Conservadores e trabalhistas «castigados» em eleições locais
Governo e oposição debatem saída do Reino Unido da UE

INCERTEZA Os partidos Conservador, da primeira-ministra Theresa May, e Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn, estão a tentar chegar a acordo, antes do dia 22, sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

O Partido Conservador, no governo, e o Partido Trabalhista, na oposição, retomaram esta semana as conversações sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), no meio de crescentes pressões para que a primeira-ministra Theresa May anuncie a data da sua demissão.

O diálogo bipartidário foi convocado pela dirigente conservadora para tentar concretizar o processo de saída, que se encontra parado por o parlamento britânico se recusar a apoiar o acordo de saída negociado entre Londres e Bruxelas.

No domingo, 5, May anunciou que estaria disposta a ceder face a algumas das exigências dos trabalhistas, relativas à permanência do país numa união aduaneira temporária com a UE, ao mercado único para algumas mercadorias e a garantias sobre os direitos dos trabalhadores. Mas, longe de ser uma saída para o impasse, o anúncio complicou ainda mais o cenário político em torno da saída, pois os conservadores da linha «dura», já insatisfeitos com a primeira-ministra pela demora na saída do bloco europeu, rejeitam fazer concessões à oposição.

No seio dos trabalhistas existe também descontentamento, sobretudo porque o anúncio de May não refere a possibilidade de submeter ao voto popular qualquer pacto que surja das conversações entre os dois partidos. Segundo publicou na véspera o diário The Guardian, entre 150 e 180 dos 229 deputados trabalhistas na Câmara dos Comuns rejeitariam um acordo que não inclua a celebração de um segundo referendo.

Recuo eleitoral

A decisão dos britânicos de abandonar a UE devia ter entrado em vigor a partir de 29 de Março, mas a recusa do parlamento em aceitar o pacto de saída negociado entre May e os dirigentes da aliança obrigou ao adiamento do «divórcio» para 31 de Outubro.

Como parte das condições impostas por Bruxelas, se Londres não concretizar antes do próximo dia 22 a retirada, os britânicos terão de participar, no dia seguinte, nas eleições para o Parlamento Europeu, uma possibilidade que os partidários do Brexit consideram vexatória.

Para tentar acalmar os ânimos dentro do seu partido, a primeira-ministra comprometeu-se a renunciar ao cargo logo que o parlamento aprove o seu plano de saída, mas muitos dos seus correligionários não querem esperar por uma data que parece ainda longe.

O descontentamento popular com a forma como o partido governante tem gerido a crise da saída do Reino Unido da UE tornou-se evidente na semana passada nas eleições locais realizadas em Inglaterra, nas quais os conservadores perderam mais de 1300 assentos autárquicos.

De acordo com os resultados, os tories (conservadores) perderam 1334 dos 4896 lugares que detinham nos 248 municípios que foram a votos no dia 2 de Maio, mantendo a maioria em 93 autarquias, menos 43 do que há quatro anos. Theresa May reconheceu que, depois de nove anos no poder, o seu partido atravessa dias difíceis.

O Partido Trabalhista, que esperava capitalizar a seu favor o descontentamento com o processo de saída do Reino Unido da UE, também obteve maus resultados. A formação liderada por Jeremy Corbyn perdeu 82 assentos e seis municípios nas eleições locais inglesas.




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