Construções e fantasia

O ataque aos partidos, à «política» e aos «políticos» não é novo. Mas, nos últimos meses, a mescla mediática que tem servido para cimentar os pilares em que assenta assumiu novos caminhos. À boleia de ideias vindas do outro lado do Atlântico, que traduziram para a língua portuguesa muitas ideias que já viajavam por outras latitudes, alguns puseram-se a caminho e fizeram do PCP o principal alvo.

Já aqui abordámos muitos dos elementos que, desde o início do ano, animaram a ofensiva liderada pela TVI contra o Partido, aos seus dirigentes e eleitos. Entretanto, outros foram-se especializando num ou noutro tipo de abordagem, como se viu recentemente com a visão a regressar à efabulação em torno de autarquias de gestão da CDU. Neste último episódio de há uma semana – requentado, diga-se – chega ao ponto de denunciar situações de nomeações de quem já trabalha há décadas na Administração Local.

Nos dias mais recentes, alguns órgãos de comunicação social assumiram um passo em frente na sanha anti-comunista. O método é antigo: dar expressão a alegadas «convulsões» internas, mesmo quando estas residem mais no campo da fantasia ou do desejo, do que propriamente da realidade.

A vontade de atingir o PCP leva a que alguns jornais ditos de referência tenham acolhido nas suas páginas prosas sem pingo de credibilidade. A crer num texto publicado por um conhecido semanário, existem autênticas hordas de funcionários revoltosos. Um outro dá conta de um clima de pré-revolta na reunião do Comité Central desta semana. Uma coisa é certa: se fizessem menos jornalismo a partir de caixas de comentários nas redes sociais e acompanhassem de facto a actividade e iniciativa política do PCP não escreveriam tais coisas. Isto partindo do princípio que se trata de órgãos de comunicação social que se regem por critérios de seriedade, claro está.

A estação pública de televisão optou mesmo por ignorar em absoluto as conclusões da reunião do Comité Central. Construiu uma peça, no principal noticiário de segunda-feira, em que procurou transformar a conferência de imprensa em que o Secretário-Geral as apresentou numa sessão sobre elementos da vida interna do PCP que outros escolheram oferecer aos instrumentos do capital no espaço mediático. Talvez para não ficar para trás, uma outra estação privada seguiu a lebre e tentou replicar a dose nos noticiários das 13h e das 20h do dia seguinte.

Uma opção seguida, aliás, acriticamente pelos jornais nacionais, a partir de uma opção da única agência noticiosa nacional – com particulares responsabilidades, não só por essa condição mas também por ser maioritariamente pública. Apesar de os títulos serem diferentes, a tendência para concertarem os temas e os ângulos de abordagem é evidente. Esta realidade não é exclusiva ao PCP, mas como está bem de ver, assenta com particular ajuste a estes últimos dias – mesmo quando isso implica repetir as fantasias e as mentiras criadas por outros.




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