Não se pode perder a memória do fascismo e da resistência
Alfredo Dinis e Ferreira Soares: mártires do PCP e da luta antifascista

EVOCAÇÃO O médico António Ferreira Soares e o operário Alfredo Dinis, ambos comunistas, foram assassinados pelo fascismo a 4 de Julho de 1942 e 1945, respectivamente. O PCP homenageou-os na semana passada.

Ano após ano, independentemente da dimensão das tarefas ou da intensidade da intervenção com que esteja colocado, o Partido evoca estes dois seus destacados militantes, mártires da luta antifascista. Porquê? Porque é dever de memória recordar que em Portugal houve fascismo e que muitos dos que se lhe opuseram foram presos, torturados e assassinados. E também porque importa lembrar que foram comunistas os mais corajosos e abnegados antifascistas e que foi sobre eles que recaiu a mais violenta repressão. Em tempos de violenta ofensiva anticomunista como aqueles em que vivemos, este exercício de memória torna-se mesmo decisivo.

Dedicação sem limites

A homenagem a Alfredo Dinis, promovida pela Comissão Concelhia de Loures, constou de uma romagem ao exacto local onde foi cobardemente assassinado a tiro pela PIDE, quando contava apenas 28 anos: a estrada da Bemposta, em Bucelas. Entre os presentes estavam o vereador da Câmara Municipal Gonçalo Caroço, os presidentes das juntas de freguesia de Bucelas e da União de Freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal, Élio Martins e João Florindo, o membro da Comissão de Freguesia de Bucelas e da Comissão Concelhia do PCP Jorge Dias e ainda Francisco Lopes, dos organismos executivos do Comité Central.

Este, na sua intervenção, garantiu que a melhor homenagem que se pode prestar ao jovem operário comunista é, «com o seu exemplo de dedicação ao Partido, à organização e luta dos trabalhadores, prosseguir a acção pelo nosso projecto libertador e emancipador, pelos direitos dos trabalhadores e do povo, pela liberdade e a democracia, pelo socialismo e o comunismo».

Alfredo Dinis, de pseudónimo clandestino «Alex», era operário metalúrgico e fora eleito no III Congresso do PCP (I ilegal) para o Comité Central. Pertenceu às Juventudes Comunistas e ao Socorro Vermelho, foi responsável por células de empresa e organizações locais e teve um papel determinante nas greves de 1942, 1943 e 1944, em Lisboa, na Margem Sul e no Baixo Ribatejo. Pela sua actividade revolucionária foi preso em 1938, passando mais de um ano em cativeiro.

O médico dos pobres

No mesmo dia, mas na localidade de Nogueira da Regedoura, no concelho de Santa Maria da Feira, foi homenageado António Ferreira Soares, o Dr. Prata, como era conhecido pela população local, a quem nunca negou assistência médica gratuita.

A intervenção política ficou a cargo de Miguel Viegas, membro da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP e primeiro candidato da CDU por aquele círculo eleitoral, que destacou o exemplo de abnegação e entrega de Ferreira Soares e denunciou a arbitrariedade e violência que marcou os 48 anos de fascismo em Portugal. Na evocação esteve também presente o filho de António Ferreira Soares.

Membro do Comité Regional do Douro do PCP, António Ferreira Soares tinha 39 anos quando foi varado por 14 balas disparadas à queima-roupa por uma brigada da polícia política. Estava na casa onde vivia clandestino, que servia de consultório para a população mais pobre daquela localidade, que procurou sempre protegê-lo da perseguição dos esbirros fascistas. O seu funeral constitui uma poderosa manifestação antifascista, que nem a intimidação policial pôde impedir.




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