• Paulo Raimundo
    Membro do Secretariado

Com outra correlação de forças não teria havido reposição de direitos e rendimentos
Há milhões e milhões

Para os banqueiros «mãos rotas», para os trabalhadores «aqui d'El Rei! que não há sustentabilidade». A frase é de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, e faz a síntese dos limites da actual fase da vida política nacional.

Sem que houvesse ilusões sobre o PS e suas opções, as circunstâncias em que formou o seu Governo minoritário criaram-lhe dificuldades e levaram a que, com a luta dos trabalhadores e das populações e a intervenção do PCP (e mesmo contra a sua vontade) tenha sido possível abrir um caminho, ainda que limitado, de reposição de direitos e rendimentos e importantes novas conquistas.

A chamada «crise política» revela aos olhos de todos que o PS, com uma outra correlação de forças, teria posto na gaveta toda e quaisquer reposição de direitos: as reformas, pensões e salários continuariam congelados; as prestações sociais e o abono de família não teriam sofrido alterações; os manuais escolares não seriam gratuitos; o projecto do PCP para a redução do valor dos passes e do preço dos transportes continuaria a ser chumbado; o SMN não teria sido aumentado.

Pensou o PS que com a sua manobra eleito-calculista embaraçava o PSD e o CDS e, mais importante, libertava-se da intervenção e iniciativa do PCP. Esqueceu-se que o único compromisso do PCP é com os trabalhadores e o povo, a quem cabe decidir o caminho que o País deve seguir. Fez mal o PS em recorrer à chantagem; fez bem em deixar claro que na primeira oportunidade que os trabalhadores e o povo lhe derem lá estará, com o PSD e CDS, a andar para trás.

O que esteve em causa não foi a contagem do tempo de serviço dos professores e das carreiras especiais da Administração Pública, mas os direitos de quem trabalha e trabalhou e as opções a tomar. Chegado esse momento, voltam todos à barriga da mãe: é vê-los juntos na legislação laboral, na transferência de incomportáveis encargos para as autarquias, em tudo o que é de fundo nas opções da UE, tão «responsáveis» no pagamento dos 6,9 mil milhões de euros por ano em juros da dívida (somados aos 73 mil milhões já pagos nos últimos 10 anos) e tão empenhados em garantir o pagamento, nos próximos cinco anos, de mais 34 mil milhões de euros.

Opções

Mas, como diz o povo, «há milhões e milhões» e estes põem em causa o aumento de salários e pensões, o funcionamento dos serviços públicos, o investimento público e a dinamização da produção nacional, garantem rentabilidade do sector financeiro e de todos os que lucram com o negócio da dívida, mas, ao que parece, não põem em causa as contas públicas, tal como os 1700 milhões de euros pagos todos os anos, e de forma permanente, resultante das Parcerias Público-Privado, ou os sete mil milhões de euros já enterrados no chamado «resgate» do BES/ Novo Banco.

Já o aumento geral dos salários e, em particular, do salário mínimo nacional para 850 euros, proposto pela CGTP-IN e afirmado nas grandiosas manifestações do 1.º de Maio – proposta que o PCP acompanha e pela qual se baterá –, será alvo de acusação de irresponsabilidade e impossibilidade. Esta medida, que possibilitará a transferência do capital para o trabalho de cerca de dois mil milhões de euros, será um «abuso» face aos sete mil milhões que são todos os anos transferidos do Orçamento do Estado para os tais juros da dívida.

Da parte do PCP, a mesma estratégia de sempre: não desperdiçar nenhuma oportunidade para elevar e melhorar as condições de vida e os direitos dos trabalhadores e do povo. Com confiança, estamos a realizar milhares de contactos. Ao contrário da vontade de adversários e inimigos, e apesar das suas caluniosas campanhas, somos bem recebidos pelos trabalhadores e o povo, disponíveis para nos ouvir e perceber o que está em causa, particularmente a 26 de Maio: a eleição de deputados. E tanta falta faz aos trabalhadores, ao povo e ao País que mais deputados da CDU no Parlamento Europeu os defendam e não mais deputados que, em Portugal, defendam a UE.




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