Aconteu
Um milhão de espécies ameaçadas

A Organização das Nações Unidas para a Biodiversidade (IPBES) alertou, segunda-feira, 6, que um milhão de espécies se encontram sob ameaça de extinção. O relatório, da autoria de um grupo de especialistas credenciados pela IPBES, alerta que três quartos do meio ambiente terrestre tenha sido severamente comprometido pela fileira de consequências e causas da sobre-produção e sobre-consumo.

Em resultado disso, calcula-se que esteja comprometida a sobrevivência de cerca de um milhão de espécies animais e vegetais, entre as perto de oito milhões que se estima existirem no planeta Terra.

Pelo menos 680 espécies com coluna vertebral já foram extintas desde 1960 e o relatório refere que desapareceram 559 raças domesticadas de mamíferos usados para alimentação. Mais de 40 por cento das espécies de anfíbios do mundo, mais de um terço dos mamíferos marinhos e cerca de um terço dos tubarões e peixes estão ameaçados de extinção, afirma ainda o documento, segundo a agência Lusa.

Os relatores consideram que se se agir rápida e assertivamente através de «uma mudança transformadora», não é tarde demais.


Antologia «maldita» de Natália é reeditada conforme a original

Apreendida pela PIDE e pretexto para levar aos famigerados tribunais plenários a autora da obra, Natália Correia, os escritores e poetas Mário Cesariny, Luiz Pacheco, José Carlos Ary dos Santos e Ernesto de Melo e Castro, bem como o editor Fernando Ribeiro de Mello, a «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica» foi agora republicada com a chancela da Ponto de Fuga. Pela primeira vez, a obra conta com as ilustrações do pintor surrealista português Cruzeiro Seixas, conforme constava da edição original.

Ainda antes do derrube da ditadura fascista, Fernando Ribeiro e Natália Correia ludibriaram a censura levando aos escaparates uma edição «pirata» sem as ilustrações de Cruzeiro Seixas, a qual, não obstante, esgotou completamente. A presente edição reproduz fielmente a original da Afrodite, tendo a Ponto de Fuga acrescentado novos textos introdutórios e reproduções de documentos que contextualizam este marco histórico da história dos livros em Portugal.


Voltar a Bento de Jesus Caraça

A recém criada Associação Bento de Jesus Caraça promoveu no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, o colóquio «Bento de Jesus Caraça e a actualidade da cultura integral». Com a iniciativa, a estrutura, a cujo Conselho Geral preside o filho do matemático e professor que morreu em 1948 com apenas 47 anos, João Caraça, pretendeu dar o pontapé de saída na reemergência da «cultura integral do indivíduo no sentido que o Bento de Jesus Caraça lhe deu», isto é, em que «cada um de nós se interroga sobre si próprio, o mundo em que vive e a sociedade – na realidade, o problema central de todos os tempos», disse, ouvido pela Lusa.

Para Outubro, está agendado um segundo colóquio com o tema «O projeto da Biblioteca Cosmos: impacto na sociedade do seu tempo e sua actualidade».

Bento de Jesus Caraça chegou a professor catedrático com apenas 28 anos. Criou o Centro de Estudos de Matemáticas Aplicadas à Economia, a Gazeta da Matemática, esteve no núcleo fundador da Sociedade Portuguesa de Matemática, que veio a dirigir, e publicou, em 1941, a primeira versão de uma das obras de referência, em Portugal, «Os Conceitos Fundamentais da Matemática».

Pedagogo, apaixonado pela arte, Bento de Jesus Caraça fundou igualmente a Biblioteca Cosmos, que editou 145 obras em cerca de sete anos; colaborou em revistas como a Seara Nova e a Vértice; trabalhou na reanimação da Universidade Popular e esteve na luta pela liberdade e resistência à ditadura fascista. Membro do PCP, participou no Movimento de Unidade Democrática, tendo por esse motivo sido preso no Aljube e afastado da actividade docente.


Primeira biografia de Sophia

Chegou às livrarias anteontem, editada pela Esfera dos Livros, a primeira biografia de Sophia de Mello Breyner Andresen, escrita pela jornalista Isabel Nery. A obra enquadra-se no centenário do nascimento da escritora e poetisa, primeira portuguesa a receber o Prémio Camões e a única mulher escritora com honras de Panteão Nacional.

Também no âmbito do centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen, a Assírio e Alvim leva aos escaparates livreiros uma colectânea de textos e poemas da autora sobre Antiguidade Clássica, coordenada e organizada por Maria Andresen de Sousa Tavares, filha da autora, responsável também pela selecção dos poemas e respetivas notas, com prefácio de José Pedro Serra.

Esta iniciativa decorrerá na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, também em Lisboa, e precederá a inauguração da exposição “Olhares Mútuos” que procura evidenciar as afinidades e o diálogo poético entre Vieira da Silva e Sophia.



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