• Albano Nunes

É preciso confiar nas massas e suas energias revolucionárias
Teses que a vida confirma

As grandes acções de massas que irromperam na América Latina e um pouco por todo o mundo, tendo motivações imediatas e características diversas, têm em comum a revolta generalizada contra o estado de coisas existente ou seja, contra as insuportáveis injustiças e desigualdades sociais inerentes ao capitalismo agudizadas pelo aprofundamento da sua crise estrutural. Caracterizadas pela grande combatividade e coragem com que defrontam a violência da repressão têm desafiado o imperialismo, abalado os alicerces de regimes que se julgavam impunes e alcançado vitórias que, ainda que parciais e contaminadas pelo cálculo da classe dirigente em «mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma», não deixam de ter importante significado político.

Tão ampla explosão de lutas populares que do Haiti ao Líbano ou à França, passando pela Colombia, Chile, Equador, Bolívia e outros países mobilizam milhões de pessoas, na sua grande maioria jovens despertos para a luta pelos seus direitos e pela soberania dos seus países, suscita solidariedade, grandes esperanças, reflexões e também lições para a nossa própria luta.

A primeira é sobre a irregularidade do processo revolucionário, feito de avanços e recuos, de vitórias e derrotas. As duas últimas décadas da América Latina mostram-no bem. A violenta ofensiva imperialista que em Fevereiro dava como certa a derrota da Venezuela bolivariana defronta-se em todo o continente com manifestações de resistência e luta que surpreendem as classes dominantes. O desenlace do braço- -de-ferro em curso é imprevisível, mas uma coisa é certa: o imperialismo e as oligarquias que o servem não têm as mãos livres, as suas vitórias são sempre temporárias e em definitivo o que decide do desenvolvimento histórico é a luta organizada dos trabalhadores e das massas populares.

A segunda reside na confirmação de que os perigos de regressão social e mesmo civilizacional coexistem com grandes potencialidades de avanço progressista e revolucionário. O desenvolvimento das forças produtivas com o vertiginoso progresso da ciência e da técnica está a agudizar as contradições do capitalismo, a começar pela contradição entre a socialização da produção e a apropiação privada, e amadurecem as permissas materiais para a superação revolucionária do capitalismo. As grandes teses de Marx e Engels, cujo Bicentenário comemoraremos no próximo ano, têm na actual fase do capitalismo uma brilhante confirmação.

A terceira consiste no atraso do factor subjectivo em relação às condições materiais objectivas da revolução. O movimento comunista e revolucionário internacional tarda em recuperar dos golpes sofridos e com ele a frente anti-imperialista. É esse atraso que permite que grandes manifestações de descontentamento popular sejam desviadas dos seus objectivos, manipuladas por demagogos e recuperadas por oligarquias parasitárias aliadas ao imperialismo, como sucedeu nas chamadas «primaveras árabes».

Por fim a eterna solução: «lutar e organizar, organizar e lutar», confiando nas massas e nas suas inesgotáveis energias revolucionárias quando organizadas e orientadas por um claro projecto emancipador.




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