Com 0,3
por cento
os salários ficariam
muito abaixo
do nível de 2009
Manifestação nacional dia 31 parte do Marquês de Pombal

REIVINDICAÇÃO Prossegue a mobilização para a manifestação convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, em resposta à actualização salarial preconizada pelo Governo.

Anunciada inicialmente sem estar definido o local para a concentração inicial, a manifestação foi decidida a 19 de Dezembro, pela Comissão Coordenadora da Frente Comum, reunida nesse dia.
A estrutura que reúne três dezenas de sindicatos com maior representatividade nos diversos sectores da Administração Central, Regional e Local acusou então o Governo de ter feito um simulacro de negociação, usurpando até o direito dos sindicatos a recorrerem à negociação suplementar.
O «critério» do Governo para a subida dos salários, pela taxa de inflação verificada até Novembro de 2019, traduz-se por 0,3 por cento, valor que foi considerado um insulto aos trabalhadores. A Frente Comum exige um aumento mínimo de 90 euros, em todos os salários, sublinhando que, para recuperarem o nível de 2009, último ano com actualização da tabela, as remunerações-base deveriam ser aumentadas, em média, em 133 euros.
As estruturas sindicais que integram a Frente Comum começaram a divulgar alguns materiais de informação e mobilização para a manifestação, que se realizará em Lisboa, com concentração inicial na Praça do Marquês de Pombal, a partir das 14h30, de amanhã a três semanas.
De modo a permitir a ausência do serviço para participar no protesto, estão a ser apresentados pré-avisos de greve.

Bastou uma década!

A Frente Comum e os sindicatos defendem que «basear os aumentos de salários em qualquer valor de inflação é, por si só, uma farsa que os trabalhadores não vão aceitar e que concretizaria o 11.º ano consecutivo de retrocesso salarial».
No folheto central, em distribuição, recorda-se que, «entre 2005 e 2018, houve uma redução de mais de 58 mil trabalhadores na Administração Pública», provocando carências notórias de pessoal e cargas laborais acrescidas na generalidade dos serviços.
Nos últimos dez anos, «os gastos com bens essenciais, habitação, saúde e educação tiveram crescimentos astronómicos», mas o Governo quer «manter o roubo aos trabalhadores».
Insistindo que «sem trabalho com direitos, não há serviços de qualidade», a Frente Comum reafirma que «os trabalhadores da Administração Pública tomaram sempre a dianteira da defesa dos serviços públicos e continuarão a recusar quaisquer tentativas de destruição de serviços, nomeadamente por via da descentralização».
A reivindicação central de aumentos salariais para todos os trabalhadores, concretizada na exigência de mais 90 euros este ano, tem por base «a recuperação efectiva de uma década de perda de poder de compra e de redução de qualidade de vida, para trazer alguma justiça àqueles que com o seu trabalho contribuem de forma decisiva que o País avance».

 



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