos filmes
Na segunda sessão, ocorrida sexta-feira, foram passados cinco filmes curtos. Em todos eles Manuel Jorge Veloso compôs música original e responsabilizou-se pela banda sonora.


Faleceu Geraldo Lourenço, militar de Abril

Faleceu recentemente o militar de Abril Geraldo Silva Lourenço, nascido a 3 de Fevereiro de 1935 no concelho do Sardoal e desde há muito residente no Seixal. Em Novembro de 1955 ingressou na Marinha e depois de largos anos de serviço como praça da Armada completou, em 1973, o curso de Sargentos.

Aderiu aos ideais libertadores da Revolução de Abril, fazendo parte de diversas estruturas associativas militares. Por essas participações foi afastado politicamente da Marinha a 4 de Abril de 1977, com 22 anos de serviço, na classe exemplar de comportamento. Fora da Marinha, lutou 25 anos pela sua dignidade e de outros saneados políticos. Quando a lei 43/99 de 11 de Junho lhe reconstituiu a carreira, foi promovido a Sargento-Chefe, por ordem de antiguidade no seu curso.

Durante todos esses anos afastado compulsivamente da Marinha, Geraldo Lourenço nunca perdeu os laços com os seus camaradas de armas mais velhos ou mais novos, razão pela qual desde muito cedo foi um activista solidário na luta então desenvolvida para a criação do Clube de Praças da Armada. Paralelamente, envolveu-se no movimento associativo do concelho do Seixal, nomeadamente no núcleo da URAP.

Geraldo Lourenço foi um convicto defensor dos ideais libertadores da Revolução de Abril e dos seus valores e um homem com um elevado sentido de justiça.



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