- Edição Nº2390  -  19-9-2019

«Não nos resta outra opção se não resistir»

Fayez Badawi é um velho conhecido da Festa do Avante!, um incansável combatente da causa palestiniana que leva a bandeira da emancipação nacional e social do seu povo a todos os lugares onde vai em representação da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP). Face à brutal ocupação e opressão de Israel não lhe resta, nem ao povo palestiniano, outra alternativa se não resistir. Sob todas as formas necessárias, como aliás é reconhecido no Direito Internacional. Foi justamente isso que transmitiu em conversa com o Avante!.

A situação do povo palestiniano hoje é aguda. «Israel procura impor o seu domínio do Líbano ao Sinai [península desértica sob soberania egípcia]. Este é o projecto sionista, a realidade», explica.

Neste contexto, Fayez Badawi considera esgotado o processo de paz de Oslo, assinado em Setembro de 1993 entre a Organização de Libertação da Palestina e o Estado de Israel. A justificar a perspectiva da FPLP está a impossibilidade comprovada da convivência de dois Estados quando Israel viola todos os pressupostos do acordo e o Direito Internacional, anexando e ocupando cada vez mais parcelas do território que devia estar sob tutela da Autoridade Nacional Palestiniana, promovendo guerras, impondo um autêntico regime de apartheid, a expulsão e a liquidação do povo palestiniano. Tudo «com o apoio do imperialismo e das forças reaccionárias árabes».

«As armas não nos motivam. O que nos motiva é poder viver em paz. Contudo acreditamos que tal só é possível num estado único, laico e progressista, onde todos os cidadãos, independentemente da sua etnia e confissão religiosa, possam viver»

Sem tréguas

Para alcançar a paz, o primeiro passo, volta a defender, é resistir. E mesmo admitindo que a solução do estado único preconizada pela FPLP não é maioritária entre as organizações palestinianas, revela que entre os palestinianos há cada vez mais jovens a assumi-la como única alternativa viável.

«Ao povo palestiniano não lhe resta outra opção senão resistir. Os vietnamitas negociaram depois de baixarem as armas, ou obrigaram os ocupantes e agressores a dialogar justamente porque continuaram a resistência?».

Outra forma de resistência é o boicote aos produtos e serviços israelitas. E Fayez Badawi volta a dar um exemplo histórico para mostrar a sua eficácia: «a libertação da África do Sul mostra-nos a força que pode ter esse movimento apoiado na solidariedade internacionalista dos povos».

Pese embora esta seja uma luta de sacrifícios e sofrimento inimagináveis, Fayez Badawi nunca se lamenta. Evidencia, além do mais, um ânimo e uma confiança inabaláveis na vitória da causa palestiniana, mesmo que esta seja alcançada para lá da sua própria vida.

«A Argélia derrotou o colonialismo francês ao fim de mais de 130 anos. Nós vamos com 71 anos de resistência a Israel, estamos a metade do caminho», lembra.