«É inaceitável que um chefe de Estado defenda a tortura»
Dilma condena elogio de Bolsonaro a torturador

BRASIL Jair Bolsonaro elogiou um coronel responsável por torturas a democratas durante a ditadura militar. A antiga presidente Dilma Roussef repudiou as declarações do actual chefe do Estado brasileiro.

A ex-presidente brasileira Dilma Roussef condenou o elogio que o actual presidente da República, Jair Bolsonaro, fez ao ex-coronel Brilhante Ustra, responsável por um centro ilegal de torturas da ditadura militar (1964-1985), indica o portal Brasil 247.

Bolsonaro disse aos jornalistas, na quinta-feira, 8, que Ustra foi um herói nacional e impediu que «o Brasil caísse naquilo que a esquerda quer hoje em dia».

O político de extrema-direita almoçou com a viúva do falecido oficial, um dos responsáveis pela prática de torturas e assassinatos durante a ditadura militar, segundo estabeleceu a Comissão Nacional da Verdade, um organismo oficial que investigou violações aos direitos humanos, na época.

Antes de assumir o poder, Bolsonaro já tinha elogiado o verdugo quando, no Congresso, votou a favor do golpe parlamentar que caucionou o processo de destituição contra Dilma, em 2016.

Depois de ouvir os elogios de Bolsonaro sobre esse período obscuro, Dilma comentou que «é inaceitável que um chefe de Estado defenda a tortura e não tenha em conta os acordos assinados pelo seu país, em violação dos princípios fundamentais de civilidade da comunidade internacional». Dilma, na sua juventude, foi presa e torturada pela ditadura.

O presidente já antes tinha elogiado a ditadura militar e em Março exortou os generais a comemorar o golpe de 1964, o que provocou uma onda de repúdio na sociedade brasileira.

Lula decidido a lutar

O ex-presidente Lula da Silva, preso há quase 500 dias, em Curitiba, capital do Estado do Paraná, está decidido a lutar pela soberania do Brasil.

Assim o afirmou Raduan Nassar, escritor galardoado com o Prémio Camões, que visitou com o jornalista Fernando Morais o ex-sindicalista e ex-presidente da República na sede da Polícia Federal de Curitiba.

Nassar e Morais estiveram na cela de Lula e entregaram-lhe uma carta de membros da Associação de Juízes para a Democracia (AJD), na qual consideram o ex-dirigente operário como preso político.

Após a visita, o escritor revelou que o ex-presidente emocionou-se com a carta dos juízes e está «extraordinariamente decidido a lutar pela soberania do Brasil». Acrescentou que Lula deve ser livre quanto mais cedo possível.




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