- Edição Nº2410  -  6-2-2020

Milhares rejeitam em Telavive plano de anexação da Palestina

PROTESTO Milhares de manifestantes em Telavive rejeitaram e atacaram o plano de «anexação» e de apartheid em vez de um plano de paz, apresentado em Washington como o «Acordo do Século».

Milhares de israelitas reuniram-se no sábado, 1, à noite, em Telavive, para protestar contra a proposta de paz para o Médio Oriente apresentada pelos Estados Unidos e contra o seu projecto de anexação de territórios na Cisjordânia.

Citado pelo jornal Times of Israel, o grupo Paz Agora, que luta contra os colonatos israelitas em território da Palestina ocupada e que organizou a manifestação, informou que milhares de pessoas participaram na iniciativa, que teve lugar na Praça Dizengoff, em Telavive, sob o lema «Plano de paz, não acordo de anexação».

«A anexação é uma catástrofe, não é a paz, não é a segurança», gritaram os manifestantes, que exibiram cartazes e faixas denunciando a ocupação da Cisjordânia por Israel desde há 52 anos e condenando a «transferência», numa referência ao plano que abre a possibilidade de redesenhar a fronteira de um futuro Estado da Palestina que incluiria várias localidades árabes israelitas.

A proposta, apresentada pelo presidente Donald Trump, em Washington, oferece a Israel o controlo de Jerusalém, a sua capital «indivisível», exclui o retorno dos refugiados palestinianos à pátria e prevê o alargamento da soberania plena do Estado judaico sobre todos os colonatos israelitas. O famigerado «Acordo do Século» permite igualmente a criação de um Estado palestiniano desmilitarizado em cerca de 70 por cento do território da Cisjordânia, em gaza e numa parte do deserto de Negev – e ainda assim só num prazo de quatro anos e sob reserva a respeito de certas condições.

O plano norte-americano foi categoricamente rejeitado pelos palestinianos, que obtiveram o apoio unânime da Liga Árabe.

«O plano de Trump não é um plano de paz», declarou durante o protesto em Telavive o deputado Tamar Zandberg, do Partido Trabalhista israelita. «É uma proposta de anexação, de transferência e, seguramente, uma receita explosiva que abrirá caminho à violência e ao apartheid».

Também na cidade árabe israelita de Baqa al-Gharbiye, que, segundo o plano apresentados pelos EUA seria integrada na Palestina, centenas de pessoas juntaram-se no sábado para denunciar o «acordo» anunciado por Trump. «Ninguém nos privará da cidadania da pátria em que vimos a luz o dia», afimou Ayman Odeh, chefe do partido político da Lista Árabe Unida.