A NATO e os seus membros têm mil bases fora das suas fronteiras
Dissolução da NATO foi mais uma vez exigida em Lisboa

PAZ A baixa de Lisboa voltou, anteontem, a ser palco da luta pelo desarmamento e a dissolução dos blocos político-militares que a Constituição consagra e sucessivos governos ignoram. Ontem foi a vez do Porto.

«Sim à Paz! Não à NATO!» foi uma vez mais o mote que reuniu mais de 20 organizações na promoção de duas iniciativas públicas (a segunda ontem ao final da tarde, já após o fecho da nossa edição) em defesa da paz e da dissolução da NATO, no exacto momento em que tinha lugar em Londres mais uma cimeira deste bloco político-militar.

Na capital, a acção teve lugar junto ao Rossio e reuniu algumas centenas de pessoas, que empunhavam bandeiras com a célebre pomba que Pablo Picasso desenhou para o movimento da paz, faixas e cartazes. Muitos dos que por ali passavam, atraídos pela concentração, pela poesia e a música de Jorge Batista Carrano e pela intervenção da vice-presidente do CPPC, Beatriz Goulart, acabaram por engrossar o protesto. A muitos outros foram entregues folhetos com as razões da iniciativa.

Quanto a estas, enumerou-as a jovem dirigente do CPPC, lembrando serem da NATO e dos seus membros a esmagadora maioria das bases e instalações militares em território estrangeiro e mais de metade das despesas militares mundiais. As sucessivas guerras de agressão em que está envolvida, o agravamento da tensão na Europa e na Ásia, junto à Rússia e à China, e o seu papel determinante na corrida aos armamentos, no desenvolvimento de novas armas e na militarização do Espaço e do ciberespaço são outras razões de fundo que justificam a consideração da NATO como a «mais séria ameaça à paz e à segurança no mundo». A militarização da União Europeia, em coordenação com a NATO, foi também repudiada.

Dos motivos para as exigências, Beatriz Goulart destacou os princípios inscritos na Carta das Nações Unidas e na Constituição da República Portuguesa, onde se contam a defesa do desarmamento e da dissolução dos blocos político-militares e o respeito pela soberania dos estados.

PCP na «primeira linha»

Entretanto, na segunda-feira, 2, o PCP emitiu um comunicado onde apelava à participação nas duas acções e apoiava as suas reivindicações. Garantia ainda ser com «profunda confiança na luta dos trabalhadores e dos povos» que os comunistas estavam, como sempre, na «primeira linha da luta pela paz, pela liberdade, pela soberania, pela democracia, pelo progresso social».

Para o Partido, a luta pela paz, o desarmamento e a dissolução da NATO é hoje decisiva, face aos perigos para a Humanidade decorrentes da actual situação internacional. Marcada, segundo o PCP, pela corrida armamentista, o desmantelamento de acordos de desarmamento e de limitação de armamento nuclear, o desrespeito dos princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, a multiplicação de focos de tensão e desestabilização, as ameaças e guerras de agressão, da responsabilidade dos EUA e seus aliados.

O PCP opõe-se ainda às opções do Governo de «empenhamento no processo de aprofundamento da componente militarista da União Europeia, parte integrante do reforço das capacidades da NATO e do seu pilar europeu, e do aumento da despesa militar nacional para atingir o desígnio de 2% do PIB, conforme exigência dos EUA».

Se a natureza da NATO ficou evidente no exacto momento da sua fundação, em 1949, quando acolheu a ditadura fascista de Salazar, as sete décadas seguintes trataram de a confirmar plenamente como «instrumento de domínio imperialista hegemonizado pelos EUA, responsável pela ingerência e guerras contra a soberania, a democracia e os direitos de Estados e dos seus povos».



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