• Gustavo Carneiro

Os valores da Festa sentem-se em todos os espaços e nos gestos mais simples
Essa grande festa que é a Festa

«Não há Festa como esta!»: longe de ser um mero slogan, esta frase resume em poucas (e acertadas)palavras o que é a Festa do Avante!, realização sem paralelo no País pela sua dimensão, pela qualidade e diversidade do seu programa, pelos valores que lhe estão subjacentes, pela forma singular como é preparada, construída e mantida a funcionar, com a dedicada militância de milhares de comunistas e amigos. São estes ingredientes, em conjunto, que a tornam singular e a eles se deve o ambiente único que ali se vive e sente, ano após ano.

Em que se concretiza este «ambiente»? Por exemplo na forma como A Carvalhesa contagiatodos e cada um desde o primeiro acorde e põe milhares a trautear (tam-tararam-tam-tam), a saltar e a dançar: com a namorada ou com o melhor amigo, com o camarada ou com o desconhecido. Mas também no tratamento natural por «camarada» entre o visitante e quem lhe recebe a EP, à entrada, ou quem, num qualquer pavilhão, lhe serve uma refeição ou uma bebida. Camaradagem essa que se cumpre nos gestos mais simples, como na partilha de mesas por vários grupos ou na ajuda aos que, «do outro lado», desempenham as mais variadas tarefas de funcionamento da Festa (controlo de entradas, bares e restaurantes, limpeza…).

A singularidade da Festa é visível em todos os recantos e em vários momentos. Desde logo na maneira fraterna e tranquila como convivem, num mesmo espaço, jovens e idosos, crianças e bebés, sem que nenhum se sinta «a mais». A Festa do Avante! é feita para todos e a pensar em todos. Mas nota-se, também, nas cantorias que surgem espontaneamente durante o almoço (os alentejanos, esses, nunca cantam sozinhos) ou nos animados debates travados à mesa do jantar a pretexto do que se acabou de ouvir numa intervenção ou de ler numa exposição. Sente-se, ainda, na sesta que tranquilamente se dorme à sombra de uma árvore ou nos momentos de intimidade e reflexão que se passa a observar o rio e a baía.

E o que dizer quando a compra de um qualquer produto no Espaço Internacional rapidamente desemboca numa viva conversa sobre a situação num determinado país e estreita laços de solidariedade entre pessoas que habitualmente se encontram separadas por milhares de quilómetros? Ou quando se encontra um colega de trabalho ou um amigo que há muito não se via e se passa com ele o resto da Festa? Ou quando se percorre o recinto de lés a lés, parando aqui e ali para uma conversa, para um copo ou para assistir a um espectáculo de um artista que não se conhecia mas cuja sonoridade nos cativou? E que dizer da alegria estampada em tantos rostos? Dos visitantes, dos artistas, dos construtores…

A Festa é tudo isto e na verdade só ela poderia ser assim. Ao contrário de outras iniciativas, de âmbito comercial, ali são as ideias, os sonhos, as lutas, a solidariedade quem mais ordena, como a bandeira vermelha que ondeia no ponto mais alto da Atalaia se encarrega de lembrar até aos mais distraídos. Para os militantes do PCP, que a assumem como um pedaço da nova sociedade por que lutam quotidianamente, a Festa é, justificadamente, a «menina dos olhos». Mas são reconhecidamente muitos os que, não sendo comunistas, se apercebem da sua singularidade e, por essa razão, não faltam a nenhuma edição. Diz-se, até, que quem vai pela primeira vez volta sempre nos anos seguintes.




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