«para avançar é preciso reforçar o PCP»
PROSSEGUIR A LUTA PELA ALTERNATIVA

A Assembleia da República aprovou na passada quinta-feira, dia 6, o Orçamento do Estado para 2020 em votação final global. O PCP absteve-se nessa votação, sublinhando que a abstenção assumida dá expressão a um posicionamento político que se distancia deste Orçamento e das opções do Governo PS nele reflectidas, acrescentando ser este um posicionamento que não se confunde com os que procuram branquear a política de direita (e as suas próprias responsabilidades) e animar projectos reaccionários. Trata-se de um posicionamento que afirma a necessidade de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que vá ao encontro das aspirações dos trabalhadores e do Povo português, capaz de assegurar as condições para um desenvolvimento soberano do País.

Perante uma proposta marcada por insuficiências e limitações, incapaz por si de dar resposta aos problemas mais agudos do País, o PCP não prescindiu da sua intervenção combativa na discussão na especialidade: apresentou mais de 300 propostas, não desistindo de nenhuma batalha antes de a travar.

Dos rendimentos e direitos dos trabalhadores ao aumento das pensões de reforma, do investimento nos serviços públicos à contratação de trabalhadores em falta, da justa tributação fiscal à melhoria das prestações sociais, do apoio às crianças e jovens à resposta aos problemas da habitação, da reposição do IVA na energia ao direito à mobilidade e ao transporte, da dinamização do aparelho produtivo à defesa do meio ambiente, o PCP não deixou nenhum problema para trás.

Fê-lo num quadro em que, não pesando decisivamente para a aprovação do Orçamento, a sua intervenção confirmou-se decisiva para o que de positivo o Orçamento viu introduzido na sua versão final, registando-se assim avanços nesta fase que, só pela persistência e intervenção do PCP, e vencendo resistências do PS, foi possível inscrever. Avanços que, apesar de insuficientes e limitados, asseguram que não só não se recua face a tudo quanto foi alcançado nos últimos anos, como, em vários domínios, permitem novos passos de sentido positivo.

A concretização das medidas positivas aprovadas não ficam, no entanto, só por si garantidas com a entrada em vigor do OE. Será no prosseguimento da luta que se assegurará a sua plena concretização. Continuarão a ser a luta de massas e a intervenção do PCP os factores decisivos para a elevação das condições de vida dos trabalhadores e do povo e para a concretização de uma política alternativa que assegure um Portugal com futuro.

É por isso de grande importância estimular a luta tendo por objectivo central valorizar o trabalho e os trabalhadores, exigindo respostas às suas reivindicações concretas, como aconteceu nas importantes lutas do passado dia 31 de Janeiro (trabalhadores da Administração Pública e do sector da grande distribuição comercial) e está a acontecer, em torno da acção reivindicativa, nas empresas e locais de trabalho.

Luta que se desenvolve, igualmente, com a mobilização para a Manifestação Nacional de Mulheres convocada pelo MDM para o próximo dia 8 de Março, em Lisboa.

O PCP prossegue a sua intervenção, dinamizando a acção nacional «Valorizar o Trabalho e os Trabalhadores. Não à exploração!», batendo-se no plano institucional por iniciativas legislativas que se traduzam em avanços no plano dos direitos dos trabalhadores, do povo e na resposta aos problemas do País e intensificando a iniciativa e acção política, de que foram expressão esta semana o Comício em Sacavém e o Encontro no Porto sobre «Precariedade no trabalho intelectual», com a participação do Secretário-geral do Partido.

O PCP prossegue também o seu reforço, destacando como grande prioridade, neste momento, a acção de contacto com 5000 trabalhadores que, estando a aproximar-se da sua conclusão, exige a especial atenção das organizações do PCP com a tomada das medidas de direcção e de quadros que se mostrem necessárias para assegurar o seu êxito.

É nesta acção de reforço que se insere a divulgação do Avante! que, no próximo sábado, cumpre o seu 89.º aniversário. É preciso tomar as medidas necessárias para divulgar aquele que é o órgão central do PCP. Um jornal que assume uma particular importância por ser uma voz diferente das vozes dominantes ao serviço do grande capital, uma voz que nos fala com rigor e com verdade da luta dos trabalhadores e dos povos pelos seus interesses e direitos, pela soberania e independência nacional, pela paz e o progresso social. Um jornal que é porta-voz dos combates do PCP por avanços no plano dos direitos, pela ruptura com a política de direita, por uma política patriótica e de esquerda, parte integrante de uma democracia avançada inspirada nos valores de Abril, pelo socialismo e o comunismo.

São exigentes as tarefas que a actual situação coloca ao PCP.Do seu reforço depende a chave para os combates que temos pela frente.




 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: