• Pedro Guerreiro

São os EUA os responsáveis por décadas de guerra no Médio Oriente
Perigosa provocação

Os recentes ataques militares contra forças iraquianas e o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, cometidos pelos EUA no Iraque, para além de constituírem uma nova e séria afronta à soberania deste país e um acto de terrorismo de Estado, são uma gravíssima provocação, que configura um novo e mais perigoso patamar na escalada de tensão e agressão que os EUA e seus cúmplices levam a cabo (de novo) no Médio Oriente.

Por mais que os meios de comunicação social dominantes e os escribas de serviço procurem escamotear – ecoando as mentiras e propaganda de guerra da Administração norte-americana –, esta (nova) agressão dos EUA comprova, afinal, que é o imperialismo norte-americano que quer e necessita da guerra para impor o seu domínio sobre o Médio Oriente e os seus imensos recursos.

Da agressão ao Líbano, ao Iraque, à Síria, ao Iémene, ou da cumplicidade e apoio à ocupação de territórios da Palestina, da Síria e do Líbano e à opressão sobre o povo palestiniano por parte de Israel, são os EUA – com as suas sucessivas administrações, dos Bush, passando por Clinton e Obama, a Trump – que são responsáveis por décadas de guerra no Médio Oriente, com o seu imenso legado de morte, sofrimento e destruição.

No entanto, é precisamente pela persistente e corajosa resistência face à agressão, da conjugação de esforços de diferenciadas forças em defesa da soberania e direitos dos povos, do objectivo carácter anti-imperialista da sua luta, que os intentos de décadas de ofensiva do imperialismo – de reconfigurar o Médio Oriente à medida dos seus interesses – têm, apesar de tudo, sido frustrados.

A resposta dos EUA é a escalada de ingerência, de desestabilização e agressão, apontando agora como alvo o Irão, que desde a revolução popular que derrubou o Xá em 1979 deixou de ser um peão do imperialismo. São os EUA: que se retiraram do acordo nuclear com o Irão; que impuseram (de novo) sanções com severas consequências para a economia iraniana; que ameaçam todos os países que não se submetam aos seus ditames; que instalaram bases e poderosos meios militares junto às fronteiras do Irão; que clamam por uma ‘aliança’ militar contra este país; que levam a cabo todo o género de provocações, desde a violação do espaço aéreo iraniano à negação de vistos a diplomatas para se deslocarem à Sede da ONU; que desrespeitam a Carta das Nações Unidas e o direito internacional – como ficou de novo patente na ameaça de aplicação de sanções ao Iraque, face à vontade expressa pelas suas autoridades de retirada das forças norte-americanas.

É por isso que são graves as posições assumidas pela NATO, Reino Unido, França e Alemanha, pela União Europeia ou pelo Secretário-geral da ONU perante a acção belicista dos EUA, não condenando a sua criminosa provocação, apelando à contenção das partes, exigindo o cumprimento do acordo nuclear por parte do Irão ou afirmando que o «Irão deve evitar mais violência e provocações» – ou seja, desresponsabilizando o agressor e responsabilizando o agredido.

Vergonhosas posições seguidas pelo Governo português que – talvez por estar assoberbado em «condenar» a actuação das autoridades venezuelanas face à provocação bufa montada por Guaidó, perante a sua derrota no Parlamento – apenas conseguiu expressar «preocupação» e apelar à «máxima contenção» num twitte do MNE.




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