A participação pública deve garantir o interesse nacional
CCT defende na Galp Energia reforço da posição pública

ESTRATÉGIA A Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal critica o facto de o Estado não exigir um representante directo na administração do Grupo Galp Energia, que vai amanhã ser escolhida.

A assembleia geral de accionistas vai eleger os membros do conselho de administração e demais órgãos, sendo as propostas conhecidas previamente. Sobre estas, a CCT da Petrogal, num comunicado de dia 1, destacou que vêm «dar guarida ao CDS no arco dourado dos ex-governantes», confirmar «o Grupo Amorim como um grupo de regime» e marcar «a entrada em força da Galp na digitalização».

Mas o acento é colocado na atitude do Estado, através da Parpública, que continua a abdicar de qualquer representação na administração, «apesar da insistência da CCT junto do Governo e do Presidente da República». No futuro Conselho de Administração, para o qual são indicados 19 nomes, «mesmo que se aplicasse a proporção directa, sete por cento do capital corresponderia a um administrador».

Para a CCT, é «de primordial importância» que o primeiro-ministro e Presidente da República esclareçam «a razão do aparente interesse de um accionista indirecto ter um representante directo no Conselho de Administração, em detrimento do segundo maior accionista do grupo».

A diferença está na posição da Sonangol, como se refere no comunicado. Em Agosto tinha sido anunciada uma intenção de saída da estrutura accionista da Galp, mas a alteração foi abordada em duas visitas de Estado, num curto período de três meses. A Sonangol mantém uma participação indirecta no capital social da Galp muito semelhante à posição directa da Parpública, mas vai ter um administrador.

Sobre a nomeação de antigos titulares de cargos políticos (ex-governantes), a CCT nota que tal «é uma prática comum, não só pela Galp mas por todas as grandes empresas nacionais», sendo a principal novidade «actuarem às claras e sem pudor». É dado o exemplo do administrador Carlos Costa Pina, que será reconduzido, «todavia sem eco nos media, cujo silêncio se mantém, talvez por ser do partido do actual Governo».

A entrada de um conhecido nome do CDS vai «completar o arco da promiscuidade do interesse público e dos poderosos».

«Em todo este novelo de cumplicidades e jogos de bastidores», a CCT identifica «uma efectiva protecção ao Grupo Amorim, enquanto accionista de referência da Galp». Tal posição dominante «estaria em causa com a saída da Sonangol, pela venda da participação desta».

Antecipando um «argumento da manutenção dos centros de decisão no País, num arroubo do patriotismo mais empedernido», a CCT insiste: a solução passa pelo reforço da participação da Parpública, com a correspondente nomeação de administradores directos pelo Estado».

 



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